18 Maio 2022, Quarta-feira
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Miguel Lemos: “A atracção de médicos passa pela colocação de unidades de saúde familiar no terreno”

Equipamento na Baixa da Banheira só deverá abrir no final de 2023. Barreiro avança para duas unidades e para Alcochete está prevista uma

 

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O director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Arco Ribeirinho – que abrange os concelhos de Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo – apadrinhou a inauguração do segundo Balcão SNS 24 na Península de Setúbal. Foi na última quinta-feira que o novo serviço começou a funcionar na sede da Junta da União das Freguesias de Montijo e Afonsoeiro.

Logo após a cerimónia, Miguel Lemos apontou as vantagens destes balcões, revelou que o próximo está a caminho da Moita e fez o ponto de situação sobre as unidades de saúde que estão na forja para os quatro concelhos. O objectivo continua a ser o de sempre: mais “médicos de família”. Mas a USF Aldegalega não vai, para já, trazer um acréscimo de clínicos para o Montijo.

Depois deste Balcão SNS 24 no Montijo, que outros se seguem no arco ribeirinho?

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Este no Montijo é o número dois. Depois virá a Moita, que também já pediu e estou convencido de que vão surgir mais. A implementação destes balcões parte muito da predisposição das câmaras municipais e das juntas de freguesia. Acho que este é um dos indicadores do grande envolvimento e do grande interesse que as nossas autarquias do arco ribeirinho têm com a área da saúde. E acho que [este serviço] deve replicar-se. Repare, o primeiro balcão da Península de Setúbal só veio há duas semanas, para o Samouco [no passado dia 1]. Portanto, veja-se a demora que às vezes estas coisas levam.

A implementação deste tipo de serviço não traduz, de alguma forma, incapacidade de resposta da tutela na área dos cuidados de saúde primários?

Não. Acho que significa uma grande criatividade por parte da tutela. Quando nós construímos ferramentas é para nos ajudar e o Balcão SNS é uma ferramenta, que promove o acesso, a acessibilidade, e aumenta os níveis de conhecimento, literacia, no digital, dos nossos utentes. É um resultado dos tempos de desenvolvimento que estamos a viver.

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Mas acaba por aliviar os serviços administrativos nos centros de saúde.

Claro que sim. Alivia, sobretudo, a carga dos tempos de espera que os utentes têm de suportar. Às vezes esperar-se 15 minutos para se ser atendido, numa situação em que se está doente, é um tempo muito grande.

Ou seja, os balcões SNS vêm dar celeridade à resposta dos serviços de saúde e, consequentemente, acesso mais rápido às populações?

Completamente. Optimiza os recursos na área da saúde e satisfaz o utente pela produção de um serviço em tempo útil e rápido, em que o utente não sente o peso de ter de estar à espera.

Estes balcões permitem requerer receituário. Existem pessoas que necessitam de medicação periódica que “obriga” ao uso de portaria só passada por médicos da especialidade. Isso pode ser tratado a partir deste serviço?

Estou convencido de que para lá caminharemos. Mas as consultas de especialidade nos hospitais são sempre requeridas pelo médico do centro de saúde. Obedece a um circuito. A forma como o sistema está organizado em termos de prestação de cuidados não promove, nem tem de promover, uma utilização directa por parte do utente aos cuidados de saúde hospitalares, que são os secundários, diferenciados.

a USF Aldegalega pode começar a funcionar já em abril. médicos transitam do centro de saúde do montijo

De volta aos cuidados de saúde primários, quando prevê que entre em funcionamento a Unidade de Saúde Familiar (USF) Aldegalega, que está a ser instalada no recinto do Hospital do Montijo?

Está previsto que as obras sejam finalizadas neste primeiro trimestre. A equipa está pronta para avançar para lá. Diria que, se as obras terminarem em Março, desejavelmente poderemos já ter a equipa a funcionar em Abril. Assim venha o mobiliário, tudo o que está em curso. Já tivemos indicação positiva de que estava tudo a aguardar unicamente a conclusão das obras. Estou convencido de que será mesmo neste quadrimestre que iremos inaugurar a unidade.

O Montijo vai ter mais médicos de família com a abertura desta USF ou os clínicos vão transitar do actual centro de saúde para esta unidade?

Há médicos que vão transitar do centro de saúde para a USF Aldegalega. O movimento de colocação de médicos nas unidades não acontece de forma automática, não existe nenhum mecanismo legal que obrigue – até porque era inconstitucional – um profissional de saúde a trabalhar num determinado sítio. Resulta sempre de uma opção pessoal [do médico]. Uma opção que, por sua vez, resulta de perspectivas que existam no terreno, em termos de projecto, de desenvolvimento profissional, de condições de trabalho. Colocar uma USF no terreno é, neste momento, uma das maiores fontes de atracção de médicos.

Estão previstos cinco médicos para a USF Aldegalega. O que está a dizer é que o Montijo não vai ter mais médicos de família. Os existentes vão dividir-se entre as duas unidades?

Vão trabalhar para a unidade de saúde e vão aumentar a cobertura a utentes que não têm médico de família. Estamos a falar de cerca de cinco mil utentes sem médico de família que vão passar a ter. Com isto conseguimos tornar muito mais atractiva a mobilização dos médicos para o Montijo. A atractividade passa por ter unidades de saúde familiar, boas condições de trabalho. Garantindo isso na base, a probabilidade de poder atrair mais médicos é maior.

Como é possível ter maior cobertura com os mesmos recursos médicos, quando existem filas de espera à porta do Centro de Saúde do Montijo?

Pela questão do espaço físico. A partir do momento em que colocamos geograficamente outra equipa no terreno há um movimento de translação de utentes, que seguem esses médicos. Logo, a probabilidade de passarmos a ter menos filas no centro de saúde é maior. Depois, porque se passa a ter mais capacidade interna disponível para podermos fazer alguns contratos com prestadores, já que temos onde os acolher dentro da unidade. Enquanto não se tem mais médicos de família, que é o nosso objectivo, queremos ter espaço disponível para podermos encontrar outras soluções.

Quando fala em prestadores, significa médicos do privado…

Médicos, prestadores de serviços de empresa, apoios… temos, por exemplo, neste momento, protocolos com as santas casas de Barreiro e Canha, que nos dão apoio ao nível de consultas de saúde de adulto. É uma janela de oportunidade que também se abre. O objectivo é sempre: médicos de família. Agora, até lá não podemos deixar a população a descoberto. Temos de encontrar respostas no meio do processo. Se me pergunta se são as ideais, não, não são. Mas, entre a nossa população não ter nada ou ter isto, preferimos que tenha isto.

Como estão os processos das futuras unidades de saúde para os quatro concelhos do arco ribeirinho?

Temos a USF Aldegalega [Montijo] e o equipamento da Baixa da Banheira [Moita] – diria que são os “pesos pesados”, são projectos que têm muitos anos. Se tudo correr bem, na Baixa da Banheira deverá abrir no final do próximo ano.

Depois temos projectos para o Barreiro, julgo que a Câmara Municipal já quer avançar com dois – o dos Fidalguinhos e outro na zona da Escavadeira [Alto do Seixalinho]. E aí o Barreiro ficará bem guarnecido, para já, de centros de saúde. Na Moita, a ideia é podermos também promover algum estímulo para Alhos Vedros. Era desejável que acontecesse.

Voltando ao Montijo, queremos guarnecer o [actual] centro de saúde, que pode e tem capacidade para se transformar também numa USF, e está prevista ainda uma outra unidade de saúde para o Bairro do Areias, que pode dar resposta de proximidade a um aglomerado populacional muito grande.

Temos ainda a perspectiva de criar uma USF em Alcochete, até mesmo utilizando as instalações do actual centro de saúde, que têm capacidade física para albergar duas unidades.

o Centro de Saúde do Samouco Deveria ter, pelo menos, mais um médico e mais um enfermeiro

O que se passa com o Centro de Saúde do Samouco? Começam a ser recorrentes os problemas ao longo dos anos. Ou é falta de médicos ou é porque está fechado, como aconteceu recentemente…

… O último problema que teve foi técnico. Houve um pico de carga de electricidade que “derreteu” quase todo o sistema eléctrico dentro da unidade. Esteve quase duas semanas sem poder funcionar. Mas, o Centro de Saúde do Samouco tem uma médica, uma equipa residente. É em número suficiente? Digo já que não. Deveria ter, pelo menos, mais um médico e mais um enfermeiro, até porque tem condições físicas para isso.

E prevê que isso apossa acontecer?

Esse é um dos nossos objectivos. Com o novo concurso que irá abrir em Abril/Maio, este ano, para a colocação dos médicos recém especialistas…

Se não responderem e ficar vazio, não virá ninguém.

Exactamente. Depende da vontade dos próprios [médicos] e também da forma como damos a conhecer os nossos locais e a sua atractividade. No ano passado, este ACES teve pela primeira vez o maior número de médicos colocados. Tínhamos 18 vagas e foram preenchidas 11. Isto nunca tinha acontecido. E porquê? Porque houve projectos de USF e as pessoas foram mobilizadas, muitos internos sentiram-se atraídos. O caminho tem de ser este. E este é um trabalho que não tem fim, é um trabalho de ir demonstrando aquilo que de bom, todos os dias, fazemos aqui [no arco ribeirinho].

Como define os profissionais de saúde que têm estado a desempenhar funções no arco ribeirinho?

Têm sido uns guerreiros, uns resistentes. Tem de ser com eles que temos de encontrar soluções, mostrar o que de bom fazemos em conjunto com eles. Enaltecer e promover o esforço é uma forma de lhes agradecer, mas também de dizer aos outros para virem trabalhar para aqui. Venham ser felizes no arco ribeirinho.

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