26 Setembro 2022, Segunda-feira
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Poluição na vala da Mourisca é grave e está a ser acompanhada pela Agência Portuguesa do Ambiente

Análises realizadas às águas e lamas apontam para a existência de produtos químicos poluentes

 

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As descargas poluentes no Vale de Brejos de Canes, na zona da Mourisca, que há vários meses preocupam os moradores, são graves, estando a situação a ser acompanhada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

A agência do ambiente está há várias semanas a par do problema e já realizou análises às águas e lamas da vala, cujos resultados não foram ainda divulgados, mas apurou O SETUBALENSE que apontam para a existência de produtos químicos, pelo que a situação é considerada grave.

O SETUBALENSE questionou a APA, que efectuou as referidas análises através da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Alentejo, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.

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Para o presidente da Junta de Freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra, a situação a acontecer nos terrenos junto ao Centro Empresarial Sado Internacional “não pode continuar porque qualquer dia corre-se o risco de o rio [Sado] estar todo contaminado”.

“Parece-me que a APA, a ARH ou o condomínio não estão a conseguir resolver as coisas. Ontem [segunda-feira] a vala, na Rua Quinta do Fragoso, continuava a correr com grande velocidade. Estamos muito preocupados”, explicou Luís Custódio a O SETUBALENSE.

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O autarca, que esteve no local no passado sábado, acompanhado do presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins, disse ter conhecimento de que “as análises informam que o problema não tem a ver com os lotes domésticos”.

“Estamos a falar de um parque industrial. Não sei se estão lá indústrias poluentes ou não, mas é lógico que os lotes não são propriamente domésticos. A descarga vem através da rede de águas pluviais e não sabemos se aquilo é proveniente de algumas descargas lá dentro”, adiantou o presidente da Junta de Freguesia.

Contudo, Luís Custódio confessa-se “admirado”, uma vez que “se as descargas acontecessem durante a noite podia-se dizer que seria de uma empresa, mas durante o dia é um bocado esquisito ser alguém a fazer despejos para a rede de águas pluviais”.

Além disso, “como a situação já saiu na comunicação social, se alguma empresa o tivesse feito talvez não o iria continuar a fazer”. Indica também o relatório, de acordo com Luís Custódio, que “a ETAR, cuja obra não foi concluída, não está ligada a sítio nenhum”.

“Mas não há certezas de que isto seja da ETAR [que serve o complexo de empresa]”, acrescenta. A sujidade acumulada na vala, que atravessa várias propriedades, tem tido como destino a Reserva Natural do Estuário do Sado. Junto ao Restaurante Baía, na Rua da Baía do Sado, formava-se no sábado um pequeno lago de lodo escuro.

Reclamações surgiram em Maio e situação piorou no Verão

As primeiras reclamações por parte de moradores chegaram à Junta de Freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra “no fim de Maio”, apesar de o problema “não ter a força que ganhou ultimamente”.

“As reclamações começaram a surgir com maior frequência há cerca de dois meses, numa altura em que a vala provavelmente começou a ficar saturada. Como tem muitos caniços, ao longo de cerca de 1 500 metros, isso significa que durante o seu percurso vai ficando matéria acumulada e a temperatura elevada só piorou a situação”, sublinhou o autarca.

Também o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR confirmou a O SETUBALENSE ter registadas algumas queixas, realizadas ao longo dos últimos meses.

Já a Câmara Municipal de Setúbal, contactada por O SETUBALENSE, disse não ter nenhuma informação a acrescentar, frisando apenas que, se a situação não for resolvida com a necessária urgência, tomará medidas para a resolver, com o assunto a ser hoje abordado em reunião pública.

No passado sábado, o presidente da edilidade sadina esteve no local “a verificar o crime ambiental”, tendo sentido “o cheiro nauseabundo que incomoda e prejudica as populações”.

O SETUBALENSE contactou igualmente a NTV, empresa responsável pela gestão do condomínio do Centro Empresarial Sado Internacional, que disse não querer prestar quaisquer declarações sobre o assunto.

*Com Sofia Isabel António

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