27 Junho 2022, Segunda-feira
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“Semana do Mar e do Pescador” vai dar lugar a evento com maior escala designado por “Setúbal é Mar”

O novo projecto dedicado à pesca vai ser transversal a várias profissões, durar o mandato autárquico e mexer com todo o concelho

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Para assinalar e dar sempre maior dimensão à classe piscatória de Setúbal, assim como a todas as actividades marítimas que se desenvolvem no concelho, está a decorrer até ao próximo domingo, 22 de Maio, a “Semana do Mar e do Pescador – Mostra das Tradições Marítimas”. Uma iniciativa que, no próximo ano, vai ganhar maior dimensão em escala e tempo.

“Para o ano vamos ter um novo projecto, vai designar-se “Setúbal é Mar”, revela o presidente da União de Freguesias de Setúbal, Rui Manuel Canas, órgão autárquico que, conjuntamente com a Câmara Municipal de Setúbal, está a organizar a “Semana do Mar e do Pescador”, particularmente na vertente “Mostra das Tradições Marítimas”.

“O novo programa será dado a conhecer futuramente, e não será só relacionado com as escolas”, avança o autarca a O SETUBALENSE. Levantando um pouco a ponta-do-véu, revela que o “Setúbal é Mar” não será apenas um evento, mas sim um projecto que irá “durar todo o mandato” e, além da comunidade escolar, vai ser transversal a diversos sectores de actividade. “Irá envolver profissões, os bairros e as tradições”, ou seja, “será uma actividade não apenas de borda de água, mas sim compreender e evocar Setúbal como cidade marítima”.

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Entretanto, a iniciativa deste ano, que vai para a quinta edição – não se realizou em 2020 e 2021 “devido à pandemia” -, está centrada no Parque Urbano de Albarquel (PUA) onde desde 11 de Maio até dia 22, além de animação cultural, estão a acontecer ateliês educativos e momentos gastronómicos.

“Os miúdos das nove escolas do primeiro ciclo da União de Freguesias de Setúbal passam o dia no PUA onde aprendem a remar em barcos tradicionais, participam em actividades de desporto escolar, aprendem a coser e a mexer em redes de pesca e o que se são e como se usam apetrechos marítimos”, explica Rui Manuel Canas. Uma panóplia de acções que decorrem durante o dia e passam ainda por “jogos alusivos às questões ambientais relacionados com o mar e os lixos”.

Com o programa a ser desenvolvido em conjunto com as associações de pesca, nomeadamente com a Setúbal Pesca que tem montado no PUA um stand gastronómico, onde os visitantes têm permanentemente acesso a um prato típico setubalense feito pelos pescadores e, ao final do dia, há petiscos e apontamentos musicais.

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Diz o presidente da União de Freguesias de Setúbal que o evento “Semana do Mar e do Pescador – Mostra das Tradições Marítimas” tem por objectivo “dignificar a classe piscatória e as actividades marítimas, preservar as entidades locais relacionadas com o sector e dá-lo a conhecer às novas gerações, colocando-as em contacto com os barcos de pesca, construídos em madeira”.

Além de se afirmar como uma iniciativa de carácter educativo, desenvolvido anualmente, que se alia aos projectos dos agrupamentos de escolas e outros de âmbito nacional ligados à educação, este tipo de eventos pretende também dar maior relevância à pesca e a toda a cadeia económica com esta relacionada, como é o caso do turismo.

“As pessoas vêm a Setúbal comer peixe porque vêem os barcos de pesca”, comenta Rui Manuel Canas. “Sem pesca não teríamos a quantidade de restaurante que temos em Setúbal”, portanto o sector não é só identitário, mas de “grande relevância na economia” local. Porém, considera o autarca que nem tudo está bem. “A actividade marítima em Setúbal está a crescer de ano para ano, mas esta é uma actividade desigual onde a pesca tradicional tem muito problemas”.

São problemas que o autarca diz estarem relacionados com a “legislação comunitária”, e agora agravados com a pandemia, e também pela “falta de formação dos jovens que querem vir para o mar”. Por outro lado, sublinha, que “esta actividade não é rentável do ponto de vista económico para os pescadores”, e por isso os profissionais “não querem que os filhos façam vid para o mar”.

Para Rui Manuel Canas as respostas para reavivar o sector da pesca em Setúbal têm de passar pela “formação dos jovens”, e também pela “criação de marcas que afirmem esta actividade na economia como forma de estar e ser Setúbal”.

“Existe falta de vontade política para resolver problemas da pesca” 

Setúbal durante muito tempo era, essencialmente, afirmada como “terra da sardinha e do carapau, actualmente, o nome está mais ligado ao choco frito”. Quem o diz é o presidente da União de Freguesias de Setúbal, Rui Manuel Canas, ao mesmo tempo que lamenta por nas águas locais existir agora “apenas uma traineira de cerco”, (pesca da sardinha e carapau).

Por outro lado, os barcos sadinos “vão à lota de Sesimbra, porque na de Setúbal só há um horário de venda. É um problema complicado que envolve várias teias e onde existe falta de vontade política para resolver”.

Mas apesar destas condicionantes, afirma o autarca que Setúbal “tem muita variedade e qualidade de pescado. Uma das expressões são os mariscos, onde existem muitas embarcações na pesca. Além desta, “há a arte dedicada aos polvos e a de redes de emalhar, que apanha várias espécies”.

Para o autarca são factores que permitem a Setúbal apresentar “muita qualidade de peixe”. Mas deixa uma nota a quem tem poder no sector: “Temos essencialmente pequenas embarcações de pesca local, e muito poucas de pesca costeira, embora ainda existam as que vão até à Costa de Caparica (Almada) e Sines.

 

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