Os oitenta e anos da 2ª Guerra Mundial (parte XIII) – Balanço Final

Os oitenta e anos da 2ª Guerra Mundial (parte XIII) – Balanço Final

Os oitenta e anos da 2ª Guerra Mundial (parte XIII) – Balanço Final

, Professor
23 Março 2026, Segunda-feira
Professor

Esta é a derradeira crónica evocativa da passagem dos 80 anos do fim da 2ª Guerra Mundial.

Pela minha parte, tive familiares meus do lado italiano, envolvidos no conflito, nas tropas do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

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Do lado português, já tinha tido o meu avô materno, o avô Carlos, que combateu na 1ª Guerra Mundial.

O meu tio e padrinho de baptismo Giuseppe Licciardello, do exército, combateu e foi feito prisioneiro pelos ingleses, na Eritreia (antiga África Oriental Italiana), conseguindo evadir-se do campo de concentração para onde tinha sido enviado, tendo vagueado a monte durante a restante guerra.

Durante a madrugada, aproximava-se sorrateiramente do exército inglês e roubava-lhes comida, sem nunca ter sido detectado.

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Dormia de dia, e mantinha-se activo de noite. Tornou-se um especialista em roubar alimentos.

Não queria voltar à frente de combate, numa guerra que não concordava, nem se entregar e ser novamente feito prisioneiro.

Esteve dois anos a monte, até ao final da guerra, tendo regressado a Itália.    

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Era um homem bom; sofrido e humanizado pela guerra e pela vida. 

O outro tio, Francesco Licciardello, da marinha, foi torpedeado duas vezes por submarinos aliados, no Mediterrâneo.

Meu Pai, com 12 anos, teve de interromper os estudos durante três anos, para ir trabalhar numa fábrica de armamento alemã.

Todos sobreviveram à guerra.

Ao longo dos anos, meu Pai manteve sempre um silêncio que aprendemos a compreender e a respeitar; quando alguém de fora lhe perguntava algo sobre a guerra, mudava invariavelmente de assunto.

Deixam todos muitas saudades.

Pela sua magnitude e importância histórica, 2ª Guerra Mundial foi abordada de diversas formas, nas mais variadas vertentes.

Nesta crónica, fico-me pelas vítimas. Nunca será conhecido com precisão o seu número. Milhões de soldados morreram em combate e milhões de homens, mulheres e crianças morreram, sem saberem bem como, nem porquê.

Estes números que se seguem são valores aproximados, contudo bem significativos. A antiga União Soviética sofreu um total de vinte milhões de mortos. A Alemanha sofreu cerca de sete milhões. O Japão, três milhões.

Na Polónia, morreram seis milhões de cidadãos polacos, dos quais três milhões eram judeus. A estes juntaram-se mais três milhões, provenientes de outros locais da Europa e que foram também assassinados pelos nazis, o que elevou o total de mortes dos judeus para seis milhões.

Na antiga Jugoslávia, um milhão de mortos. França, seiscentos mil. Estados Unidos, Inglaterra, Itália, aproximadamente quinhentos mil cada um, etc.

Em todas as zonas atingidas pela guerra, as perdas de vidas humanas foram devastadoras.

Ninguém pode sequer fazer uma estimativa e calcular o número de feridos, cujas vidas ficaram definitivamente afectadas como resultado desta guerra. Lesões físicas, acarretando deficiências gravíssimas e lesões psicológicas marcaram para toda a vida milhões de pessoas. Nos cinco continentes.

Muitos foram as que morreram em resultado de tais lesões. Outras passaram a viver presas da dor, do mal-estar, da angústia, do medo, do remorso e da privação do sentimento de fraternidade que nos deve unir a todos, humanos.

Centenas de milhares de sobreviventes civis, foram vítimas da fome, da miséria, do medo, das deportações ou dos massacres e ficaram também para sempre marcados por lesões de natureza física e psicológica, que os continuaram a atormentar durante o resto das suas vidas.

Seguiu-se a “Guerra Fria”, com duas grandes superpotências, os Estados Unidos e a ex-União Soviética, procurando serem hegemónicas, em diversas partes do globo.

Com a queda do Muro de Berlim que simbolizou o fim de quase todas as ditaduras comunistas, novos antagonismos foram gerados: EUA, Rússia, China.

Novos e variados ditadores foram surgindo.

A 2ª Guerra Mundial não foi a guerra decisiva; foi somente a segunda de muitas que haveriam de se seguir: Coreia, Vietname, Tibete, Guerras Israelo-árabes, Afeganistão, Kuwait, Iraque, Irão, Malvinas, Angola, Moçambique, Sudão, Etiópia, Somália, Balcãs, Geórgia, Crimeia, Ucrânia, Líbia, Síria, terrorismo, Daesh, atentados, Covid-19, etc.

Passados 80 anos sobre o fim da 2ª Guerra Mundial, o nosso Mundo continua a ser um local perigoso.

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