O Parlamento dos Jovens é uma iniciativa anual da Assembleia da República que envolve milhares de estudantes de norte a sul do país e de diversos graus de ensino. Os deputados dos vários partidos podem, e devem, participar neste projeto, deslocando-se a escolas dos seus distritos eleitorais para debaterem, com os estudantes, as competências e o funcionamento do Parlamento, e desenvolverem, em conjunto, o tema selecionado, em cada ano, para ser trabalhado com as escolas.
Este ano, o tema escolhido foi a Literacia Financeira, matéria relevante e oportuna, dado o baixo nível deste tipo de conhecimento entre os jovens que, de resto, ainda desceu entre 2018 e 2022, segundo as conclusões do Programme for International Student Assessment (PISA) de 2022.
Na verdade, o tema interessa a toda a comunidade e a todos os estratos etários, não só nas suas vertentes básicas, como sejam a elaboração de um orçamento familiar, ou o objetivo de criar uma pequena poupança que possa constituir um fundo de emergência para acorrer a situações imprevistas, mas também face às novas formas de pagamento, às aplicações que permitem fazer as mais diversas operações online, para grande comodidade dos cidadãos, mas que vieram criar um novo campo aberto à prática de fraudes que vitimam qualquer pessoa, e não apenas os iletrados, dado o grau de sofisticação atingido.
Nesta, como noutras matérias, e dada a dificuldade deste tipo de instrução ocorrer no âmbito familiar, quer porque os pais têm pouco tempo para conversarem com os filhos no dia a dia, quer porque eles próprios têm frequentemente escassa formação nesta área, a escola tem um papel fundamental. É verdade que já muito se pede à escola, mas não é menos verdade que a escola tem de ser, além de tudo o mais, o lugar onde se preparam os jovens para a vida, também no que se refere ao uso do dinheiro e às regras básicas para a proteção dos seus interesses e defesa dos seus direitos, designadamente quanto às inúmeras fraudes a que podem estar sujeitos.
Planeamento e gestão de um orçamento, poupança e investimento, crédito e seguros, contas e meios de pagamento, inflação, prevenção da fraude e canais digitais são os tópicos sugeridos para abordagem com os jovens. Diz-me a experiência de uma recente sessão em que participei no meu distrito que, sendo a matéria árida, conversar sobre ela com alguma leveza e integrar na conversa casos práticos, situações do quotidiano com as quais tanta gente já se viu confrontada, ajuda bastante e torna o exercício menos académico e mais real.
“Promover campanhas de educação financeira para os jovens através dos canais digitais e, em particular, das redes sociais, tendo em vista chegar rapidamente e com eficiência de meios a um grupo muito alargado de jovens, que são um público especialmente recetivo a este tipo de comunicação”, e “sensibilizar os jovens, através destas campanhas, para a utilização segura dos canais digitais, as caraterísticas e riscos dos novos produtos e serviços financeiros digitais (como os criptoativos e as moedas digitais)”, foram linhas de ação prioritárias do Plano Nacional de Formação Financeira (2021-2025). Mandam as boas práticas que se faça uma avaliação deste instrumento e se avance com novas estratégias.
Pessoas mais informadas estão mais protegidas. A educação é a mais poderosa arma contra muitos e novos perigos.