14 Abril 2024, Domingo
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Director clínico do Hospital de Setúbal retira demissão mas diz que reivindicações se mantêm

Nuno Fachada diz que declarações da ministra sobre a reclassificação do Centro Hospitalar de Setúbal foram “murro no estômago”

 

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O director clínico do Centro Hospitalar de Setúbal, Nuno Fachada, retirou o pedido de demissão, considerando que é fundamental no momento actual assegurar o regular e normal funcionamento dos serviços, mantendo-se, contudo, as reivindicações.

Em declarações à agência Lusa, Nuno Fachada disse, contudo, que se mantêm todas reivindicações, entre as quais a passagem da unidade para um hospital multidisciplinar e a criação da atractividade para médicos e outros profissionais (anestesistas, obstetras, por exemplo).

Manifestou ainda solidariedade total com os 87 directores de serviço demissionários uma vez que as questões que levaram às demissões ainda se mantém.

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“Ainda estamos à espera dessa oportunidade. O director clínico é da máxima resiliência, tal como os restantes médicos e profissionais de saúde. Sou resiliente no aspecto reivindicativo e na gestão médica”, frisou.

O director clínico do Centro Hospitalar de Setúbal tinha apresentado a demissão do cargo a 30 de Setembro, justificando a decisão com a situação de rotura nas urgências, entre outros motivos.

Numa informação enviada na altura aos seus colegas, o médico alegava um conjunto de dificuldades no centro hospitalar como justificação para a sua saída.

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A “situação de rotura e agravamento nas urgências médicas, obstétrica, EEMI [Equipa de Emergência Médica Intra-Hospitalar]”, assim como “dificuldades noutras escalas como a pediátrica, cirúrgica, via verde AVC, urgências internas, etc”, foram algumas das razões apontadas pelo director demissionário.

Agora, numa carta enviada ao presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Setúbal, a que a agência Lusa teve acesso, Nuno Fachada refere que na sequência da reunião em 09 de Novembro com a ministra da Saúde, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, a vice-presidente da Administração Regional de Saúde, o presidente da ACSS e o Conselho de Administração do Hospital “foram dados sinais favoráveis e concordantes com a requalificação do CHS para o grupo dos Hospitais de nível D [Multidisciplinar]”.

Segundo o médico, foi também dada nota favorável à abertura de mais vagas médicas, nomeadamente nas especialidades mais carenciadas e criticas, foi tido como necessário o equacionamento da criação de mais vagas formativas nessas especialidades e foram desbloqueados os pedidos de mobilidade existente, o que, “além da grande ajuda conseguida para algumas das situações conjunturais mais emergentes, representa um estímulo activo para o corpo clínico, que, sem desmobilizar, mantém a expectativa e é sensível perante a actual conjuntura do país”.

O médico destaca ainda o facto de ter sido publicada a abertura do concurso da obra da urgência, a qual considera fundamental que tenha continuidade, uma vez que se trata de uma área de trabalho mais critica e de pior acomodação dos doentes, tornando-se numa das principais razões quer do êxodo de profissionais, quer do somatório de reclamações dos utentes.

Em declarações à agência Lusa, Nuno Fachada realça que estes são sinais positivos, mas que faltam ser efectivados, registando de forma negativa o facto de a ministra da Saúde ter referido no parlamento que a reclassificação do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) do nível C para D, que permitiria aumentar o financiamento daquela unidade, depender de critérios técnicos e não e uma decisão politica.

“Estava à espera de que a requalificação do Centro Hospitalar de Setúbal fosse anunciada e quando se passa para a gestão burocrática essa decisão isso é um murro no estômago”, disse.

GC (GR)

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