Apesar de o Vitória FC ter entrado com o pé direito na segunda volta do Campeonato da I Divisão da AF Setúbal – triunfo por 3-2 na casa do Vasco da Gama AC –, a deslocação de domingo a Sines deixou marcas na equipa de Paulo Martins, treinador que lançou duras críticas no final do encontro à postura da equipa adversária. “O Vitória não merece estas faltas de respeito. Apenas exigimos que joguem à bola contra o Vitória, seja num processo mais defensivo ou ofensivo, cada um tem as suas ideias. Agora, quando não conseguem ir pela qualidade e tentam equilibrar na agressividade, é muito complicado”.
O timoneiro dos sadinos, que foi expulso ainda no decorrer da primeira parte pelo árbitro Tomás Dias, constatou que foram vários os momentos em que sentiu que a sua equipa foi lesada. “Logo aos dois minutos, tem de haver expulsão de um adversário e o segundo golo do Vasco da Gama é antecedido de falta. Basta ver a cara do João Delgado para o perceber. Levou uma cotovelada e era falta”.
O médio vitoriano, de 25 anos, também deu a sua versão do que sucedeu em campo, não hesitando em denunciar a violência. “O que se passou aqui foi lamentável, porque não houve quase jogo, foi só pancada, pancada, pancada! Acho que o árbitro permitiu isso, mas a nossa equipa soube sempre responder, estivemos muito bem”, disse o médio que fez a assistência para o golo da vitória apontado por Leo Chão, aos 55 minutos.
Com o resultado em 3-2, já na reta final do jogo, Paulo Martins lamentou a permissividade da equipa de arbitragem do Núcleo de Almada/Seixal. “Depois, na parte final, foi o que se viu. Provocações constantes aos nossos jogadores desde o primeiro minuto. O Diogo Isnard foi achincalhado no corredor direito e tudo perante a passividade da equipa que manda. Não podem acontecer estas situações”, alertou o técnico dos setubalenses.
Cinco jogadores expulsos
Num jogo em que houve cinco expulsões (sineenses Sandro Gomes e Edmilson Gomes e os sadinos Odilon, Rodrigo Gomes e Tiago Nunes, estes dois últimos como suplentes) – todas para lá do minuto 90 – e em que o próprio treinador também viu o cartão vermelho depois do 2-1 dos alentejanos à meia hora de jogo, equipa de arbitragem voltou a ser criticada. “Na sequência desse lance disse ao assistente que o jogador (João Delgado) tinha sido agredido. Não faltei ao respeito a ninguém, mas o árbitro veio ter comigo de forma arrogante e expulsou-me. Não sei o que é que se passou aqui! Alguém tentou equilibrar o jogo”.
E continuou: “Quando não há qualidade para jogar aquilo que o Vitória joga, aparece alguém que tenta equilibrar o jogo. Com isto não estou a desculpar-me pelos golos que sofremos, mas sentimo-nos prejudicados”. Por outro lado, o transpor dos obstáculos que vão surgindo deixam o treinado muito orgulhoso. “Estou muito orgulhoso dos meus jogadores. São extraordinários e têm um coração que merece que estes adeptos os acompanhem sempre porque eles vão dar sempre tudo pelo Vitória”.
Em relação ao que se conseguiu jogar diante do Vasco da Gama, Paulo Martins foi perentório. “Fomos superiores com bola e sem bola. Podíamos ter ido a ganhar para o intervalo. Através dos meus adjuntos, dei indicações aos jogadores para acreditarem neles que nós íamos ganhar este jogo e conseguimos passar para a frente do marcador já na segunda parte”, disse. O médio João Delgado também vincou a crença. “Estivemos a perder duas vezes, mas demos sempre a volta, e é de louvar também a nossa entrega, a nossa entreajuda, e a união que há dentro do nosso grupo”.
Intempérie não afastou adeptos
O treinador reconheceu a importância dos vitorianos que viajaram até Sines para estar ao lado da equipa. “Quero agradecer aos nossos adeptos que fizeram questão de se deslocar a Sines num dia de intempérie para nos apoiar a apoiar. Não me canso de agradecer a esta massa associativa que esteve sempre connosco. Foram importantes para alcançarmos mais três pontos na nossa caminhada quando há agora menos um jogo para fazer”.
Do lado dos jogadores, João Delgado também enfatizou a presença dos adeptos que fizeram uma viagem maior do que é habitual no campeonato para estar ao lado do plantel. “Quero agradecer à massa associativa que com este tempo deslocou-se até Sines, que é uma viagem ainda longa, para nos apoiar do primeiro ao último minuto. É de louvar”.
Concluída a 16.ª jornada – a primeira da segunda volta do campeonato –, Paulo Martins aludiu ao facto de a equipa sentir que se vai aproximando cada vez mais do objetivo traçado. Os três pontos somados e a derrota, por 2-0, do Olímpico do Montijo (2.º classificado), em Santiago do Cacém, com o União SC deixaram os sadinos na liderança com oito pontos de vantagem para o perseguidor. “Como costumo dizer, já vamos naquilo que é a aproximação ao aeroporto”.