Uma menina de dois anos foi atingida a tiro no interior da habitação precária onde vive, no bairro ilegal do Penajoia, em Almada. Segundo vários órgãos de comunicação social, a menina não corre risco de vida, apesar de a bala a ter atingido no rosto. Esta situação não é um mero incidente que possamos desvalorizar dada a sua excecionalidade. Antes pelo contrário: trata-se de mais um sinal de como Almada está sem rei nem roque.
O Executivo camário, liderado por Inês de Medeiros – que está no seu terceiro e último mandato – tem vindo a assobiar para o lado relativamente à proliferação de bairros ilegais. Tive, aliás, oportunidade de questionar a senhora Presidente da Câmara na Assembleia da República sobre a sua inação no que a estes bairros de lata diz respeito. Obtive zero respostas, tanto para os morados dos bairros legais que estão a ser vítimas de puxadas de eletricidade e água, como para os moradores dos bairros ilegais, que são os responsáveis pelas ditas puxadas ilegais. Contudo, ouvi um intenso jorrar de acusações dirigidas ao IHRU que é, na verdade, o proprietário dos terrenos do Penajoia. Em bom rigor, Inês de Medeiros decorou um texto e, seja na Assembleia Municipal, seja na Assembleia da República, mantém a encenação: a Câmara não é responsável, a culpa é do IHRU.
E tenho de dizer, em nome da honestidade, que também o presidente do IHRU foi ouvido na Assembleia da República – também a pedido do CHEGA – para que nos pudesse clarificar sobre a situação. Ora, foi mais um dirigir de acusações, no caso à Presidente da Câmara de Almada. Ficámos a saber, porém, que o IHRU está a colocar vedações à volta das habitações ilegais já existentes para impedir que novas habitações sejam construídas. Soluções para os que já lá vivem de forma precária e desumana? Zero. Soluções para os moradores do Bairro da Matadouro que, não raras vezes, ficam sem eletricidade devido às puxadas ilegais oriundas do Bairro do Penajoia? Zero.
Com sinceridade digo: saí destas duas audições com a certeza de que ninguém sabe o deve fazer.
A Presidente de Câmara tem zero ideias, zero soluções para apresentar aos seus munícipes. Calculo que esteja mais ocupada a preparar as suas participações em programas televisivos com vista a algo que ainda não sabemos, mas cujo anúncio não deve tardar.
E enquanto isso, os munícipes sofrem. Sofrem os do Bairro do Matadouro, como sofrem os estudantes que frequentam as escolas degradadas do concelho nas quais chove no seu interior. Aliás, os estudantes da Escola Básica e Secundária Anselmo de Andrade manifestaram-se na semana passada exatamente para denunciar o estado em que se encontra a escola. Sofrem também os agentes da PSP da Esquadra do Pragal que trabalham num edifício com infiltrações cujo último andar está inoperacional porque chove lá dentro.
Inês de Medeiros não tem soluções. Candidatou-se a um novo mandato sob o lema ‘Plano A’ para Almada e já todos percebemos qual é o plano: Abandonar Almada.