7 Julho 2022, Quinta-feira
- PUB -
InícioÚltimasCâmara do Barreiro diz que intervenção na zona dos moinhos de maré...

Câmara do Barreiro diz que intervenção na zona dos moinhos de maré cumpre requisitos legais

Questão foi levantada esta quarta-feira em reunião do executivo, pelos vereadores sem pelouro eleitos pela CDU

- PUB -

O vice-presidente da Câmara do Barreiro, Rui Braga, assegurou esta quarta-feira, em reunião do executivo, que a obra na zona dos moinhos de maré de Alburrica cumpre os requisitos da lei e que o objectivo da autarquia é recuperar o património histórico do município.

A questão foi levantada pelos vereadores sem pelouro eleitos pela CDU, sobre uma denúncia feita, recentemente, pela Associação Barreiro Património Memória e Futuro, que acusou a gestão camarária de um “crime patrimonial e ambiental” naquela zona ribeirinha, com a destruição dos moinhos de maré e sapal da Caldeira Grande.

“É preciso que os barreirenses saibam que tudo o que a lei exige para uma obra de tipologia do moinho foi cumprido”, assegurou o vereador do município, liderado pelo socialista Frederico Rosa, assinalando que a intenção é reabilitar o moinho e pôr os engenhos a funcionar, como outrora, de modo a criar um centro interpretativo.

- PUB -

O vereador disse ainda que uma obra desta dimensão e numa zona sensível teve todos os pareceres da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Administração do Porto de Lisboa. “Que ninguém tenha dúvidas de que o objectivo é recuperar o nosso património para que recuperemos a memória coletiva de todos”, frisou Rui Braga.

A Associação Barreiro Património Memória e Futuro realizou a 22 de Janeiro uma sessão pública de esclarecimento e denúncia, com uma visita ao local com a presença de dois arqueólogos, alertando para a necessidade de salvaguardar o que ainda for possível relativamente ao Moinho Grande e à sua caldeira.

O moinho era inicialmente formado por uma caldeira que se enchia de água através de uma porta (adufa), quando a maré enchia, fechando-se em seguida, até à descida das águas, e por uma construção onde se situavam diversas moendas (pares de mós) que se destinavam ao fabrico de farinha. “O moinho de maré grande já não existe, foi arrasado, como o pequeno também já o tinha sido pela Câmara”, lembra a associação, acrescentando que “a riqueza cultural, identitária e económica deste bem patrimonial de arqueologia industrial morreu”, refere, destacando não ter sobrado nada do edifício: nem arcadas, nem mesmo a estacaria sobre a qual o moinho se encontrava construído.

- PUB -

Projecto para a Caldeira Grande concluído até final de 2023

O vice-presidente da autarquia disse ainda estranhar que uma associação local não tenha pedido esclarecimentos à autarquia sobre a matéria, optando por falar com a comunicação social. “Lembro que foi a associação que intentou uma providência cautelar na Quinta do Braancamp, que ainda está parada e que tem na sua gestão o ex-mandatário da CDU. Estamos a falar de combate político além das preocupações genuínas”, salientou. “Ninguém está aqui a tentar fazer crimes ou a não recuperar. Estamos a recuperar algo que é nosso, a associação devia ter pedido uma reunião connosco”, frisou.

Para a Caldeira Grande do moinho em causa o município tem projectada uma das maiores praias de rio da Área Metropolitana de Lisboa, plano que deverá estar concluído até ao final de 2023 e igualmente contestado pela associação. Na perspectiva da mesma, as caldeiras dos moinhos de maré são sapais e, portanto, zonas prioritárias de restauro por razões ecológicas e ambientais, pelo que considera que, “do ponto de vista ambiental, outro crime foi cometido”, porque “a caldeira está seca e o seu ecossistema morto”.

Relativamente a esta matéria, Rui Braga explicou que este foi um projecto escolhido pela APA, o que só por si dissipa dúvidas sobre o enquadramento legal de uma obra que vai criar novas dinâmicas e permitir que os barreirenses usem o espaço como nunca usaram.

O projecto de requalificação da Caldeira Grande foi escolhido pela Agência Portuguesa do Ambiente para beneficiar do apoio de fundos comunitários, num investimento que ronda os dois milhões de euros. Segundo a Câmara Municipal, ao abrigo do protocolo de colaboração para a concretização de acções de reabilitação da rede hidrográfica, o projecto visa recuperar uma estrutura abandonada de 77.520 metros quadrados, dando-lhe uma nova vida, transformando-a num espaço de lazer para os barreirenses e vocacionado para o turismo.

A autarquia adianta que o mérito desta intervenção “está também no combate às alterações climáticas, já que a existência de estruturas desta natureza, próximas do centro da cidade, contribui para atenuar as ondas de calor”. E acrescenta: “os reservatórios de água podem ser utilizados como um climatizador natural e até mesmo para o combate a incêndios”, é referido. * com LG

Comentários

- PUB -

Mais populares

Pastelaria Abrantes fecha portas a poucos meses de fazer cem anos [actualizada]

Setubalenses têm recorrido às redes sociais para manifestar tristeza com a notícia, por se tratar de um espaço histórico

PSP deteve em flagrante homem a furtar catalisadores

Dono de uma das viaturas alertou a PSP, que conseguiu interceptar o indivíduo no local

Programa Festas Populares São Pedro Montijo 2022

Consulte o programa na íntegra das Festas Populares de São Pedro, que arrancam na terça-feira (28 de Junho)
- PUB -