9 Maio 2024, Quinta-feira

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Homicídio de Jéssica: Mãe diz que entregou filha por causa de divida de droga do pai [actualizada]

Homicídio de Jéssica: Mãe diz que entregou filha por causa de divida de droga do pai [actualizada]

Homicídio de Jéssica: Mãe diz que entregou filha por causa de divida de droga do pai [actualizada]

Inês Sanches começou a ser ouvida na manhã desta quarta-feira no Tribunal de Setúbal

 

A mãe de Jéssica Biscaia, a mãe da menina de três anos que morreu o ano passado vítima de maus-tratos, já está a ser ouvida no Tribunal de Setúbal e começou por afirmar que entregou a filha à família dos homicidas, por três vezes, por causa de uma divida de droga do pai da menina.

“O pai da Jéssica [Alexandrino Biscaia] comprova droga, haxixe e cocaína a Eduardo e Junto Montes e elas ameaçavam-me. Diziam que matavam a minha família e matavam os outros filhos.”, disse Inês Sanches, que tem estado a falar sempre entre lágrimas.

Esta declaração da arguida difere da acusação quanto às causas da divida de Inês Sanches à família Montes. O Ministério Público (MP) entende que a divida era relativa a “serviços” de bruxaria prestados por Ana Pinto, conhecida por Tita.

Inês Sanches diz que só entrou na casa da família Montes no Domingo, véspera da morte de Jéssica. “Fui lá levar dinheiro, 40 euros, para comprarem medicamentos na farmácia porque me disseram que a menina tinha caído de uma cadeira”, afirmou. A arguida acrescentou que apenas viu a filha “ao longe”, embrulhada e ao colo de Ana Pinto.

Questionada pelo juiz-presidente, a acusada declarou que Ana Pinto lhe ligou, no domingo, “a pedir 40 euros para irem à farmácia comprar Betadine” e que lhe disseram que “a menina estava a enrolar a língua”.

“Então a senhora entrega a sua filha à família que ameaça matar todos os seus filhos, dizem-lhe que a Jéssica está a enrolar a língua, e a senhora faz o quê a seguir?”, perguntou o juiz. “Vou ter com eles à pressa, para chegar perto da minha filha, ver como ela estava e salva-la”, respondeu.

Sobre a menina estar a enrolar a língua, referiu que foi ela que disse “para lhe porem uma colher na boca, para não enrolar a língua”. “Não sei se era verdade ou mentira porque nunca vi a minha filha a enrolar a língua”, disse. Acrescentou que Justo Montes não a deixou entrar e a pôs na rua.

Nessa altura, Inês Sanches, conta a própria, foi para casa e ficou no sofá a “ver televisão”.

“A senhora, depois de saber que a sua filha estava a enrolar a língua, depois de não a deixarem vê-la e de a menina não responder, volta para casa, passa perto da GNR e da Judiciária e não vai fazer queixa?”, perguntou o juiz-presidente. A arguida respondeu que tinha medo e que “não lhe deu para ir à polícia”.

Sobre a entrega da criança, na manhã de segunda-feira, Inês Sanches diz que Jéssica “veio embrulhada numa manta fina, com blusa de manga comprida e macacão, um chapéu e óculos escuros”. A arguida garante que Ana Pinto e Esmeralda Montes não a deixaram fazer o percurso normal para casa. Que passaria perto da Polícia Judiciária e da GNR. “Obrigaram-me a ir pelo [restaurante] O Quintal, Aranguês e Pingo Doce”, acompanharam-me até à porta de casa”, relatou.

Diz que deitou a criança na cama, “como estava, com a roupa e o chapéu”, só retirou os óculos e viu que “estava toda magoada e tinha os olhos fechados”.

 

 

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