Os oitenta anos da 2.ª Guerra Mundial (parte XIII): Charles de Gaulle

Os oitenta anos da 2.ª Guerra Mundial (parte XIII): Charles de Gaulle

Os oitenta anos da 2.ª Guerra Mundial (parte XIII): Charles de Gaulle

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23 Fevereiro 2026, Segunda-feira
Professor

“Muito mais que o seu número, são os tanques, os aviões e a táctica dos alemães que nos fazem recuar e que surpreenderam os nossos chefes ao ponto de os levarem onde estão hoje.


Mas estará dita a última palavra? Deverá a esperança desaparecer? Será a derrota definitiva? Não!”

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                                                 Charles de Gaulle, BBC, Londres, Junho de 1940

Charles de Gaulle foi um general de carreira e uma personalidade de referência na história da França e da Europa no século XX.

Era um homem imponente. Tinha quase dois metros de altura (1.98 m). Sobressaia pela sua farda militar imaculadamente arranjada, porte altivo, vaidoso, irreverente, controverso, corajoso, sempre da opinião que la France est toujours la meilleur du monde.

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Nascido em Lille em 1890, de Gaulle seguiu a carreira militar, destacando-se na Primeira Guerra Mundial.

Com o avento da 2ª Guerra Mundial, adveio o colaboracionismo francês relativamente à Alemanha nazi, materializado no governo de Vichy, através da acção directa do marechal Philippe Pétain e de Pierre Laval.

De Gaulle desde a primeira hora se opôs à capitulação da França, tendo, a partir de Londres, liderado a Resistência Francesa e formado as Forças Francesas Livres, durante todo o conflito bélico.

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Em Londres, a 18 de Junho de 1940, o general de Gaulle, acompanhado pelo seu ajudante de campo, entrou no prédio da BBC, localizado em Oxford Circus.

 Havia guardas armados por toda a parte; nessa ocasião, os britânicos temiam uma invasão alemã, através de um ataque de pára-quedistas.

De Gaulle dirigiu-se aos franceses através da rádio. Tinha muito para dizer.

No dia anterior, o marechal Pétain, também através da rádio, tinha declarado que tinha aceitado a capitulação francesa perante os alemães.

Pétain estendeu a mão ao inimigo: “Com o coração nas mãos, digo-vos que devemos parar de lutar. Esta noite, voltei-me para nossos adversários para perguntar-lhes se eles estão prontos para procurar connosco, entre soldados e com honra, os meios para pôr fim às hostilidades.”

Quer de Gaulle, quer Churchill reagem, de imediato, tendo o primeiro-ministro britânico concedido ao francês o privilégio de se dirigir aos franceses, a partir dos microfones da BBC.

De Gaulle começa a falar sem olhar para os seus papéis. As suas palavras serão determinantes para o início da resistência à ocupação nazi e ele tem perfeita consciência disso. “Aconteça o que acontecer, a chama da resistência francesa não deve e não será extinta.”

Recordemos que sob o regime do governo colaboracionista de Vichy, o alinhamento com as forças de ocupação alemãs foi um elemento central da sua actuação, no qual Pétain e principalmente Laval participaram de forma activa, nomeadamente na deportação de judeus.

O colaboracionismo de Pétain, um herói da Primeira Guerra Mundial, é ainda historicamente considerado um mistério, decorrente da sua liderança militar excepcional nesse conflito, particularmente durante a Batalha de Verdum, tendo sido reconhecido como um herói nacional da França.

Após a guerra, Philippe Pétain foi julgado e condenado à morte por traição. Todavia, tendo em conta seu passado, a sua sentença foi comutada para prisão perpétua, cumprindo sua pena na prisão em Île d’Yeu, uma ilha ao largo da costa do Atlântico e morrido em 1951

Quanto a Pierre Laval, foi preso pelo governo francês, tendo sido considerado pelo tribunal, culpado de conspirar contra a segurança do estado, de colaborar com o inimigo e de estar directamente envolvido na deportação de judeus; Laval foi fuzilado em Outubro de 1945.

Quanto a Charles de Gaulle, após a guerra, chefiou o governo provisório, mas renunciou devido a divergências sobre a Constituição da Quarta República.

Em 1958, de Gaulle foi eleito Presidente da República, tendo iniciado a criação da Quinta República, caracterizada por um forte poder executivo, tentando estabelecer a França como uma potência independente, desenvolvendo o arsenal nuclear e implementando uma política externa autónoma.

Entre suas acções políticas mais significativas, conta-se a concessão da independência à Argélia em 1962 e a promoção da cooperação franco-alemã.

Charles de Gaulle faleceu em 1970.

É considerado um dos políticos franceses mais influentes do século XX.

Um dos aeroportos de Paris, ostenta, muito justamente, o seu nome.

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