Não há água benta que corrija o falhanço

Não há água benta que corrija o falhanço

Não há água benta que corrija o falhanço

13 Fevereiro 2026, Sexta-feira
Deputado do PS

A frágil resposta do governo ao comboio de tempestades não é um problema de comunicação. Nunca foi. Trata-se de um défice de competência e ausência de bom senso.


Observando a resposta inicial do governo da AD, fica a sensação que os ministros de Montenegro vivem fechados em gabinetes, em salas de madeira e veludo, onde discutem cenários abstratos e powerpoints coloridos, perdendo a completa noção do mais mundano dos problemas dos portugueses . Aparentemente o governo esqueceu, ou nunca soube, que em momentos de crise, governa-se, não se ensaia. Lidera-se e comanda-se, não se justifica.

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O desfile de disparates, e em alguns casos provocações aos cidadãos, em resposta ao desfile de tempestades, não foi um acaso nem um incidente isolado. É um padrão.A Kristin, o Leonardo e a Marta não foram apenas fenómenos meteorológicos sucessivos. Foram provas sucessivas de insuficiência política. A cada tempestade surgiram declarações e comportamentos absolutamente deploráveis. Não foi um acaso. Não foi um azar climático. É fraqueza e a fragilidade de um governo que está completamente aos papéis . Seja o vídeo do Leitão Amaro, sejam as declarações do Castro Guerra, em relação à utilização dos salários dos cidadãos afetados pelas tempestades, são ousadias que exigiam a sua imediata saída.


Sejamos claros, o Governo não governa mal porque comunica mal. Governa mal porque não sabe governar e ainda fica mais claro em situações de pressão real. E quando a incompetência se revela, soma-se-lhe outro vício: a arrogância. Um pedantismo desmedido que deixa no ar a sensação inquietante de que consideram os cidadãos incapazes de discernir o óbvio.

As forças armadas não são cenário de exibição simbólica. Não são adereço institucional para compensar fragilidades políticas. A sua mobilização, necessária e respeitável, deve ser instrumento de eficácia, não palco de afirmação pessoal. O país precisa de coordenação serena, não de pavoneios como ousou fazer o ministro da defesa. Outro sem qualquer noção do cargo que ocupa!

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De resto, é particularmente grave que, no epicentro da resposta, o Ministério da Administração Interna, invoque a invisibilidade como justificação para a ausência. Em democracia, a autoridade é visível, responde, assume, coordena. Não se eclipsa. A sua saída é um corolário óbvio, mas tardio.

O Primeiro-Ministro pode surgir uma semana depois com balanços elogiosos ou relatórios autocelebratórios. Pode concentrar pelouros, centralizar dossiês, controlar a narrativa. Mas liderança não é acumulação de pastas; é presença constante, comando inequívoco, capacidade de tranquilizar o país no exato momento em que ele treme. A concentração excessiva de responsabilidades não revela força, revela carência de equipa e revela fragilidade estrutural.

Por isso, o problema não é a linguagem do Governo. É a sua substância. E quando a substância é mole e escorregadia, nenhuma água benta comunicacional a torna sólida.

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