Moradora na Azinhaga dos Formozinhos diz que ordem de demolição de casa “é de uma violência extrema”

Moradora na Azinhaga dos Formozinhos diz que ordem de demolição de casa “é de uma violência extrema”

Moradora na Azinhaga dos Formozinhos diz que ordem de demolição de casa “é de uma violência extrema”

No prazo de 30 dias, os proprietários devem demolir as casas localizadas entre a Rua do Alto do Machado e a Rua 1.º de Maio

Mais de 30 casas na Azinhaga dos Formozinhos, em Porto Brandão, Almada, receberam esta quinta feira ordem de demolição por falta de segurança na sequência das derrocadas que levaram à evacuação de todas as casas. Sara Palácios, moradora numa das casas afetadas diz que a forma como a ordem surgiu, por um edital nas casas que aponta para a sua ilegalidade, “é de uma violência extrema para quem teve que abandonar as casas sem nada nas mãos e que tem agora o futuro incerto. Os proprietários pagavam IMI, tínhamos água e luz e agora a autarquia diz que as casas são ilegais”, lamenta.

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A moradora de 39 anos que vivia numa casa arrendada na Rua do Lagar com dois filhos menores refere estar a viver uma catástrofe para a qual nenhum ser humano está preparado. “Há dez anos que vivia ali, passei por várias tempestades, mas nunca presumi que isto acontecesse. Na noite anterior à evacuação, os meus filhos estavam com receio de inundações e eu disse-lhes que se a água chegasse às nossas casas, Almada estava debaixo de água. Nunca imaginei que o verdadeiro perigo estivesse debaixo dos nossos pés devido à saturação dos solos e consequente derrocadas”, conta Sara Palácios.

A ordem de demolição surgiu através de um edital da câmara de Almada afixado no bairro e que determina que no prazo de 30 dias, os proprietários devem demolir as casas localizadas entre a Rua do Alto do Machado e a Rua 1.º de Maio, por se encontrarem “em Reserva Ecológica Nacional, ilegais e não passíveis de legalização”. Sara Palácio afirma ser “angustiante” o que está a acontecer. “Tivemos que sair sem nada nas mãos no dia 11, lá consegui voltar para recuperar a minha carteira, e agora somos confrontados com esta ordem de demolição sem termos qualquer alternativa”, lamenta.

A informação oficial da autarquia, a partir de um edital, surgiu como surpresa para a moradora, mas já havia indícios de que ia acontecer. “Tivemos uma reunião no dia 16 e fomos informados de que não iríamos voltar para casa. Há um risco é muito grande de desabamento, visto que pode existir um efeito dominó, se a rua de baixo desabar, as casas em cima vêm atrás, mas esta ordem sem qualquer alternativa é de uma violência atroz para todos. Eu tenho dois filhos menores, não sei qual é o meu futuro”.

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A ordem de demolição surge após a avaliação de risco feita pelo Serviço Municipal de Proteção Civil de Almada que apurou pela “a existência de fendas de tração no solo, solos muito saturados, bem como deslizamento de taludes e assentamentos distribuídos por uma vasta área de terreno”. Foram ainda identificadas fissuras em casas, cicatrizes e deformações.

Sara Palácio é uma das moradoras que foi alojada no INATEL na manhã do dia 11. “As condições são excelentes e não nos queixamos, mas há pessoas acamadas, idosos, pessoas vulneráveis que não têm para onde ir depois deste fim de semana, que é quando termina o prazo do alojamento temporário”. De acordo com a própria, a autarquia está a proceder ao levantamento das famílias afetadas para as incluir nos programas municipais de habitação. “Sabemos que não há resposta por aí, que há famílias à espera há décadas”.

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