Cáritas. O Amor que transforma

Cáritas. O Amor que transforma

Cáritas. O Amor que transforma

3 Março 2026, Terça-feira
Presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal

A Cáritas assinala entre os dias 01 e 08 de março, a sua Semana Nacional. Com o tema “Cáritas, O Amor que Transforma”, o objetivo desta semana é dar “rosto” a todos aqueles que diariamente procuram a Cáritas na expectativa de um sinal de esperança. A Semana Nacional Cáritas é uma semana durante a qual se procura evidenciar a ação da instituição no apoio direto a todas as pessoas que precisam de ajuda. Os dias que estamos a viver são marcados pela catástrofe das tempestades que atingiram o território do continente português. Portugal não tem memória de nada semelhante.


No passado dia 28 de janeiro a Região de Leiria foi particularmente afetada pela tempestade Kristin. Os danos e a destruição eram de uma dimensão de que em Portugal não há memória de nada semelhante. Árvores e postes derrubados, telhados arrancados, automóveis e infraestruturas como escolas, hospitais, estradas e gravemente danificados.

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Sem possibilidade de comunicação consegui finalmente falar com a Presidente da Cáritas Diocesana de Leiria na sexta feira à tarde dia 30 de janeiro que me informou terem grande necessidade de mangas, lonas e cordas para cobrir os telhados. Imediatamente a Cáritas Diocesana de Setúbal reagiu, e no dia seguinte adquirimos este material e um colaborador e eu próprio dirigimo-nos para Leiria, onde a Cáritas local estava a receber materiais e bens.


Quando cheguei a Leiria constatei que o cenário era de uma autêntica guerra. Não havia nada, nem sequer água. A minha homóloga Presidente da Cáritas de Leiria foi mostrar-me toda região envolvente e o cenário era desolador.


“Existem ainda crianças que não conseguem dormir com o impacto que foi a noite da tempestade. Estão afetadas psicologicamente” comentava ela.

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Dada a dimensão da Cáritas de Setúbal, com cerca de 150 funcionários “versus “os 5 funcionários da Cáritas de Leiria, imediatamente organizamos os nossos recursos humanos e avançámos para Leiria com uma equipa de 9 elementos, 3 psicólogos e 5 assistentes sociais e eu. Fomos distribuídos por várias equipas para prestar assistência, porta a porta. À minha equipa coube Vila Praia de Vieira de Leiria e Praia de Pedrogão. A desorganização era total. Por incrível que pareça passado uma semana eramos as primeiras pessoas que a população via a prestarem auxílio.


Ao mesmo tempo aconteciam cheias de enorme impacto em Alcácer do Sal. Assim no dia 6 de Fevereiro fomos para Alcácer do Sal entregar bens na Paroquia e avaliar a situação. A partir desse momento ficámos a apoiar duas frentes Leiria e Alcácer do Sal.


Fomos mantendo contacto com o Município e a certa altura recebemos informação de que os armazéns estavam cheios e já não era possível continuar a recolha de bens doados. É importante ainda referir que por vezes os artigos recebidos não se encontravam em boas condições de utilização.
Para concluir devo dizer que face ao nível de destruição no Pais e à dificuldade que tivemos em reagir, considero que devem ser retiradas o que eu designo de “lições aprendidas” face aos acontecimentos e com elas serem planeadas e tipificadas as repostas adequadas de forma a estarmos preparados outros acontecimentos deste género.

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