Setúbal cresce. A rede de saúde tem de crescer com ela

Setúbal cresce. A rede de saúde tem de crescer com ela

Setúbal cresce. A rede de saúde tem de crescer com ela

, Militante do PSD
16 Março 2026, Segunda-feira
Militante do PSD

O debate em torno do encerramento da urgência de obstetrícia do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, trouxe novamente para o centro da discussão pública um tema que a Península de Setúbal conhece bem: a pressão crescente sobre o sistema de saúde da região.


Independentemente das posições que se possam assumir sobre a reorganização das urgências, há um ponto que dificilmente pode ser ignorado. A Península de Setúbal mudou profundamente nas últimas décadas — e a rede hospitalar não acompanhou essa transformação ao mesmo ritmo.

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Hoje, centenas de milhares de pessoas vivem e trabalham em concelhos como Setúbal, Seixal, Montijo, Barreiro ou Almada. Muitos vieram para a região atraídos pela qualidade de vida, pela proximidade à Área Metropolitana de Lisboa e por novas oportunidades económicas.


Este crescimento populacional é um sinal positivo de dinamismo territorial. Mas traz consigo uma exigência clara: os serviços públicos precisam de acompanhar esta evolução.


No caso da saúde, a pressão é particularmente visível. Hospitais como o Hospital Garcia de Orta, em Almada, o Hospital de São Bernardo, em Setúbal, ou o próprio Hospital do Barreiro têm vindo a responder a uma procura cada vez maior.

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Ao mesmo tempo, o Serviço Nacional de Saúde enfrenta desafios conhecidos. Entre eles, a escassez de médicos em algumas especialidades, particularmente na obstetrícia, o envelhecimento do corpo clínico e a necessidade de garantir equipas completas que assegurem um funcionamento estável das urgências.


É neste contexto que as decisões sobre a organização das urgências devem ser compreendidas. Mais do que manter serviços abertos de forma intermitente ou imprevisível, importa garantir que as grávidas que recorrem às urgências obstétricas encontram respostas seguras, previsíveis e com equipas clínicas completas quando mais precisam de cuidados.


Este não é um problema recente. Durante anos — e atravessando diferentes ciclos governativos — a região foi acumulando um défice de investimento hospitalar que hoje se torna mais evidente. Ainda durante a última década, com governos do Partido Socialista, a expansão da rede hospitalar na Península de Setúbal ficou aquém do que o crescimento demográfico da região exigia.

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Reconhecer esta realidade não é um exercício de crítica política, mas sim de responsabilidade coletiva. Os desafios estruturais constroem-se ao longo do tempo e exigem respostas igualmente estruturais.


É por isso importante que o atual Governo, através da Ministra da Saúde, esteja a procurar reorganizar serviços de forma a garantir maior segurança clínica e maior previsibilidade no funcionamento das urgências. A reorganização de serviços, por si só, não resolverá todos os problemas, mas pode constituir um passo necessário para assegurar que as utentes — em particular as grávidas e parturientes que recorrem às urgências — encontram respostas estáveis, seguras e confiáveis num dos momentos mais sensíveis da vida de qualquer família.


Ao mesmo tempo, têm sido dados passos para responder a um dos desafios estruturais do sistema: a falta de médicos. O aumento das vagas na formação médica, através da abertura do curso de medicina em várias universidades, e o reforço da capacidade formativa em várias especialidades são medidas importantes para garantir que, nos próximos anos, o Serviço Nacional de Saúde possa contar com mais profissionais e com maior capacidade de resposta.


Ao mesmo tempo, este momento deve servir para afirmar uma ambição maior para a região. Uma Península de Setúbal com mais de 800 mil habitantes, com forte dinamismo económico e com perspetivas de crescimento contínuo precisa de uma rede hospitalar preparada para o futuro.


Projetos como o futuro Hospital do Seixal, bem como o reforço das unidades hospitalares existentes, devem integrar uma estratégia mais ampla de desenvolvimento regional.


A saúde é um dos pilares da coesão territorial. Garantir que os cidadãos da Península de Setúbal têm acesso a cuidados de saúde de qualidade, próximos e seguros deve ser um objetivo que une diferentes níveis de decisão — do poder local ao Governo da República.


Este debate pode, por isso, ser mais do que uma polémica momentânea. Pode ser o ponto de partida para uma mobilização positiva em torno de um objetivo comum: garantir que a Península de Setúbal continua a crescer, mas com uma rede de saúde à altura da sua dimensão, do seu potencial e das expectativas legítimas de quem aqui vive.

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