5 Julho 2022, Terça-feira
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Consórcio com projecto de mil milhões para produzir hidrogénio e amónia verdes em Sines

Projecto de escala industrial irá “contribuir com 10 a 15% dos objectivos totais de investimento em hidrogénio de Portugal”

 

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Um consórcio internacional liderado pela empresa portuguesa Madoqua Renewables pretende investir mil milhões de euros num projecto de produção de hidrogénio e amónia verdes em Sines.

Localizado na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), o projecto, designado MadoquaPower2X, resulta de uma parceria entre três empresas: a portuguesa Madoqua Renewables, a neerlandesa Power2X e a gestora de fundos dinamarquesa Copenhagen Infrastructure Partners (CIP).

Em comunicado, o consórcio explica que a iniciativa vai ser lançada na sexta-feira, às 10 horas, no Centro de Negócios da ZILS, numa cerimónia com os secretários de Estado da Internacionalização e do Ambiente e Energia, Bernardo Ivo Cruz e João Galamba, respectivamente.

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Trata-se de “um projecto de escala industrial no valor de mil milhões de euros, destinado à produção de hidrogénio e amónia verdes”, que irá “contribuir com 10 a 15% dos objectivos totais de investimento em hidrogénio de Portugal”, revelaram os promotores.

O projecto, que está “em fase de desenvolvimento”, deverá estar “totalmente licenciado e pronto para a decisão final de investimento até ao final de 2023”, estando previsto o arranque da construção no ano seguinte e a “primeira produção em meados desta década”.

Durante a primeira fase de desenvolvimento, os promotores estimam a criação de 200 postos de trabalho e, nas fases seguintes, “mais de mil empregos directos e indirectos”.

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“O MadoquaPower2X irá usar energia renovável e unidades AWE (electrólise de água alcalina) com uma potência de 500 MW [megawatts] para produzir”, numa primeira fase, “50 mil toneladas de hidrogénio verde e 500 mil toneladas de amónia verde”, com “possibilidade de aquisição de hidrogénio produzido por terceiros”.

Segundo a empresa, o hidrogénio produzido no âmbito deste projecto “poderá ser usado pela indústria local, transportado pelo gasoduto de hidrogénio de Sines, actualmente a ser desenvolvido pela REN, integrado na rede de gás natural já existente ou processado para a criação de amónia verde para exportação a partir do terminal do porto de Sines”.

“A electricidade para o MadoquaPower2X será obtida a partir de projectos de geração renovável em Portugal, em particular através de comunidades de energia renovável com parques eólicos e solares que serão desenvolvidas em paralelo”.

Este investimento irá assegurar “contribuições significativas para a Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2) até 2030”, garantindo “25% da capacidade total de electrólise prevista”.

“Portugal está estruturalmente bem posicionado para desempenhar um papel de liderança no espaço emergente de transição energética na Europa”, destacou o presidente executivo da empresa portuguesa Madoqua, Rogaciano Rebelo, citado no comunicado.

Também o sócio fundador da Power2X, Occo Roelofsen, considerou que o desenvolvimento deste “projecto bandeira” vai permitir “acelerar a transição energética na Europa e contribuir significativamente para o objectivo ‘net-zero’ [compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera] de 2050”.

“O MadoquaPower2X irá abrir o caminho para a descarbonização de processos industriais críticos e reduzir a dependência em importações de gás natural”, reforçou o investidor.

Já Filipe Costa, director executivo da aicep Global Parques, gestora da ZILS, este investimento “irá acelerar a transformação industrial portuguesa e aumentar as exportações”.

O consórcio disse ainda que está “a explorar oportunidades com diversas partes interessadas no sentido de expandir ainda mais o projecto de forma a ser capaz de produzir um total de mil milhões de toneladas de amónia verde por ano”, reduzindo emissões de CO2 “em 1,2 mil milhões de toneladas por ano”.

“O desenvolvimento das fases subsequentes do projecto começará em 2024, com o funcionamento em pleno previsto para 2030”.

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