28 Setembro 2022, Quarta-feira
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Miguel Rodrigues: “Se for eleito, quero criar um gabinete móvel nas juntas de freguesia do distrito”

Candidata-se como independente e defende a política de proximidade. Afirma que não existe uma Área Metropolitana de Lisboa, mas sim uma margem norte e outra sul. E opõe-se ao aeroporto no Montijo, onde reside

 

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Quase a completar 52 anos, Miguel Ângelo Rodrigues é licenciado em engenharia informática, trabalha na Secretaria-Geral do Ministério do Ambiente. Residente e natural do Montijo, tem participado no movimento associativo e sindicalista. Em 2015 foi candidato pelo MPT, mas como suplente. É independente e volta a ir a votos pelo Partido da Terra, agora como cabeça-de-lista por Setúbal.

É um independente, porquê candidatar-se pelo MPT?

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Nestas eleições decidi que poderia fazer a diferença aqui no Distrito de Setúbal. Há muito a fazer neste distrito. Agora à entrada vi uma publicação vossa que dizia “Setúbal no centro do mundo”, é uma ideia muito positiva e que compro de imediato. Vamos colocar Setúbal no centro do mundo, há muito a fazer aqui. Não se pode votar sempre nos mesmos partidos e esperar um resultado diferente. Se queremos fazer diferente, temos de votar nas pessoas que podem fazer diferente.

O Partido da Terra que diferença pode fazer?

Por exemplo, os quatro eixos que estão no manifesto político do Partido da Terra, que são as alterações climáticas e o desenvolvimento sustentável, o primeiro pilar. O segundo pilar, a saúde e a sustentabilidade do SNS, sendo eu funcionário público sou o primeiro defensor de termos uma saúde pública, de termos uma educação pública, de termos condições para que todas as pessoas, em igualdade, tenham acesso a estas valências. O terceiro pilar é a cidadania, a transparência e o combate à corrupção. Nesta área da justiça há muita transformação que é necessária.

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E o quarto pilar é igualdade e as minorias…

A igualdade, a dignidade da pessoa humana e minorias.

Desse manifesto do MPT, que não é propriamente um programa eleitoral, mas um manifesto de 13 páginas, que propostas destaca em concreto? No âmbito das alterações climáticas, o MPT defende que os transportes públicos sejam eléctricos até 2030, acha isto exequível?

Nasci e resido no Montijo. Se quiser ir a Almada de transportes públicos, tenho de apanhar um barco para Lisboa, depois apanhar outro barco para Almada. Ou então tenho de ir apanhar um autocarro para o Pinhal Novo e depois um comboio para Almada. Quer dizer, isto tudo não tem um transporte directo e fácil. E estes transportes têm determinadas horas, nos barcos estamos a falar de barcos de meia em meia hora. Não existe uma Área Metropolitana de Lisboa [AML], existe uma margem norte e uma margem sul. Se morar na margem norte, e estiver em Lisboa, facilmente chego a Almada, ao Montijo, ao Seixal, ao Barreiro, a Alcochete, mas se morar na margem sul e quiser ir para um dos outros locais já é muito mais complicado.

Sobre as propostas do MPT, pode desenvolver mais algumas, por exemplo o gás de garrafa ter tarifa social é uma coisa que se tem ouvido falar muito, mas que na prática não funciona. Ou a existência de balcões do cidadão nas freguesias…

Sem a transformação digital, se continuássemos a utilizar o carvão e o petróleo, como até agora, nada disto é viável. As matérias-primas estão a acabar. Por isso, a minha preocupação e desta candidatura, em termos do que se pode fazer pelo País e pelo mundo, é implementar uma economia circular. Podemos mudar os processos da forma como consumimos.

Em propostas concretas aqui para a região. Há pouco falou na AML, que depois na prática não é uma verdadeira AML, o que é que defendem em termos de organização administrativa do território, relativamente à Península de Setúbal?

Comecei a trabalhar em administração pública em 1992, na altura começaram a aparecer as primeiras verbas comunitárias para mudar as coisas. Quem sabe como funciona a atribuição dos fundos e quais são as zonas mais necessitadas para terem esses fundos, temos regiões periféricas, por exemplo? No caso do Distrito de Setúbal, é um distrito enorme…

Nessa perspectiva qual seria a organização mais adequada?

Fala-se muito nas caixinhas, nas NUTS, de como é que arrumamos isto. Quer dizer, parto sempre de um princípio base, as coisas já estão dividas, não preciso de andar aqui a criar divisões. Já tenho freguesias, já tenho concelhos e distritos. O princípio que está aqui na AML é pegar ali naquela mancha toda à volta e meter tudo no mesmo saco. Tem alguma lógica, mas como vimos no início desta entrevista, a questão dos transportes foi só um exemplo, a margem norte é uma coisa, a margem sul é outra. Se temos estas diferenças todas, se calhar não faz sentido estar aqui a chamar a uma bola Área Metropolitana de Lisboa. Se calhar fazia mais sentido regiões semelhantes. Temos de ter uma organização que seja justa para a distribuição das verbas.

Aplicando aqui ao nosso caso o que é que seria justo?

Como já falei, a Área Metropolitana de Lisboa a norte e a Área Metropolitana de Lisboa a sul, acho que faz sentido.

Portanto, autonomizar a Península de Setúbal, relativamente à restante Área Metropolitana.

Porque se nós compararmos a área metropolitana sul com o resto do Distrito de Setúbal também há grandes diferenças. Portanto, não podemos pôr só o Distrito de Setúbal.

Também não podemos ter um mapa de regiõezinhas ou de “NUTSinhas”. Sobre a regionalização tem pensamento, o que defende? Acha que faz falta? É favorável, se sim em que mapas, com que calendários?

Isso é daquelas questões que tanto posso dizer que sim, como não, depende de que regionalização estamos a falar. Como já disse, já há divisões administrativas e já há câmara municipais, já há juntas de freguesia. Não preciso de mais organismos no terreno, preciso é de tirar proveito e dar ferramentas para que esses organismos possam actuar.

Devo concluir que lhe parece mais útil a descentralização do que a regionalização?

Já existem uma série de mecanismos, já existe uma série de estruturas e não se está a tirar proveito do que existe.

Tem vivido no Montijo, com certeza que o tema do aeroporto está particularmente próximo de si. Deve ser construído no Montijo ou em Alcochete? Ou noutro lugar?

Já mudei de ideias ao longo dos últimos anos. Nasci no Montijo e cresci com os aviões a passarem por cima de casa. Fazem um barulho enorme. Os aviões militares eram uns Fiat na altura e os Hércules. Os Fiat eram aviões pequeninos. Se já me queixava do Fiat que passava por cima da minha casa e era um barulho maluco, então de um Boeing ainda pior. Depois, há uns anos, vi um destes aviões a cair. Matou uma pessoa numa casa. Era um avião pequenino, imagine se fosse um Boeing, tinha sido muita gente.

Isso significa que, por razões de segurança e de qualidade de vida das pessoas do Montijo, é contrário à localização do aeroporto?

Sim, não tenho dúvidas. Ainda há uma coisa magnífica, que não sei se conhece, que é um prazer ir ali às margens, mesmo na cidade do Montijo, e ver os flamingos ali.

E no caso de Alcochete? Já admite que essa poderia ser uma boa localização? Ou acha mesmo que não faz falta um aeroporto, mesmo na margem sul?

Há pouco dizia que mudei de ideias. Porquê? Há uns anos quando falaram em meter o aeroporto na base aérea, achei que fazia sentido porque já lá estavam pistas. Entretanto, li os relatórios de alguns especialistas que dizem que aquelas pistas não servem, que são muito curtas, lá está a questão do avião pequenino e outro que não tem comparação. Se aquela pista não serve e vários dos aviões caíram, a maioria, por causa de embates em aves…

Mas também não há um histórico grande de quedas de aviões, há esse que relatou e, mais recentemente, um exercício com o Hércules C-130, mas isso foi erro humano.

Não foi só um, foram pelo menos dois e ambos com mortes. Dois aviões caíram mesmo em cima da cidade do Montijo, um perto da escola secundária [Jorge Peixinho] e outro perto do Bairro do Mouco, muito próximo de uma escola primária. Calculo que esse piloto, do avião que caiu no Bairro do Mouco, devia estar a direccionar o avião para o cemitério e caiu mesmo antes do cemitério. O piloto que caiu ao pé do parque estava a direccionar para uma zona em que não haviam casas, também não chegou a apanhar o descampado, apanhou a última casa, faleceu a senhora que lá morava.

O MPT tem concorrido em coligações e desta vez optou por concorrer sozinho. No seu entender isso é melhor ou pior para o Partido da Terra?

Sou independente, portanto, para mim é óptimo. Eu faço a minha candidatura, o meu programa, defendo aqui as minhas coisas e tenho a vantagem das minhas coisas encaixarem no que falou do programa do MPT. Por exemplo, no caso da minha candidatura como independente em 2015, pelo MPT, uma das coisas que defendi foi a conclusão da Estrada Nacional 4, não foi concluída, está lá na mesma, a variante está por concluir. A Estrada Nacional 4 atravessa a Atalaia e termos uma estrada nacional a atravessar uma localidade não é nada bom.

Mas o que está a falar que não está concluído é a variante, porque a Nacional 4 foi intervencionada e reabilitada, recentemente.

Sim, mas deixa muito a desejar. A Nacional 4 serve a Academia do Sporting e ainda há umas semanas o Nuno Santos, [jogador] do Sporting, teve um acidente no cruzamento em que se vira para a Academia do Sporting. Aquela estrada não está dimensionada para as condições actuais.

O Partido da Terra não tem conseguido eleger por Setúbal, acha que desta vez será diferente? E porquê?

Acho que sim, pelo menos estou a fazer tudo por isso, e acho que desta vez vamos ser eleitos. Claro que é muito complicado não estar nos debates televisivos e querermos ser eleitos. Esta é a minha primeira entrevista, nunca tinha dado uma entrevista a nenhum órgão e, portanto, as pessoas não me conhecem. Não sei se até dia 30 vou conseguir falar com tanta gente e conseguir os 18 mil votos que, em princípio, serão necessários para ser eleito, mas até ao último dia vou continuar esta guerra e vou tentar. É preciso fazer diferente, é preciso votar diferente. Vou dar-lhe um exemplo do funcionamento das eleições: em Almada existem 198 mesas de voto, cada mesa de voto tem, aproximadamente, cinco mil pessoas, para cada mesa de voto vão cinco pessoas, só em pessoas para as mesas de voto, o concelho de Almada precisa de mil pessoas, praticamente, e isto é um processo que… pronto. Não tinha ninguém e em Almada não conheço ninguém, portanto, fui para Cacilhas, Pragal, andei no centro de Almada a falar com as pessoas, perguntei a “n” pessoas se queriam ir para a mesa de voto e encontrei dezenas de pessoas para irem pelo Partido da Terra. São pessoas que vão ter esta primeira experiência eleitoral, acho que vão votar no MPT, apesar disso não ser condição, mas já têm esta valorização. Depois fiz ainda uma coisa diferente. Havia duas escolas, onde há votação. Contactei o conselho directivo e disse: preciso de pessoas que queiram ir para as mesas de voto, por favor divulguem esta mensagem aí na escola. Disse a essa directora, veja lá se têm alunos com 18 anos que queiram ir para as mesas de voto.

E teve bom resultado?

Sim, sim. Das duas escolas vêm seis ou oito pessoas, onde nós não tínhamos ninguém e agora temos lá essas oito pessoas.

Um excelente exemplo de como se pode mobilizar a juventude e conseguir a participação.

E fiz isso hoje. Não precisei de mudar as NUTS, não precisei de fazer nada de transcendente. Isto agora [de] temos de mudar a Constituição ou temos de mudar, não é nada. Com as ferramentas da cidadania que nós temos aqui hoje em dia, com envolvimento das associações, com o envolvimento, neste caso, das escolas…

De que outra ideia gostaria de falar, para terminar?

É logo a minha primeira ideia, que é a criação de um gabinete móvel nas juntas de freguesia. Eu, como deputado, pretendo ter um gabinete móvel que funcione, não sei a periodicidade que consigo fazer, mas que seja uma vez por mês, uma vez por semana, em cada uma das juntas de freguesia do Distrito de Setúbal, porque é o Distrito de Setúbal que me pode eleger à Assembleia.

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