Estudos recorreram a mergulho científico e trabalho com entidades locais para avaliar todo o Sado
Estudos cientícos revelaram a elevada importância ecológica do Estuário do Sado para a conservação de cavalos-marinhos e outras espécies associadas, reforçando a urgência de proteger este ecossistema costeiro.
Os estudos, desenvolvidos pelos projetos Cavalos de Tróia e CavalSado, recorreram ao mergulho cientíco e a um trabalho de proximidade com entidades locais para avaliar a distribuição, abundância e diversidade de cavalos-marinhos em todo o estuário.
As equipas concentraram esforços em zonas consideradas ecologicamente sensíveis, como pradarias de ervas-marinhas, campos de ostras e estruturas portuárias.
Foram observados cavalos-marinhos em 15 das 19 zonas prospetadas, num total de 56 indivíduos pertencentes a cinco espécies diferentes. Com base nos resultados obtidos, os investigadores identicaram Soltroia, a Marina de Tróia e a Marina Marbella como três zonas prioritárias para conservação, classicadas como verdadeiros “hotspots” devido à abundância e diversidade de espécies registadas.
Um dos achados mais surpreendentes da investigação foi a identicação inédita de um jardim de gorgónias (corais de água fria) a baixa profundidade e em substrato móvel, uma ocorrência que, tanto quanto é conhecido, não estava reportada em ambientes estuarinos.
Os projetos permitiram ainda identificar ameaças relevantes, nomeadamente a degradação de habitat, o lixo marinho e o ruído subaquático, fatores que afetam particularmente estas espécies.
Segundo os investigadores, os cavalos-marinhos são considerados espécies-bandeira para a conservação, dada a sua elevada vulnerabilidade, baixa capacidade de dispersão e forte dependência de habitats específicos, igualmente frágeis. Funcionam, por isso, como importantes indicadores da qualidade ambiental dos sistemas costeiros e estuarinos. Os responsáveis sublinham ainda que a conservação dos cavalos-marinhos e dos seus habitats contribui diretamente para a proteção da biodiversidade associada e para a sustentabilidade dos ecossistemas marinhos.
A investigação resulta de uma colaboração entre diversas entidades públicas e privadas, incluindo a MARDIVE – Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha, o MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa, a ARNET – Rede de Investigação Aquática, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a TRÓIA-NATURA, o Liga para a Proteção da Natureza — responsável pela implementação em Portugal do Programa Mares Circulares da Coca-Cola — e a Câmara Municipal de Setúbal.