BE considera que se trata de um regresso do lápis azul (censura) pela mão do partido
O Teatro de Animação de Setúbal, PS e BE criticam o voto contra do Chega ao apoio do município a duas companhias de teatro e acusam aquele partido de tentativa de censura à liberdade artística e valores democráticos.
A polémica surgiu na sequência das justificações apresentadas pelos eleitos do Chega para o voto contra os apoios municipais ao Teatro de Animação de Setúbal (TAS) e ao Teatro Estúdio Fontenova, alegando que as duas companhias representam “agendas ideológicas divisivas”, por o TAS ter levado à cena a peça Manual do Bom Fascista e o Teatro Estúdio Fontenova ter participado na 1.ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+ em Setúbal.
Em comunicado divulgado esta quarta-feira, o BE considera que se trata de um regresso do lápis azul (censura) pela mão do Chega e critica as justificações apresentadas pela bancada do partido, não obstante o executivo da Câmara Municipal ter aprovado por maioria os apoios municipais às duas companhias de teatro da cidade de Setúbal.
“No caso do TAS, o voto contra foi justificado por esta companhia ter levado à cena a peça Manual do Bom Fascista, baseada no livro homónimo de Rui Zink” e, no caso do Teatro Estúdio Fontenova, “a justificação prendeu-se com a sua participação na 1.ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+, organizada pelo Cardume Coletivo, que decorreu em outubro do ano passado, em Setúbal”, lê-se no comunicado do Bloco de Esquerda (BE).
O Bloco insurge-se ainda com as afirmações do vereador do Chega António Cachaço na discussão e votação dos apoios municipais, lembrando que, para o autarca do Chega, “a peça Manual do Bom Fascista compara conservadorismo, patriotismo e valores tradicionais ao fascismo, constituindo, uma caricatura ofensiva e uma forma de manipulação ideológica”.