23 Maio 2024, Quinta-feira

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Militar condenado por mortes nos Comandos diz ser inocente e bode expiatório

Militar condenado por mortes nos Comandos diz ser inocente e bode expiatório

Militar condenado por mortes nos Comandos diz ser inocente e bode expiatório

Ricardo Rodrigues reagiu nas redes sociais e afirma que dia em que foi conhecida a decisão é “dantesco”

 

Ricardo Rodrigues, instrutor do curso de Comandos em Alcochete onde morreram Dylan Silva e Hugo Abreu reagiu nas redes sociais à pena de prisão efectiva aplicada pelo Tribunal da Relação de Lisboa. Diz que o dia em que foi conhecida a decisão é “dantesco” por ser “um dia em que se condenou um inocente cegamente, numa busca por um bode expiatório para apresentar uma condenação pública”.
O Tribunal da Relação de Lisboa condenou no dia seis de Março dois militares do Exército a penas efectivas de prisão pela morte de dois recrutas dos Comandos em 2016. O médico responsável pela equipa sanitária do curso, Miguel Domingues, foi condenado a sete anos e meio de prisão, enquanto Ricardo Rodrigues, instrutor do curso, foi punido com cinco anos e três meses de cadeia. O Tribunal decidiu assim reverter a decisão de primeira instância, em Janeiro de 2022, na qual ficaram em liberdade.
Numa publicação nas redes sociais esta terça feira, Ricardo Rodrigues diz que o dia da decisão foi dantesco para a Justiça, Forças Armadas, para os Comandos e para Portugal.
“Fechou-se os olhos a 312 sessões de tribunal, onde a maior dificuldade esteve em explicar a “não militares” o que é o treino militar, e todas as suas práticas castrenses que caracterizam a instituição militar desde à gerações”, pode-se ler na publicação partilhada amplamente nas redes sociais.
Ricardo Rodrigues faz referência ao cumprimento da instrução por guiões aprovados superiormente e critica a fundamentação dos Juízes Desembargadores. “Ignoram provas testemunhais, relatórios periciais, autópsias e regem-se única e exclusivamente por convicções pessoais ou convicções…”
Num longo texto no qual questiona sobre “que justiça é esta e em que país é que vivo”, o militar diz que esta é “uma luta ingrata para todos aqueles que contra tudo e todos, batalham diariamente em busca de um resultado justo e da verdade, mas que infelizmente tarda em aparecer”.
O militar conclui que o querem “anular, mas quero que saibam que sempre serei maior que qualquer condenação” e refere que “o maior crime será sempre o de condenar um inocente. Todos somos maus numa história mal contada”.
Ricardo Rodrigues foi condenado por ter privado vários formandos de água, incluindo Hugo Abreu, em cuja boca colocou terra, quando este já estava a desfalecer e a pedir assistência. “Um instruendo é gente e gente não se maltrata assim. Pior: a colocação de terra apanhada do chão, o que revela um efectivo desprezo pela sua dignidade pessoal e, pior ainda, quando a vítima já estava a cargo da equipa sanitária, por estar exausto e desidratado, apresentando lesões neurológicas, delirante, a cuspir e babar-se”, afirmam os desembargadores.
O médico responsável pela equipa sanitária do curso, Miguel Domingues, foi condenado porque “resolveu abandonar o campo de tiro”, deixando Dylan Silva e Hugo Abreu “sem apoio médico” e dando apenas ordem para que estes fossem limpos para serem assistidos no hospital. Vinte minutos depois, Hugo Abreu morreu no local.

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