São múltiplas as consequências da guerra. Desde logo, a pior de todas; a perda de vidas humanas. A dimensão desta perda, é tanto menor ou maior, conforme o número de efetivos intervenientes. Mas, sobretudo, conforme os meios bélicos utilizados. Depois há outras consequências também muito prejudiciais para a economia, para o nível de vida, e para o ambiente, com o bombardeamento de refinarias, gasodutos, depósitos de materiais altamente poluentes, bombas de napalm, tudo contribuindo para agravar as alterações climáticas.
As guerras são feitas, sobretudo, para a conquista do poder. E já lá vai o tempo em que o mesmo, o poder, estava na ponta das baionetas. Atualmente, ele ainda aí está, mas só em parte. E as “baionetas” evoluíram imenso. Hoje mata-se à distância. O mais perto, é através de metralhadoras, granadas e artilharia de curto alcance. Armas mais utilizadas em ações de guerrilha.
A Aviação e a Marinha, estão equipadas com radares e sonares, torpedos, misseis e artilharia de longo alcance. É só carregar no botão. E agora com a informática, nem sequer isso, para disparar misseis de curto, médio e longo alcance. Até intercontinentais. Há também os drones e a denominada arma definitiva; a bomba nuclear. Pelo menos nove países, oficialmente, possuem-na: EUA, Rússia, China, França, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Sul.
Portanto, são imensas as formas de guerra. As referidas, são apenas as comummente conhecidas. Mas há outras formas que também evoluíram, e muito. São as usadas para manipular as pessoas, as massas, para concordarem com a guerra. Meio caminho andado para elas se desencadearem e manterem
A propósito, tomo a liberdade de citar um extrato de uma muito interessante descrição da guerra, feita por um homem muito bem informado na matéria. O major-general Agostinho Costa no encontro a que já aqui fiz referência no meu artigo de opinião da semana passada, “A Santa Aliança”. Disse ele no dia 5 de março na Casa do Alentejo em Lisboa:
“ A guerra tem duas dimensões. A dimensão física, que tem os domínios terrestre, marítimo, aéreo, espacial e ciberespacial. É aí que estão os militares. E tem a dimensão cognitiva, com o domínio das perceções. E aí os combatentes são os influencers. Aí o espaço de combate são os estúdios da televisão e da rádio, os jornais, o ciberespaço, os blogs. E o objetivo a conquistar são as nossas mentes, as perceções.”
É esta a outra importantíssima forma de fazer a guerra para além, ou antes, das baionetas mais ou menos sofisticadas, entrarem em ação. Por exemplo, não foi por acaso que este encontro público que reuniu Agostinho Costa, Viriato Soromenho Marques, Carlos Almeida e Isabel Camarinha, não teve cobertura pelos tradicionais media dominantes.
A guerra e as alterações climáticas, são os dois maiores perigos que a humanidade enfrenta. Ambos, sobretudo o primeiro, fruto do egoísmo e da sede de poder, que é imperioso, através do esclarecimento, denunciar e combater.