Momentos de tensão vividos na reunião com a ministra da Saúde

Momentos de tensão vividos na reunião com a ministra da Saúde

Momentos de tensão vividos na reunião com a ministra da Saúde

Autarcas da região saíram da audiência agastados com comportamento de Ana Paula Martins. “Foi muito desagradável e até agressiva”

A reunião desta terça-feira entre a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e os autarcas da Península de Setúbal, que teve como tema central o fecho da Urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital do Barreiro, ficou marcada por uma certeza – a de que o encerramento está decidido – e por momentos de alguma tensão. Os autarcas saíram da audiência agastados com o comportamento da responsável pela pasta da Saúde.

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A governante foi “muito desagradável e até agressiva quando se colocou o dedo na ferida”, consideram três dos autarcas que participaram na reunião, realizada no Ministério da Saúde.

A ferida foi aberta quando Fernando Pinto, presidente da Câmara de Alcochete, lembrou que Luís Montenegro, em 2024, se comprometeu a solucionar os problemas na Saúde em 60 dias e que, daí para cá, apenas se constate que o SNS está cada vez pior.

“A ministra interpretou mal o que foi dito, não gostou, lembrou que o compromisso assumido foi de apresentação de um plano [de emergência], que já foi apresentado, e acrescentou que qualquer dia desafiaria quem faz aquelas afirmações a prová-las”, disseram dois dos autarcas a O SETUBALENSE. Ana Paula Martins adiantou que “a herança recebida do anterior Governo socialista foi pior do que seria imaginável”, junta ainda outro dos autarcas ouvidos por O SETUBALENSE.

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O “tom ríspido” da ministra, segundo vários autarcas, fez-se ainda sentir quando a governante foi interpelada por Frederico Rosa. O edil do Barreiro observou que a governante “estava a falar há mais de uma hora” e que os autarcas pretendiam ser ouvidos. A resposta de Ana Paula Martins foi considerada pelos autarcas dura e desagradável. “A sra. ministra retorquiu se queria ser o presidente da Câmara do Barreiro a conduzir a reunião.” E, segundo o relato dos autarcas, até questionou Frederico Rosa: “Quer vir para o meu lugar?”

A normalidade foi reposta, ainda de acordo com os mesmos autarcas, quando Carlos Albino, presidente da Câmara da Moita, interveio para reforçar que todos fossem auscultados tranquilamente.

Ainda assim, os autarcas sentiram uma outra “bicada” de Ana Paula Martins. “A sra. ministra ainda disse que cabe a nós, autarcas, tornarmos a Peninsular de Setúbal mais atrativa para que os médicos queiram vir para cá trabalhar.”

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Centro de Elevado Desempenho para integrar as três ULS da região
Na reunião, que durou pouco mais de três horas e que contou também com Álvaro Almeida, diretor executivo do SNS, foi transmitida a intenção do Governo de “criar um Centro de Elevado Desempenho, que integre o funcionamento das três Unidades Locais de Saúde (Arrábida, Arco Ribeirinho, e Almada-Seixal)”, o que “irá permitir a monitorização de indicadores de desempenho (métricas) e um aumento do vencimento dos profissionais de saúde”. A medida “é para avançar ainda este ano e visa captar médicos para a região”.

Outra das soluções que a ministra adiantou que está em cima da mesa é o recrutamento de médicos no estrangeiro. A governante, segundo os autarcas, admitiu que “já foram encetadas conversações para recrutar equipas clínicas do Brasil”, mas que “é difícil”, até porque “Portugal está a competir, nesta matéria, com outras geografias”.

E Paulo Silva, presidente da Câmara do Seixal, informou a governante de que o embaixador de Cuba em Portugal já fez saber que “existem médicos disponíveis naquele país” que podem vir assegurar o serviço.

A escassez de obstetras não encontra resposta no nosso país. “Segundo disse o diretor executivo do SNS, atualmente, com os médicos-obstetras existentes, mesmo cumprindo todo o horário e ainda 150 horas extraordinárias, apenas é possível cobrir 50% de todos os horários das urgências obstétricas. E mesmo que todos os que existem em Portugal (referindo-se ao setor privado) trabalhassem no SNS, só se conseguiria assegurar 70% das horas das urgências”. Acresce que a ULS Arco Ribeirinho “tem muitos médicos com idade superior a 55 anos e que, por via disso, não estão obrigados a assegurar o serviço de urgência”.

Foi garantido aos autarcas que a Urgência de Obstetrícia e Ginecologia “voltará a abrir no Hospital do Barreiro quando o problema da falta de médicos deixar de existir”. Até lá, a maternidade continuará a funcionar apenas para “partos programados” e mantêm-se “as consultas de ginecologia não urgentes”. O serviço de urgência vai transitar para o Hospital Garcia de Orta, em Almada.

Marcaram presença na reunião os presidentes de câmara de Alcochete (Fernando Pinto), Barreiro (Frederico Rosa, que preside também à Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal), Moita (Carlos Albino, acompanhado pela vereadora da saúde, Anabela Rosa), Montijo (Fernando Caria, acompanhado pela vereadora da saúde, Céu Simões), Palmela (Ana Teresa Vicente), Seixal (Paulo Silva) e os vereadores de Almada (Filipe Pacheco) e Setúbal (Paulo Maia). A exceção foi Francisco Jesus, presidente da Câmara de Sesimbra.

Frederico Rosa “Saímos com preocupações acrescidas… vamos lutar”

Os autarcas saíram da reunião com “preocupações acrescidas”, disse Frederico Rosa a O SETUBALENSE. O sentimento é comum aos autarcas da região, até porque, sublinha o autarca do Barreiro, “há falta de resposta para os problemas estruturais e verifica-se um crescimento demográfico na Península de Setúbal, que conta quase com um milhão de pessoas, número que irá continuar a aumentar com os projetos estruturantes que estão planeados, como o aeroporto, a terceira travessia sobre o Tejo e a alta velocidade”.
Frederico Rosa admite que “têm de ser tomadas medidas de curto prazo para que a mudança estrutural na Saúde apareça”, mas essas medidas, frisa, “não podem passar pelo encerramento do serviço à população”. O Conselho Intermunicipal da CIM volta a reunir-se hoje, no Barreiro, e o também presidente do órgão salienta que o fecho da Urgência de Obstetrícia “estará em cima da mesa”. “Deveremos definir os próximos passos a dar. Vamos lutar por esta causa, para que esta política seja revertida”, assegura, a finalizar.

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