16 Maio 2022, Segunda-feira
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Sexta-feira cinzenta para André Martins termina com pedido de demissão pela oposição

PSD e Chega consideram que o presidente da Câmara de Setúbal tem de assumir altas responsabilidades. PS não apoia moção de censura 

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A passada sexta-feira foi cinzenta para a gestão CDU na Câmara Municipal de Setúbal. O dia começou com a manchete do semanário Expresso “Ucranianos recebidos em Câmara da CDU por russos pró-putin”, e terminou com o PSD e o Chega, na Assembleia Municipal, a pedirem a demissão do presidente da Câmara, André Martins. O quadro polémico envolve uma associação liderada por um russo, a sua esposa, e o gabinete municipal de apoio aos refugiados.

Ao fim da manhã, já a Câmara de Setúbal escrevia na sua conta do Facebook que tinha sido afastada a trabalhadora da autarquia, a russa-portuguesa Yulia Kashina, ligada à mesma associação, da função de entrevistar os refugiados ucranianos no gabinete da Linha Municipal de Apoio aos Refugiados (LIMAR). No mesmo comunicado a autarquia passava responsabilidades para o Estado por falta de informação sobre as acusações feitas pela Embaixadora da Ucrânia, Inna Ohnivets, relativamente à colaboração com a autarquia sadina da Associação dos Emigrantes de Leste (Edintsvo) liderada por Igor Kashin, casado com Yulia. Informações que o presidente da Câmara afirma terem sido requeridas, mas não respondidas.

Um misto de situações, confusas e polémicas que promete continuar nos próximos dias, e ainda sem desfecho previsível. O que está já na calha, é que esta quarta-feira o PSD vai colocar novamente esta matéria em cima da mesa em reunião de Câmara, e questionar André Martins sobre que responsabilidades vai assumir.

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“O senhor presidente não tem condições para continuar o seu mandato”, afirmou o deputado municipal do PSD Rui Lami, na Assembleia Municipal, na mesma sexta-feira, onde o assunto do atendimento a refugiados ucranianos por dois cidadãos de origem russa (Yulia Kashina e Igor Kashin), no gabinete de apoio da Câmara de Setúbal a emigrantes, esteve no centro do debate.

Pouco depois era o deputado municipal do Chega a dizer o mesmo. “Com as notícias vindas a público, e se forem estas informações verdadeiras, o Chega tem de pedir a demissão [de André Martins], por já não ter condições para exercer o cargo de presidente. Esta casa [Câmara de Setúbal] é dos setubalenses e não do PCP”.

Ainda antes da reunião da Assembleia Municipal, o PSD de Setúbal já tinha revelado a O SETUBALENSE que a moção de censura ao governo de André Martins não seria apresentada na reunião de sexta-feira por esta ter de ser apresentada com 48 horas de antecedência, mas revelou que “o PSD irá formalizar um requerimento para que seja convocada uma Assembleia Municipal dedicada apenas ao tema do acolhimento dos refugiados ucranianos, e avançará com a moção de censura”, avançou o deputado municipal, e da nação, Nuno Carvalho.

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Uma moção de censura que não será acompanhada pelos eleitos do Partido Socialista. “O PS não pretende pedir a demissão do executivo, seria show off político, mas o presidente [André Martins] tem de tirar consequências políticas. Tem de assumir responsabilidades desta falta de sensibilidade”, diz o vereador na Câmara de Setúbal e deputado na Assembleia da República Fernando José.

Revela ainda ter tido conhecimento que refugiados ucranianos se sentiram “incomodados” por serem entrevistados por cidadãos russos e com “as perguntas que lhes foram colocadas”. Uma questão que os eleitos do PS e do PSD já tinham colocado em reunião de Câmara a André Martins. “A resposta do presidente foi ‘assobiar para o lado’. O executivo ainda não percebeu que já não tem a maioria absoluta e continua a não dar ouvidos à oposição”.

O socialista afirma ainda que, para já, não coloca em causa o trabalho feito pela associação dirigida por Igor Kashin, mas condena a “falta de sensibilidade” da Câmara de Setúbal em colocar cidadãos russos a entrevistarem refugiados ucranianos. “Perceba-se; qual o sentimento das pessoas que fugiram de uma guerra na Ucrânia provocada pela Rússia e, chegados a Setúbal, serem colocados nas mãos de russos? Isto é falta de sensibilidade, por isso pedimos ao presidente da Câmara que o procedimento fosse alterado, mas não foi”.

Este caso veio colocar Setúbal e André Martins no centro das dúvidas sobre como os refugiados ucranianos estão a ser recebidos, neste caso no concelho sadino, e extravasa já para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Instituto de Emprego e Formação Profissional e também Segurança Social, serviços que recebem documentação mediada pela LIMAR. Uma matéria que, na mesma sexta-feira, saltou para a Assembleia da República, com o PSD, IL, Chega, PAN, BE, Livre e PS a exigirem que André Martins vá a São Bento para explicar o que se passa em Setúbal, e o presidente da Câmara já disse que vai.

“Não ponho as mãos no fogo sobre nada. Posso garantir que os serviços da Câmara Municipal que estão afectos à recepção de refugiados ucranianos, o fazem segundo o protocolo reconhecido pelas várias entidades da administração central”, disse o presidente, na SIC, na noite nessa mesma sexta-feira difícil.

 

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