Socialista Carlos Albino, presidente da Câmara da Moita, critica atuação da distrital do próprio partido no processo
O comunista Álvaro Balseiro Amaro, ex-presidente da Câmara Municipal de Palmela, foi eleito primeiro-secretário da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal. A eleição do Secretariado Executivo Intermunicipal, composto pelos cargos de primeiro-secretário e secretário, decorreu na última quinta-feira na reunião mensal do Conselho Intermunicipal, que teve lugar em Almada.
Juntamente com Álvaro Amaro foi eleito António Caracol (PS), ex-administrador dos portos de Setúbal e Lisboa, para as funções de secretário do referido órgão executivo da CIM.
Os nomes foram propostos em lista única, que foi aprovada com os votos favoráveis de seis dos nove presidentes de câmara que integram o Conselho Intermunicipal, presidido pelo socialista Frederico Rosa, autarca do Barreiro.
Os autarcas tiveram de votar também em função do número de eleitores dos respetivos concelhos. Nesse âmbito a proposta foi aprovada, com os votos dos nove autarcas a traduzirem 75,78% do total da representatividade dos eleitores da Península de Setúbal.
A lista única foi acertada previamente entre as estruturas distritais de PS e PCP, forças políticas que na Península de Setúbal detêm o poder em sete dos nove municípios – o PS governa as câmaras municipais de Alcochete, Almada, Barreiro e Moita; e a CDU as de Palmela, Seixal e Sesimbra. As restantes duas câmaras municipais (Setúbal e Montijo) são geridas por eleitos de movimentos independentes.
Inicialmente, o PS propunha António Caracol para primeiro-secretário – com o lugar de secretário a ficar de ser indicado pelo PCP –, mas essa proposta, que estava prevista ser votada na reunião anterior do Conselho Intermunicipal realizada em Alcochete, nem chegou a ser apresentada por não encontrar respaldo maioritário. O SETUBALENSE sabe que, pelo menos, os autarcas de Moita e Setúbal, além dos três da CDU, não acompanhavam essa pretensão socialista para lista única, o que inviabilizava a sua aprovação. Em sentido inverso, o nome de Álvaro Amaro proposto pelo PCP para primeiro-secretário na lista – com a possibilidade de o PS indicar um nome para secretário – geraria consenso, conforme a votação da última quinta-feira veio a demonstrar.
Carlos Albino arrasa distrital do PS
Em entrevista à Rádio Popular FM e a O SETUBALENSE, na passada sexta-feira, Carlos Albino, presidente da Câmara Municipal da Moita, não escondeu críticas à forma como o processo foi conduzido no seio do seu próprio partido.
“A CIM foi criada para ser um espaço de encontro dos municípios, do poder autárquico local, para os municípios poderem debater entre si o que melhor serve os seus territórios e, a meu ver, não pode ser um espaço de intrusão político-partidária de outras esferas a nível distrital. Lamento muito que não tenha havido a oportunidade de diálogo entre todos os presidentes de câmara. Quem sabe se com um diálogo interno profícuo, e um diálogo mais alargado, não viesse um nome da esfera ou proposto pelos autarcas socialistas a ter maior acolhimento e a ficar com o primeiro lugar”, disse o autarca da Moita, que aponta o dedo a André Pinotes Batista.
“Como o debate ficou fechado ou manietado, desde o primeiro momento, com esta indicação da parte do presidente da federação [distrital do PS], que neste caso não vota na CIM, tudo isto nasceu torto”, atirou.
Além disso, até mesmo a eleição do Secretariado Executivo Intermunicipal, com os dois cargos ocupados por Álvaro Amaro e António Caracol, levanta, segundo o edil da Moita, uma outra questão. “Não sabemos se tem de cumprir ou não a lei da paridade. Os nomes foram aprovados em lista única, não foram aprovados de forma individual.”
Carlos Albino considerou ainda que o nome de António Caracol só foi indicado pela estrutura distrital socialista para a CIM, porque não foi possível ao partido mantê-lo na administração dos portos de Setúbal e Lisboa. “Não me revejo nesse tipo de práticas e sempre disse que não me revia”, disparou, a concluir.