Confira o histórico. Meio de socorro já está a funcionar entre as 8 e as 20 horas. Operacionalidade é para ser alargada a 24 horas por dia
Dezanove anos e sete dias depois da assinatura do protocolo de constituição do Centro Hospitalar Barreiro Montijo (CHBM) – entretanto extinto com a criação da Unidade Local de Saúde Arco Ribeirinho (ULSAR) em 1 de janeiro de 2024 –, o Hospital do Montijo passou a ter uma ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV). O novo meio de socorro foi instalado na unidade hospitalar na passada terça-feira, mas já deveria ter sido ali sediado há cerca de 16 anos e três meses, quando o CHBM entrou em funcionamento.
A sétima de dez cláusulas do protocolo de constituição do CHBM – assinado em 24 de fevereiro de 2007, entre a então Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e a Câmara Municipal do Montijo – determinava que “o transporte de doentes, em situação aguda, referenciados às urgências médico-cirúrgicas e/ou polivalente” seria “reforçado com uma ambulância SIV sediada no município do Montijo”. Mas, a entrada em funcionamento do CHBM só viria a ocorrer em 1 de novembro de 2009 e foi preciso chegar-se a 2026 para que este meio de socorro fosse instalado na unidade hospitalar, conforme assumido pela tutela no protocolo de constituição desta entidade entretanto já extinta desde o início de 2024.
O incumprimento “atravessou” vários Governos da República e conselhos de administração do CHBM. E também sucessivos executivos municipais do Montijo, cuja capacidade de reivindicação junto da tutela se revelou sempre ou “fraca” ou “infrutífera”.
Em 2018, quer a então ARSLVT quer a administração do CHBM, na altura presidida por Pedro Lopes, assumiam abdicar de sediar a ambulância SIV no Montijo (ao arrepio do protocolo existente), em face da instalação de uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) no Barreiro.
Agora, e apesar de se manter ativa a VMER naquela unidade hospitalar, acaba de ser instalada no Montijo a ambulância SIV, tal como já havia sido anunciado previamente pela administração da ULSAR, presidida por Ana Teresa Xavier, e pelo presidente da Câmara Municipal do Montijo, Fernando Caria, após uma reunião entre as partes realizada nos Paços do Concelho em novembro último.
Ainda assim, de acordo com a informação prestada pelo autarca na sessão de câmara de terça-feira passada e também publicada na página da ULSAR na Internet, este novo meio de socorro está para já a funcionar apenas no período compreendido entre as 8 e as 20 horas, todos os dias. Está, porém, previsto alargar a sua operacionalidade a 24 horas por dia.
“Ainda não está a funcionar nas condições que pretendíamos [em total permanência], o que vai acontecer, salvo erro, a meio deste mês”, disse Fernando Caria, durante a reunião do executivo municipal. Segundo o edil, aguarda-se ainda que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) “consiga ter as equipas completas para prestar o serviço” de forma permanente.
De acordo com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), as ambulâncias SIV “têm por missão garantir cuidados de saúde diferenciados, tais como manobras de reanimação”, até que esteja disponível uma equipa com capacidade de prestação de “Suporte Avançado de Vida”. Estas viaturas apresentam uma tripulação “composta por um enfermeiro e um técnico de emergência pré-hospitalar” e são equipadas “com a carga de uma ambulância de Suporte Básico de Vida, acrescida de um monitor-desfibrilhador e diversos fármacos”, além de permitirem “a transmissão de electrocardiograma e sinais vitais” em tempo real.