O presidente Frederico Rosa acusa o governo de “incapacidade para resolver problemas de fundo”
A urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, vai encerrar, no âmbito da entrada em funcionamento, no próximo mês de março, da nova urgência regional para a Península de Setúbal.
A informação foi confirmada pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, na audição parlamentar da Comissão de Saúde, ocorrida na manhã de ontem.
“A urgência do Barreiro vai fechar porque não tem condições para se manter aberta”, afirmou Ana Paula Martins. Na comissão, a governante referiu que os profissionais de saúde do Hospital do Barreiro foram sujeitos a um “esforço desumano” quando as três urgências de obstetrícia da Península de Setúbal funcionaram em modelo de rotatividade, devido à falta de médicos para assegurar o funcionamento de todos os serviços.
Ana Paula Martins salientou ainda que o encerramento da urgência do Barreiro não significa que o serviço de obstetrícia e ginecologia vá deixar de funcionar. “Vão continuar a nascer bebés no Barreiro, obviamente. Nem todos os partos são em urgência”, disse.
No entanto, a perspetiva de Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, é diferente. Em declarações à rádio Observador disse considerar que esta medida pode significar o fecho do serviço neste hospital. Sublinhou ainda a sua incompreensão face a esta medida num território que tem cada vez mais população e que continua a atrair vários investimentos. “É neste território que estão concentrados os grandes investimentos nacionais, como a Terceira Travessia do Tejo ou o novo aeroporto de Lisboa, em Alcochete. Ou seja, são territórios que ainda vão crescer mais e aquilo que nos apresentam é sempre fechar serviços públicos. Serviços esse que não afetam só estes quatro concelhos (Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo), mas sim todo o distrito de Setúbal, inclusive o Litoral Alentejano, os quais passam a ter apenas o Hospital Garcia de Orta ou o Hospital de São Bernardo como meio de resposta”, explicou.
O autarca do Barreiro acusou ainda o governo de “incapacidade de resolver problemas de fundo”. “Eu percebo que, por vezes, há medidas de curto prazo que têm de ser implementadas para dar previsibilidade ao sistema. O problema é que o tempo passa e nós só vivemos dessas medidas de curto prazo”, concluiu.
A urgência regional de obstetrícia e ginecologia da Península de Setúbal vai funcionar no Hospital Garcia de Orta, em Almada, com a ministra a prever que esta possa entrar em funcionamento no próximo mês de março. Vai também ser criada uma segunda urgência desse tipo envolvendo as unidades locais de saúde de Vila Franca de Xira e Beatriz Ângelo.