Chega e PS abstiveram-se na votação dos documentos previsionais para este ano, que passaram com os votos a favor do MVC e do PSD
Pouco de mais de 83,3 milhões de euros é o valor do Orçamento Municipal do Montijo para 2026, que o executivo camarário, presidido por Fernando Caria, aprovou na última quarta-feira, sem votos contra.
Os documentos previsionais, que englobam também o plano plurianual e as grandes opções 2026-2030, passaram com votos favoráveis dos eleitos do movimento independente Montijo com Visão e Coração (três) e do PSD (um), e as abstenções dos autarcas de Chega (dois) e PS (um).
Durante a apresentação, Fernando Caria (MVC) sublinhou que este é “um orçamento realista, construído com base nas condições financeiras atualmente disponíveis, que privilegia a estabilidade das contas municipais e a gestão criteriosa dos recursos públicos”.
O presidente da autarquia elencou depois vários dos investimentos previstos: “A conclusão da Loja do Cidadão, o início da requalificação da Biblioteca Municipal, a manutenção e reparação de edifícios municipais, o reforço da transformação digital dos serviços, o aumento da frota e dos meios operacionais [na área] da higiene urbana e a implementação de uma agenda municipal para o bem-estar animal”.
Na área da educação destacou intervenções para as escolas “D. Pedro Varela” e “Poeta Joaquim Serra”, assim como a construção do “Centro Escolar de Pegões”,e a oferta gratuita e universal de “música e desporto no pré-escolar público”.
No âmbito da saúde, está prevista “a requalificação das unidades de saúde existentes e o planeamento de novas unidades integradas no plano municipal”, vincou.
Para a área da habitação social, o autarca destacou “o início da reabilitação dos bairros do Esteval e da Caneira”. E adiantou que está previsto também “a reabilitação de fogos municipais devolutos, a resposta a situações de alojamento urgente e temporário, o desenvolvimento de loteamento para habitação e serviços na antiga fábrica do Izidoro”, a juntar aos processos de planeamento do território, destacando-se “a revisão do Plano Diretor Municipal”.
“O início da concretização do Parque Urbano da Frente Ribeirinha e Corredor Verde, a requalificação e aquisição de equipamentos desportivos, a execução da segunda fase da iluminação pública na ciclovia da EN252, a repavimentação da EM 533 em Canha, a requalificação da Estrada do Seixalinho”, além da melhoria de arruamentos, estradas e caminhos “em todas as freguesias do concelho”, foram outros dos investimentos anunciados.
Segundo Fernando Caria, o Orçamento Municipal para este ano reflete “uma mudança de estratégia, privilegiando a capacidade de execução, a coerência e resultados concretos no território”.
Oposição deixa recados
A bancada do Chega optou pela abstenção para não votar contra e, em declaração de voto apresentada pelo vereador Carlos de Almeida (que teve a seu lado a vereadora Carla Ferreira, em substituição de Nuno Valente), não deixou de criticar as opções da gestão do MVC apoiada pelo vereador do PSD. “Se for apresentado um orçamento diferente, responsável e verdadeiramente alternativo, cá estaremos para o apoiar”, afirmou o vereador do Chega.
Já Carlos Anjos, que substituiu Ricardo Bernardes na bancada socialista, lembrou durante a discussão da proposta que o orçamento a aprovar ainda virá a sofrer as habituais modificações. E frisou: “Acho que este executivo vai ter capacidade de fazer obra, porque esta é uma das dez câmaras menos endividadas. [No mandato passado a Câmara] pode não ter feito obra, mas também não contraiu dívida, o que permite uma janela de oportunidade”, afirmou, numa alusão à gestão socialista no mandato anterior.
O executivo municipal é composto por três eleitos do MVC, dois vereadores do Chega, um do PS e um do PSD, este último com pelouros.
Aprovado SMAS com orçamento superior a 8 M€
Também aprovado na mesma reunião de quarta-feira, mas com sentido de voto diferente, foi o orçamento dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) para este ano, que ascende a 8 milhões e 175 mil euros.
A proposta foi aprovada com três votos a favor do movimento independente Montijo com Visão e Coração (MVC) e um do PSD e uma abstenção do PS. Os dois vereadores do Chega votaram contra.
A receita deverá aumentar, conforme admitiu Fernando Caria, já que está previsto uma atualização das tarifas de água e saneamento, de acordo com o que é recomendado pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e determinado pela lei.
Já do lado da despesa, o presidente da Câmara alertou para a rubrica de trabalhos especializados onde foram considerados “sete meses de faturas da Simarsul”, cada uma no valor de 290 mil euros. “Um valor extremamente alto que estamos a tentar renegociar”, afirmou o líder do executivo.
O orçamento dos SMAS para este ano representa “um aumento de 444 mil e 284 euros” em relação ao do ano passado.