Medida visa adaptar a fábrica à produção do novo modelo T-Roc. Trabalhadores ainda não sabem quando será suspenso o funcionamento
A Autoeuropa tem prevista uma paragem de 71 dias para este ano, mas os trabalhadores ainda não foram informados de quando se irá verificar a suspensão da laboração da fábrica de Palmela.
“Ainda não temos datas definidas sobre as paragens”, disse Rogério Nogueira, responsável da Comissão de Trabalhadores, a O SETUBALENSE.
O referido período de interrupção de funcionamento, além das paragens habituais, é motivado pela necessidade de adaptação da fábrica à produção do novo modelo T-Roc. E os trabalhadores, de acordo com o que foi noticiado em dezembro passado, aceitaram o recurso a lay-off.
Nesse âmbito, e ao que O SETUBALENSE apurou, a Segurança Social vai suportar cerca de 50% dos salários dos trabalhadores durante o período de paragem, sendo que a restante fatia será assumida pela própria empresa.
A Comissão de Trabalhadores alcançou, em fevereiro, um pré-acordo com a empresa a determinar aumentos salariais de, no mínimo, 100 euros, além de mais benefícios sociais.
Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores revelou então que o acordo com “a vigência de 18 meses, de 1 de janeiro de 2026 a 30 de junho de 2027”, estabelecia aumentos salariais de 2,8% já naquele mês e de mais 2,5% a partir de outubro próximo, ambos com um mínimo garantido de 50 euros.
Ficou acertado também o pagamento de um prémio único de 500 euros, “um complemento pela divisão do aumento salarial” de 50 euros em janeiro e outubro, e também a atribuição de um prémio de assiduidade de 50 euros mensais de janeiro a junho de 2027, com o alargamento das exceções elegíveis face ao modelo anterior, incluindo situações de doença e compromissos legais dos trabalhadores.
Outra medida prevista, no pré-acordo laboral alcançado com a fábrica de automóveis da Volkswagen em Palmela, é a majoração do prémio de objetivos até 150% em 2026 e 2027 e a aplicação de um novo modelo de turnos a partir de junho deste ano.
Os representantes dos trabalhadores destacavam também o aumento do subsídio de refeição para cinco euros e a garantia de pagamento integral do salário em caso de recurso ao `lay-off´ (suspensão temporária da produção).
Contemplada ficou ainda a “garantia de downdays no turno da noite na segunda-feira a seguir ao Domingo de Páscoa (Acordo Base) e nos dias 30 de outubro e 7 de dezembro de 2026” e de “dois downdays individuais em 2027”.
Além disso, no início de cada ano, cada trabalhador “terá a possibilidade de marcar um dia de descanso no seu dia de aniversário, mediante comunicação prévia à chefia e independentemente do absentismo da equipa (este dia será retirado do saldo de dias especiais). E a “inclusão no acordo base do seguro de saúde para reformados”, assim como a “abertura de um plafond para doenças graves”, “aumento do plafond de partos para 700€”, sendo que “durante a vigência do acordo, não serão aumentadas as franquias, nem reduzidos os plafonds”.
As negociações para o próximo acordo ficaram previstas iniciar-se a partir de maio de 2027.