Afirma que aprendeu a fazer por si mesmo. “Muito trabalho, teimosia, curiosidade e perfecionismo”
O Carnaval de Sesimbra, que este ano tem o feriado nacional na terça-feira 17 de fevereiro, como manda a tradição local promete voltar a encher de cor e alegria a vila piscosa com desfiles das escolas de samba, grupos de axé e dos estabelecimentos de ensino, animação noturna, cegadas, cavalhadas e muito mais.
E, mais uma vez, vão ser contempladas as esculturas feitas em placas de esferovite, coladas, talhadas por João Marquês que compõem o carro alegórico da Escola Corvo de Prata que vai desfilar na Quinta do Conde e na avenida marginal de Sesimbra. Apenas com uma faca, feita de folha de serrote, uma escova de arame e x-ato, este artista de 55 anos, da localidade de Alfarim, em Sesimbra, dedica grande parte do seu trabalho ao desfile de Carnaval.
“Há 39 anos que participo no Carnaval de Sesimbra”, diz a O SETUBALENSE. E, com os tempos, tem vindo a aperfeiçoar a sua arte. É o caso das penas decorativas que usa nas suas esculturas: “Não são naturais, são feitas em tecido, cana de bambu e pintadas à mão. Muitas pessoas sentem vontade de lhes tocar, porque não acreditam”.
Além do seu trabalho como bate-chapas, diz que, quando consegue ter tempo, também executa algumas esculturas por encomenda. Quando falámos com João Marquês, em dezembro de 2025, estava a esculpir um ovo de dinossauro para um clube de patinagem em Azeitão, mas no essencial o seu tempo é dedicado às figuras de Carnaval. “É o meu hobby”, afirma.

Fundador da Escola Corvo de Prata, em 2011, esta só veio a desfilar dois anos depois porque desde instrumentos feitos com latas de tinta, corsos e outros elementos para o desfile, como aros e estiradores tiveram de passar pelas mãos de João Marquês. “Não tínhamos dinheiro para os comprar, tínhamos de nos desenrascar”.
Sem revelar as figuras que leva a desfilar este ano, promete que vão captar atenções. Conta sobre o Rei dos Mares, uma escultura com três metros e dez de altura por três metros e sessenta de largura e cavalos-marinhos com dois metros e oitenta, e outro ainda maior. “Isto é mesmo para coisas enorme, e ainda nos falta fazer o carro da comissão de frente”, garante que vai ser fantástico, mas não revela como será.
Afirma ser um autodidata que aprendeu a fazer por si mesmo. “Muito trabalho, teimosia, curiosidade e perfecionismo”, tudo sem desenho e nada de escala. O local de execução, é a sede da Escola Corvo de Prata e, se prefere trabalhar sozinho, admite que também conta muito com a ajuda da família, mulher filhos e a cunhada.
Para João Marquês, talhar as figuras para o desfile e Carnaval, além de um hobby, “é uma diversão” e afirma que “tudo tem de ser feito com perfeição”, principalmente as figuras que ficam mais perto do público.
E com algum orgulho, conta como fez um trabalho para marchas em Lisboa. “Eu levei como tema o fado, ficaram encantados porque nunca tinham visto uma coisa assim. Alguns levaram guitarras portuguesas tudo feito em arame soldado. Para mim nada é impossível antes de experimentar se consigo fazer ou não”, afirma.
Bruna Pires é a imagem do cartaz do Carnaval

Bruna Pires tem 29 anos e é a imagem do cartaz do Carnaval de Sesimbra 2026. A fantasia com que desfilou no ano passado representava o Labirinto Mágico, que pretendia significar o desafio e a perda da vida real. Na cabeça levava a Taça Tribuxo, que era a chave do portal para o lado de fora do Labirinto.
Em 25 anos de Carnaval, foi a primeira vez que Bruna Pires foi destaque de chão, no enredo ‘Bota a Varinha na Ferida! Hogwarts – Uma Escola do Bem numa Sociedade do Mal’, apresentado pelo Bota, a escola de samba mais antiga de Portugal, que celebra 50 anos em 2026.
“Foi o meu melhor desfile de sempre. Adorei o fato e tudo o que envolveu e de trabalhar com o carnavalesco”, diz a sambista, que este ano não irá participar no desfile por ter sido mãe recentemente. Em ano de descanso, é a cara do Carnaval de Sesimbra 2026.