5 Dezembro 2022, Segunda-feira
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Utentes dormem à porta do Centro de Saúde de Canha

Marcação de consultas desesperante. Serviço de enfermagem preocupa. Férias de médico obrigaram a fecho do pólo um mês. Emissão de receituário é problema

 

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Para conseguirem marcar uma consulta médica no Centro de Saúde de Canha os utentes têm de ir para porta daquela unidade de véspera e aí pernoitarem até de manhã. Mas essa não é a única razão de queixa de quem reside naquela freguesia do concelho do Montijo. Com a transferência de uma das quatro enfermeiras do Centro de Saúde de Pegões para a Unidade de Saúde Familiar (USF) Aldegalega, recentemente aberta na cidade montijense, o serviço de enfermagem no pólo de Canha deixou de ser uma certeza.

Quem o garante é Henrique Gomes, 46 anos, que foi cabeça-de-lista à Junta de Canha pelo CDS/PSD nas últimas autárquicas. “Ao retirarem uma enfermeira do Centro de Saúde de Pegões [localidade vizinha] para passar para a USF Aldegalega, o serviço de enfermagem em Canha não está garantido. Quando eram quatro enfermeiras em Pegões, conseguiam conciliar-se e assegurar o serviço em Canha. Agora, com apenas três, quando uma tem de fazer serviços a domicílios, Canha fica sem enfermagem”, explica o autarca.

Em Setembro, lembra, o pólo de Canha esteve fechado “pelo facto de o médico ter estado de férias”, apesar de o clínico estar ali colocado pela Santa Casa da Misericórdia local. “As pessoas, idosas, tiveram de se deslocar a Pegões e outras aguardaram que o centro de saúde voltasse a abrir”, conta. O pólo de Canha funciona duas tardes por semana – apesar de no site do ACES surgir erradamente indicado que está aberto todos os dias úteis com excepção das quartas-feiras –, mas o médico “não tem tempo para atender todos” e a emissão de receituário “tem de ser pedida com três meses de antecedência”, sendo que outro problema é a não administração de vacinas no local.

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A lista de problemas foi apresentada numa moção pela bancada do CDS na reunião da Assembleia Municipal do Montijo do passado dia 30, a qual foi aprovada por unanimidade. No documento, o órgão deliberativo exorta o ACES Arco Ribeirinho a dotar o pólo de Canha de recursos humanos e a Câmara Municipal a exercer influência política junto do Governo para que a situação se resolva.

ARSLVT conhece problemas

A Administração Regional de Saúde e Vale do Tejo (ARSLVT) nega, porém, problemas no serviço de enfermagem no pólo de Canha. “Não foram nem são afectados com a saída de uma enfermeira para a USF Aldegalega, uma vez que o serviço é reorganizado de forma a assegurar esses mesmos cuidados”, afirma a ARSLVT em resposta a um conjunto de questões enviadas por O SETUBALENSE ao ACES Arco Ribeirinho.

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De igual modo refuta que o receituário alguma vez tenha estado em atraso três meses, mas admite que “durante o mês de Setembro houve algum constrangimento”, que, garante, “já foi ultrapassado”. E adianta: “Por forma a mitigar situações desta natureza, o ACES [Arco Ribeirinho] já implementou medidas como a renovação do receituário por médicos de outras unidades do ACES que prestam actividade assistencial na UCSP Montijo Rural”.

Quanto à dificuldade para marcação de consultas, a administração regional de saúde avança: “O ACES Arco Ribeirinho e a ARSLVT estão a envidar todos os esforços para ultrapassar este constrangimento, procurando reforçar os seus recursos humanos.”

A ARSLVT confirma que os utentes em Setembro tiveram de se deslocar a Pegões para serem atendidos e que a interrupção do processo de vacinação em Canha se deve ao não funcionamento do “sistema externo de medição de temperatura”, o qual “foi enviado para o fornecedor para arranjo”.

A concluir, a ARSLVT desvaloriza o horário errado que está publicado no site do ACES. “No exterior da unidade está afixada informação actualizada, tanto sobre o seu horário de funcionamento, como os serviços que são disponibilizados”.

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