Protesto promovido pelo movimento Porta a Porta, no âmbito das ações da plataforma Casa para Viver, realiza-se este sábado
O Barreiro é uma das 14 cidades do País para as quais estão agendadas para o próximo sábado manifestações a exigir respostas para a atual crise de habitação. O protesto no Barreiro é promovido pelo movimento “Porta a Porta – Distrito de Setúbal”, que assim se associa ao conjunto de ações de protesto dinamizadas pela plataforma “Casa para Viver”.
A concentração está marcada para as 10h30, no terminal rodo-ferro-fluvial barreirense, e tem garantida a participação de outros movimentos e organizações, como “Projecto Ruído, Vida Justa, Frente Anti-Racista e Estuário Colectivo”, anunciou o Porta a Porta, em nota de Imprensa.
Estas organizações vão sair à rua para reivindicarem “rendas mais baixas e reguladas, mais habitação pública, baixa das taxas de juro, fim dos despejos e arrendamentos com mínimo de 10 anos”.
“Conseguir casa em condições dignas é um direito básico cada vez mais inacessível a milhares de trabalhadores. Enquanto isso os bancos batem recordes de lucros conseguidos à conta da subida de juros e da especulação imobiliária. Num país onde mais de metade dos trabalhadores recebem menos de 1.000 euros por mês, os preços das casas não podem continuar nos valores dos últimos anos”, lê-se na mesma nota, onde são reforçados os problemas sentidos atualmente em matéria de acesso a habitação.
“Jovens que não conseguem sair de casa dos pais, trabalhadores obrigados a viver em quartos com as suas famílias ou em bairros de construção altamente precária e insalubre, estudantes que desistem da faculdade porque não têm lugar nas residências estudantis nem dinheiro para arrendar um quarto, a prestação ao banco a subir até ao insuportável, são alguns dos exemplos da actual situação da habitação no nosso país.”
A plataforma Casa para Viver, que é integrada por dezenas de associações e coletivos em defesa do direito à habitação, decidiu apresentar o conjunto de reivindicações, em primeiro lugar, ao Presidente da República, António José Seguro, juntamente com um apelo para que o Chefe de Estado encare o problema como “uma emergência nacional”. A entrega de um documento nesse sentido no Palácio de Belém foi anunciada para segunda-feira passada.
“Fazemos questão de entregar, em primeira mão, uma carta aberta ao senhor Presidente da República, porque o problema da habitação configura-se como uma emergência nacional, a uma escala tão grande como o problema da saúde”, disse então André Escoval, do movimento Porta a Porta, em declarações à agência Lusa.
“Entendemos que o Presidente da República precisa claramente de dizer o que pensa perante o problema que vivemos na habitação e também se entende que é preciso romper com o conjunto das políticas que nos trouxeram até aqui”, adiantou o responsável, que considerou ainda que as novas medidas anunciadas na quinta-feira [anterior] pelo Governo, como a aceleração dos despejos, “vão agravar um problema brutal a nível nacional”.
O Barreiro é a cidade da região onde será realizada uma das várias manifestações, no próximo sábado, que vão ter lugar no País.