4 Dezembro 2022, Domingo
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Incêndio que fez ‘Inferno’ descer a Palmela investigado pela Polícia Judiciária por ter mão criminosa

GNR encontrou no local uma máscara enrolada com vários artefactos e isqueiros e ficou com fotografia de eventual suspeito entregue por um popular

 

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Às 09h30 desta quinta-feira o incêndio que deixou Palmela num cenário de destruição foi dado como dominado, exactamente 21 horas e 34 minutos depois de ter começado a deflagrar perto do Castelo.

A Polícia Judiciária (PJ) já está a investigar a origem do sinistro, uma vez que “foi fogo posto”, admitiu o Capitão Sabino Santana, Comandante do Destacamento Territorial de Palmela da Guarda Nacional Republicana (GNR), a O SETUBALENSE.

“Face aos dados que temos hoje [ontem], houve apenas um foco de ignição. O fogo começou ao pé do Castelo”, avançou o responsável da GNR, que explicou ainda o que levou as forças de autoridade a suspeitarem da prática de acto criminoso.

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“Encontrámos uma máscara enrolada com vários artefactos, isqueiros, e também ficámos com uma foto de um eventual suspeito que nos foi dada por um popular”, disse. Ainda ontem, quinta-feira, foi detido um homem de 45 anos por incêndio florestal, na localidade de Pinhal Novo.

“No seguimento de um alerta a informar que um popular teria detectado um indivíduo a lançar brasas para um terreno, os militares deslocaram-se para o local, tendo apurado que o suspeito já se encontrava retido por populares. No decorrer da acção, e após diligências policiais, foi possível confirmar a veracidade dos factos, motivo pelo qual o suspeito foi detido”, informou a GNR em comunicado.

O detido “foi constituído arguido” e notificado para comparecer hoje no Tribunal Judicial de Setúbal, para aplicação da medidas de coacção. O Comandante Sabino Santana afasta, porém, a hipótese deste homem poder ter responsabilidade no fogo da véspera, em Palmela. “São lugares distintos, que distam bastante um do outro, e não há correlação”, explicou.

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Também Álvaro Amaro, presidente da Câmara Municipal de Palmela, assegurou a O SETUBALENSE que “as provas estão a ser apuradas”. “Há investigação no terreno. A GNR e as restantes entidades precisam de saber a causa do incêndio, se foi por causa natural, negligência ou outra”, sublinhou.

Nos últimos dois dias, com o ‘Inferno a descer à terra’ em Palmela, o fogo terá destruído cerca de 400 hectares de mato e um Veículo Especial de Combate a Incêndios (VECI) dos bombeiros de Pinhal Novo, obrigou à evacuação de dezenas de pessoas e provocou 12 feridos, sendo estes nove bombeiros, dois civis e um militar da GNR.

Há a registar um total de 22 incidentes no decorrer do incêndio, revelou Álvaro Amaro. O vento, que acabou por ser o pior inimigo dos operacionais, fez com que esta quarta-feira chegassem a ser várias as frentes activas: à volta da vila de Palmela, nas serras do Louro e de São Luís, e em direcção a Aires e à Quinta do Anjo.

Já ontem, e mesmo depois de concluído o trabalho de combate, os bombeiros mantiveram-se vigilantes e prontamente atacaram os reacendimentos que foram surgindo durante a tarde. No local, chegaram a estar cerca de 400 operacionais com mais de 120 viaturas, apoiados por dois meios aéreos.

Cenário dantesco num dia desolador

Um “cenário dantesco”, num dia “desolador” para Palmela. Assim se expressou Álvaro Amaro sobre o grande incêndio que consumiu Palmela. O fogo, que começou em terrenos junto ao Castelo, rapidamente evoluiu para outros locais, abrangendo seis zonas controladas no teatro das operações, tendo sido as chamas mais intensas em duas delas.

“O ministro da Administração interna [José Luís Carneiro] telefonou-me para manifestar o seu conforto e solidariedade, e pedi-lhe para accionar a intervenção de meios aéreos”, conta o presidente da Câmara.

Inicialmente não foi fácil conseguir estes meios, uma vez que todos estavam empenhados no combate a outros incêndios no País, em mais um dia de chamas de Norte a Sul. “Disse-lhe que a situação era grave e duas horas depois, tive a indicação que vinham dois aviões de Itália”, lembra o autarca.

Visivelmente cansado, quando cerca das 19 horas de ontem Álvaro Amaro falou com O SETUBALENSE, no terreno estavam a decorrer investigações à origem do incêndio. Também um balanço estava a ser feito à mesma hora, para se compreender o que foi consumido pelas chamas.

“Já temos a indicação de quatro casas ardidas”, uma delas um moinho, e “também algumas infra-estruturas municipais como sistemas de água, telegestão e antenas”. O que é certo para o edil é que “têm de ser reforçados meios de combate a incêndios, como melhorar a abertura de caminhos, e ver o que é preciso acrescentar aos meios de vigilância existentes”.

De positivo neste incêndio, um dos maiores no território de Palmela nos últimos anos, foi “a solidariedade entre a população, instituições e bombeiros”. Aquilo que Álvaro Amaro classifica como “um milagre da solidariedade”.

Aires Foi informado da morte da mãe mas fogo ‘impediu’ que acompanhasse o velório

O galgar das chamas em direcção a Aires, perto das habitações, causou pânico entre populares. Mas, mais do que isso, as consequências do sinistro, à medida que as labaredas iam avançando, obrigaram ao corte do trânsito automóvel para dentro e fora da localidade e motivaram junto de alguns dose redobrada de angústia.

Foi o caso de um homem, de meia-idade, residente em Aires. Estava a trabalhar quando, pela manhã, foi informado do falecimento da mãe, que se encontrava internada numa unidade hospitalar em Setúbal, mas depois não pôde acompanhar a chegada do corpo, durante a tarde desta quarta-feira, à capela do Cemitério de São Sebastião, no Montijo, localidade onde a progenitora morava.

Ao que O SETUBALENSE apurou, o homem – que exerce actividade profissional na cidade montijense – só acabou por conseguir chegar à capela montijense à noite, acabando por ser impedido de participar na totalidade do velório. O funeral realizou-se ontem pela manhã, no Montijo.

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