21 Janeiro 2022, Sexta-feira
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Joana Cordeiro: “As medidas liberais vão ajudar a desenvolver o distrito”

Candidata da Iniciativa Liberal considera que o Estado é “demasiado grande”, defende maior liberdade individual e afirma que a região já perdeu muitas oportunidades com as políticas de esquerda

 

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Gestora de marketing, na área dos seguros, nasceu em Lisboa e cresceu entre Almada e o Seixal, concelho onde reside actualmente. Foi candidata às legislativas de 2019, como independente, pela Iniciativa Liberal, e, entretanto, filiou-se no partido e fundou os núcleos de Setúbal e do Seixal. Aos 37 anos, é conselheira nacional da IL e suplente da Comissão Executiva.

Por que aceitou este desafio de ser candidata da IL por Setúbal?

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Nunca tive grandes ambições de carreira política, tanto que nunca tinha estado envolvida num partido político, mas sempre lutei muito por aquilo em que acredito, e, tendo crescido neste distrito, fui percebendo que havia coisas a que faltava mais qualquer coisa. E quando conheci a IL percebi que era aquilo que eu andava à procura, porque é um partido que defende que o individuo está no centro da acção política. Eu sempre concordei com isto, sem perceber que nome lhe haveria de dar. Temos uma frase, que costumamos dizer, no partido e para fora: és liberal e não sabias. Acho que se aplica a mim totalmente. Acredito que as pessoas sabem o que é o melhor para elas, e nós, enquanto sociedade, só temos de deixar que as pessoas consigam alcançar aquilo que querem, e, se propuserem a fazer determinadas coisas, devem ter todas as oportunidades para conseguir lá chegar.

A IL diz que temos um Estado paternalista, que entra nas nossas carteiras. Como se altera isso num quadro em que faltam funcionários públicos nas áreas da saúde e da educação?

Claramente temos um Estado demasiado grande. Se calhar falta num lado e temos a mais noutro. O que acho é que o Estado tem de sair da vida das pessoas. Há efectivamente sectores que devem pertencer ao Estado, como a segurança por exemplo. Mas nos sectores da saúde, da educação, o Estado é mais um prestador. Temos prestadores privados, temos prestadores sociais, porque é que é o Estado a ter de prestar estes serviços? A verdade é que nós tivemos, desde sempre, a ideia de que o Estado é que tem de comandar a vida das pessoas. E as pessoas acabaram por ficar reféns disto.

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A saúde e a educação são áreas em que o Estado, enquanto garante da igualdade de oportunidades, também deve ter um papel. Reconhece isso?

O Estado tem que ter o papel de permitir o acesso a toda a gente a determinados serviços. Agora, se o prestador da educação, ou da saúde é privado, social ou público é um bocadinho indiferente, as pessoas têm é de conseguir aceder a esse prestador. Temos um SNS que dá acesso a listas de espera, não dá propriamente acesso à saúde. Aumentar a oferta de saúde, incluindo os hospitais privados e sociais, com o Estado a garantir que as pessoas conseguem ter acesso a esses serviços, é o que defendemos. Assim como na educação. Não tem que ser o Estado a prestar esses serviços.

O que propõe a IL para resolver o problema do acesso à habitação por parte dos jovens e das famílias com menos recursos?

O Estado tem, obviamente, um papel social importante e a IL não defende que o Estado não deve ajudar quem precisa. No caso da habitação, temos, efectivamente, um problema social, mas falta um trabalho prévio, de diagnóstico, que não temos. Sabermos quantas pessoas são. Para os jovens e as famílias, em primeiro lugar, temos de ter mais dinheiro, e, para isso, temos de ter, por exemplo, menos impostos, em vez de gastarmos em determinados sítios. Reduzindo os impostos, as pessoas têm mais dinheiro no bolso e conseguem, eventualmente, comprar uma casa. Mas, mais do que isso, a questão da habitação também passa muito pela oferta, e, normalmente, os partidos esquecem-se de falar disto. Uma licença de construção ou de habitação que demora meses a ser dada são custos reflectidos para as pessoas. Nós temos propostas que vão em linha com a redução do IMT, do IMI, mas temos de actuar primeiro no lado da oferta. Há coisas que as câmaras municipais podiam agilizar, com menos burocracia. Voltamos sempre à questão de menos Estado.

Como se pode reduzir a carga fiscal sem comprometer o Estado social que faz tanta falta?

Nas famílias também temos um orçamento que temos de gerir. No Estado até é mais grave, porque o dinheiro é das pessoas, através dos impostos. Nas nossas famílias, pelo menos, gerimos o que é nosso. A questão são prioridades. Se nós estamos a pôr muito dinheiro na TAP – que é também um assunto que a IL tem debatido -, se gastamos dinheiro em ter empresas públicas, não podemos gastar noutro lado.

Do programa da IL, que medidas gostaria de destacar?

A educação é uma área que me preocupa bastante, principalmente neste contexto de pandemia, com o fecho das escolas, temos muitos atrasos de aprendizagem. Por exemplo, uma criança que está hoje na segunda classe, passou grande parte do tempo em casa, com ou sem apoio. Mesmo que tenha tido todo o apoio possível dos pais, não é a mesma coisa que estar na escola. Uma das medidas do nosso programa tem a ver com um programa de recuperação de aprendizagens. Tem de haver medidas concretas porque, neste momento, não temos a noção do impacto que isto tem nas crianças, mas daqui a 10 ou 20 anos vamos perceber que as bases não ficaram bem. É uma medida muito importante, principalmente para o nosso distrito, que sempre teve taxas de insucesso e de abandono escolar mais altas do que a média nacional. Esta é uma área que me diz muito respeito, porque sou mãe, tenho um filho pequeno, e consigo imaginar que para as famílias é uma questão muito importante.

Uma das questões que tem estado em cima da mesa, na região, é a organização administrativa, a integração da Península de Setúbal na Área Metropolitana de Lisboa. Qual é o seu pensamento sobre esta matéria?

Este tema já se arrasta há demasiado tempo e devia ser resolvido, para um lado ou para o outro. Principalmente, a criação de uma NUT III é importante para termos dados da Península de Setúbal, que não temos, pela maneira que a agregação é feita. A criação da NUT III tem sido uma coisa que vários empresários, com que temos falado, têm defendido, para melhor acesso a fundos comunitários. Preocupa-me que estejamos a discutir este tema, por uma questão de conseguirmos chegar a mais dinheiro que vem de fora, em vez de estarmos a discutir o que podemos fazer cá dentro, sem estarmos à espera que venha esse dinheiro para ajudar os nossos empresários. Nós falámos com alguns e voltámos à história dos licenciamentos, da agilização dos processos, da carga fiscal, e isto são coisas que nós conseguimos resolver.

Quer dizer que acha que não vale a pena despender muito tempo com esse tema?

Não. Acho é que tem que se resolver, e teoricamente devia ser tratado agora, em Bruxelas, mas não vamos ter governo na altura em que o prazo acaba, portanto não sei exactamente se isto vai avançar ou não. Estamos expectantes para ver o que vai acontecer. Mais importante que isso, é percebermos o que podemos fazer, de forma directa, para ajudar as nossas famílias, os nossos empresários, com os mecanismos que temos.

Sobre a regionalização, a IL defende menos Estado, portanto calculo que também não queiram regiões administrativas.

Pois, porque a regionalização é outra vez duplicar, aumentar o Estado. A IL é totalmente a favor da descentralização do poder, para que fique próximo das pessoas. Agora, se isto vai implicar mais custos, mais Estado, duplicação de processos, duplicação de pessoas, de funções, não podemos ser a favor.

Relativamente ao aeroporto, a IL defende que deve ser localizado na Margem Sul do Tejo.

Em Setembro, João Cotrim Figueiredo já falou da questão do aeroporto, e defendeu que a solução Portela + Montijo é a solução mais rápida e mais económica. A preocupação é, tal como as NUTS, este ser mais um tema que se arrasta. Sabíamos, antes da pandemia, que o aeroporto da Portela estava saturado, e que estávamos a perder oportunidades de turismo porque não conseguíamos receber mais pessoas. Isto é uma questão importante e tínhamos que resolver o problema. O aeroporto do Montijo é a solução mais rápida. Mas, também existem contratos, e desistirmos de um projecto desses agora que impacto terá nas contas? Quais são os custos e indeminizações que teríamos de pagar? Acho que isto não está a ser devidamente acautelado. Temos de perceber quais são exactamente estes impactos e isso não está a ser muito transparente. De qualquer forma, como João Cotrim de Figueiredo já disse, as consequências de uma não-decisão podem ser piores do que qualquer decisão.

Que diferença pode a IL fazer em Setúbal se conseguir eleger uma deputada?

A IL defende medidas liberais, obviamente, quanto mais deputados tivermos no Parlamento mais diferença podemos fazer. O facto de eu ser daqui dá uma visão que, se calhar, alguém que viveu noutro sítio obviamente não tem, por não conhecer a realidade do distrito. Acho que isso faz diferença. Mas o ponto principal é termos mais deputados no Parlamento porque as medidas liberais vão ajudar, principalmente aqui no nosso distrito, que já perdeu muitas oportunidades com a governação que temos tido. Isto não pode continuar a acontecer. Quanto mais deputados da IL tivermos, mais força teremos para mudar as políticas que nos têm governado.

O que será um resultado que não considere uma derrota no distrito?

Os objectivos da IL para estas eleições são claros, são 4.5% de votos a nível nacional e cinco deputados. Aqui no distrito, o que eu sei é que temos uma equipa fantástica e que vamos fazer tudo para passar a mensagem e as nossas ideias. Uma derrota é hipótese que não existe sequer na nossa campanha.

Nas últimas eleições, a direita, o PSD, elegeu apenas três deputados num conjunto de 18. Considera que este é um distrito difícil para a IL?

Sim, mas o difícil dá um bocadinho mais de trabalho. Temos de passar as nossas ideias. Nós queremos um crescimento sustentável, se não for já, há-de ser depois. O importante é conseguirmos ir trabalhando neste sentido, passar a mensagem e explicar às pessoas porque é que as nossas ideias funcionam. E é esse o esforço que temos feito.

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