Capacidade de escoamento de águas pluviais é insuficiente, queixam-se os residentes do Bairro Padre Cruz de São Gabriel, que apontam erro a uma intervenção da autarquia
As inundações provocadas por sucessivas tempestades estão na ordem do dia em vários locais do nosso país. Mas, na freguesia de Canha há quem se debata com o mesmo problema há anos. São os moradores do Bairro Padre Cruz de São Gabriel, que esperam e desesperam por uma intervenção da Câmara Municipal do Montijo, capaz de resolver de vez as inundações que atingem aquela zona.
“Desde, pelo menos, 2023 têm ocorrido cheias e alagamentos recorrentes nesta zona, com especial gravidade nos anos de 2024, 2025 e já em 2026, sempre que se registam períodos de chuva mais intensa. Em várias dessas ocorrências foi necessária a intervenção da Proteção Civil e dos Bombeiros de Canha, tendo existido prejuízos materiais relevantes e, pelo menos, numa situação, a inundação de uma habitação”, queixa-se Gonçalo Domingos, um dos residentes no bairro.
O problema, diz, está “claramente identificado”. Tem a ver com a insuficiência da “manilha para o escoamento das águas pluviais” ali existente.
“Essa conclusão foi confirmada presencialmente por engenheiros da Câmara Municipal do Montijo, que indicaram como solução a substituição da manilha atual por duas de 60 cm ou, em alternativa, por uma de 1,20 m. Existe inclusivamente um processo camarário associado (Processo n.º P801778)”, revela.
Porém, segundo o morador, “apesar de múltiplos alertas, comunicações formais e da intervenção ativa da Junta de Freguesia de Canha ao longo de vários anos, a solução técnica identificada nunca foi executada”. A Câmara acabou por realizar “intervenções noutro local, mais acima na rua”, o que, considera o morador, constituiu um “erro”, que não foi “admitido”. As inundações na zona continuam a acontecer e os residentes continuam a viver numa “situação de risco”. “Nada fizeram para resolver o problema de fundo”, lamenta Gonçalo Domingos, sem deixar de frisar que os moradores já submeteram uma queixa ao Provedor de Justiça.
A O SETUBALENSE, a Câmara Municipal diz que foi executada uma intervenção “numa das passagens hidráulicas existentes no local em abril de 2025”, depois de identificada essa necessidade no início do mesmo ano, através da “substituição das manilhas por outras de maior secção”.
“Em nova deslocação técnica ao local, realizada após um período prolongado de precipitação, verificou-se o normal escoamento das águas, não tendo sido observados alagamentos no momento da visita”, faz notar a autarquia, que apresenta outra explicação para o problema. “Foi igualmente identificado que intervenções urbanísticas particulares eliminaram um dos pontos de drenagem existentes, concentrando atualmente todo o caudal numa única passagem hidráulica, o que pode potenciar situações de alagamento em períodos de chuva intensa.”
A terminar, a autarquia diz ainda que “continuará a acompanhar a situação e a avaliar soluções tecnicamente adequadas, tendo em conta as condicionantes existentes”.