O vereador do Ambiente realça que a bacia de retenção e o sistema hidráulico do Parque da Várzea salvaram a baixa da cidade de Setúbal de danos catastróficos. E diz que o objetivo é replicar este tipo de projeto em Azeitão
Os primeiros resultados da implementação do plano estratégico de saneamento de Setúbal, assumido entre o município e a Simarsul, devem começar a ser visíveis já no final deste ano. A expectativa é revelada por Bruno Russo, vereador que detém o pelouro do Ambiente na Câmara de Setúbal.
Em entrevista a O SETUBALENSE, o autarca sublinha as principais intervenções que, no âmbito do referido plano, prometem preparar a cidade para as décadas futuras. Ao mesmo tempo, debruça-se sobre a problemática da recolha dos resíduos urbanos e vinca a importância da bacia de retenção do Parque da Várzea, que, considera, impediu a baixa da cidade de sofrer danos catastróficos.
Setúbal apresentou um plano de investimento estratégico no saneamento com a Simarsul. Na prática quando começarão a ser visíveis os resultados dos projetos a ele associados e quais os que considera mais importantes?
Os resultados deste plano estratégico começarão a ser plenamente visíveis a partir do final do terceiro trimestre de 2026. Estamos a falar de investimentos estruturantes que corrigem falhas do passado e preparam a cidade para as próximas décadas.
Entre os projetos de maior relevo, destaco a reabilitação da ETAR de Setúbal, que representa um investimento de 17 milhões de euros, sendo uma peça fundamental para a eficiência do nosso sistema. A isto somamos a construção da Central de Compostagem de Lamas, com um investimento de 8,7 milhões de euros. Estes não são apenas números, são garantias de um serviço de saneamento moderno, capaz de responder às exigências ambientais e ao crescimento do nosso território.
A recolha de resíduos é um problema na Península de Setúbal e o aumento de custo bem como a qualidade do serviço promovidos pela Amarsul tem gerado críticas fortes dos municípios. Que balanço faz neste momento ao serviço realizado em Setúbal e que medidas devem ser implementadas para melhorar a resposta no concelho?
Mantemos uma postura muito crítica em relação ao modelo de gestão privada da Amarsul. A realidade demonstra que a privatização não trouxe a eficiência prometida. Pelo contrário, assistimos a deficiências graves na recolha e a um aumento drástico e injustificado do preço por tonelada de resíduos depositados.
Esta situação coloca uma pressão insustentável sobre os custos da fatura ambiental que chega aos cidadãos. Por isso, temos exigido junto do Governo uma alteração estrutural deste cenário. Os Serviços Municipalizados de Setúbal (SMS) têm avaliado todas as medidas corretivas ao nosso alcance, mas é preciso ser honesto com os setubalenses: as soluções definitivas são estruturais e dependem da redução dos custos diretos do tratamento, algo que só uma revisão do modelo da Amarsul permitirá alcançar.
O “comboio de tempestades” deixou marcas também em Setúbal. Os danos só não foram maiores porque funcionou a bacia de retenção do Parque da Várzea. Este é um exemplo de bom planeamento que o município poderá replicar noutras zonas do concelho?
O recente “comboio de tempestades” foi o derradeiro teste à nossa estratégia de resiliência. A bacia de retenção e o sistema hidráulico do Parque da Várzea funcionam exatamente como planeado e, sem qualquer exagero, salvaram a baixa da cidade de danos catastróficos. Este é o exemplo máximo de que o planeamento sério compensa.
O nosso objetivo é replicar esse sucesso. Já temos em projeto uma grande obra de engenharia hidráulica desta natureza para Azeitão. Queremos resolver, de forma definitiva, os problemas causados pelas águas que descem da Serra e o transbordo das linhas de água locais. É um compromisso de segurança para com os habitantes de Azeitão que não queremos adiar.
Quais as prioridades de intervenção do município em matéria de ambiente para este mandato?
A nossa prioridade absoluta é dotar o concelho de infraestruturas resilientes. Se muito foi feito em Setúbal, reconhecemos que há ainda muito por fazer em Azeitão, que terá um foco especial neste mandato. As nossas metas são claras. Saneamento total: atualmente com uma cobertura de 98%, a meta é atingir os 100% de cobertura de saneamento em todo o concelho. Salvaguarda da Arrábida: focaremos na consolidação das encostas da Arrábida e na proteção das nossas praias e litoral, garantindo a segurança de quem nos visita e a preservação do ecossistema. Valorização do Território: aumentar a segurança e a valorização ambiental em todo o território da Arrábida. Resiliência Climática: implementar um conjunto alargado de ações transversais que envolvam o município, as empresas e a população.
Queremos uma comunidade mais consciente e preparada para enfrentar os desafios das alterações climáticas.