15 Maio 2024, Quarta-feira

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Governo anuncia Aeroporto Luís de Camões, nova ponte sobre o Tejo e TGV

Governo anuncia Aeroporto Luís de Camões, nova ponte sobre o Tejo e TGV

Governo anuncia Aeroporto Luís de Camões, nova ponte sobre o Tejo e TGV

Novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete vai custar 6105 milhões de euros. PS apoia. Região recebe decisão com entusiasmo

O Governo aprovou, esta terça-feira, a construção do novo aeroporto da região de Lisboa em Alcochete, seguindo a recomendação da Comissão Técnica Independente (CTI), anunciou o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

“O Governo decidiu aprovar o desenvolvimento do novo aeroporto de Lisboa com vista à substituição integral do Aeroporto Humberto Delgado no campo de tiro de Alcochete e atribuir-lhe a denominação de Aeroporto Luís de Camões”, anunciou Luís Montenegro, numa declaração ao país, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros.

O Governo decidiu também mandatar a Infraestruturas de Portugal (IP) para concluir os estudos para a construção da Terceira Travessia do Tejo (TTT) e da ligação ferroviária de alta velocidade Lisboa-Madrid, anunciou Luís Montenegro.

O primeiro-ministro afirmou que o interesse nacional reclamava não apenas uma decisão sobre o futuro aeroporto, mas “a melhor decisão”, considerando que o ano de avaliação pela Comissão Técnica Independente (CTI) “foi imprescindível”.

“Disse, nessa ocasião, como é justo dizer que também o fez o anterior primeiro-ministro, que um ano de trabalho da CTI não significava atrasar mais um ano uma decisão que se aguardava há 50 anos”, defendeu.

Para Montenegro, “este ano de avaliação era imprescindível e a forma adequada de desbloquear o processo”.

“Nem era precipitação irresponsável nem era adiamento passivo. Quero hoje, como primeiro-ministro, afirmar que estas decisões, apesar de rápidas, são ponderadas, fundamentadas e estratégicas para o futuro de Portugal”, afirmou.

“O interesse nacional não reclama apenas uma decisão, reclama que se tome a melhor decisão com base na melhor informação”, reforçou.

Logo após o anúncio feito pelo primeiro-ministro, o líder do PS, Pedro Nuno Santos também falou ao país para dizer que o partido apoia a decisão.

Entusiasmo na região

A notícia de que o aeroporto vai ser construído perto de Alcochete gerou reações de agrado tanto nos responsáveis da região, políticos e privados, e também na população de Alcochete.

André Martins, presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), e da Câmara de Setúbal disse que “finalmente” foi tomada a decisão aguardada “há mais de 40 anos”.

Fernando Pinto, autarca de Alcochete disse que esta é “a única localização plausível” e recordou que agora é preciso acautelar algumas coisas como um novo nó de acesso à Ponte Vasco da Gama e a melhoria “significativa” de todas as acessibilidades ao concelho.

A estas necessidades, o autarca de Alcochete acrescenta, além da nova travessia sobre o Tejo, “a ferrovia de alta velocidade assim como o alargamento do Metro Sul do Tejo até Alcochete”, disse Fernando Pinto a O SETUBALENSE.

O presidente da Câmara do Seixal, Paulo Silva, sublinha que se não fosse o veto do Seixal à construção do aeroporto no Montijo “o país teria avançado para uma péssima solução”.

Por parte da indústria, a decisão foi acolhida com surpresa por envolver mais do que a localização do aeroporto.

“A decisão surpreende pela positiva, por juntar ao aeroporto as outras infra-estruturas criticas, muito relevantes, e que em conjunto abrem um cenário de grandes perespectivas de desenvolvimento da península. São grandes desafios de engenharia para as empresas e para o emprego”, disse Nuno Maia, director-geral da Associação da Industria da Península de Setúbal (AISET).

Reportagem em Alcochete: “Eu quero cá o aeroporto”

Alcochetanos, naturais e adoptados, estão de acordo. O aeroporto é bem-vindo, porque traz emprego e prosperidade, mas a identidade da vila deve ser preservada. Têm esperança nesse equilíbrio porque a nova infra-estrutura fica a alguns quilómetros de distância.

Em quase duas dezenas de pessoas não se ouve uma voz contra a decisão. Minutos antes de o primeiro-ministro anunciar que o novo aeroporto internacional de Lisboa vai ser Construído no Campo de Tiro de Alcochete, na principal praça da Vila, o Largo Almirante Gago Coutinho, o tema já dominava as conversas nas mesas dos cafés e entre outros grupos de residentes.

Com visível entusiasmo, a maioria dos entrevistados diz aos repórteres que se começam a juntar na pequena localidade, que são favoráveis à ideia de um aeroporto perto da porta.

“É bom. Eu quero cá o aeroporto. Vem muito trabalho para cá.” Diz Hugo Bernardino, nascido, há 42 anos, no hospital que havia em Alcochete e que entretanto fechou. “Já viu os postos de trabalho que isto cria?”, acrescenta Luís Garret, servente de pedreiro, de 34 anos.

A esperança de mais e melhores oportunidades profissionais para os jovens é partilhada por uma lojista de 34 anos. “A minha preocupação é que as subam ainda mais. Ando à procura de casa e está difícil.”, revela.

O receio de que os preços do imobiliário fiquem ainda mais inacessíveis é a mais referida pelas pessoas com que falámos. A vila tem visto nascerem muitos condomínios e habitação de luxo nos últimos anos, depois da construção da ponte Vasco da Gama e agora, com o aeroporto, a tendência deve acentuar-se.

Esse é o receio de muitos mas também há quem veja essa possibilidade com bons olhos. “Vão ser só directores, vai acabar por nivelar a população por cima”, diz Frede Castro, de 55 anos. Veio residir para Alcochete há uns cinco anos, como o amigo, Hugo Bernardo, de 42, para “fugir de Lisboa”.

Dizem que a qualidade de vida não tem paralelo na grande Lisboa. “Que as novas pessoas venham mas vão só até ao Freeport”, diz Hugo, para Fredo acrescentar: “deixem este pedacinho de céu só para nós”.

Apesar de Alcochete ser uma vila pequena e com muito para preservar em termos de identidade e tradições – ligadas aos touros e ao mar – os alcochetanos não parecem muito assustados com o que aí vêm. Acreditam que é possível conciliar o aeroporto com a pacatez local.

“Penso que não vai mudar a vila, porque é fora daqui, mais perto de Benavente”, afirma Helena Catalão, cabeleireira. A cliente, que entretanto se levanta já de cabelo arranjado, acrescenta que, apesar do anúncio, só acredita quando houver construção: “já prometem há tanto tempo”, atira Conceição Gonçalves.

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