25 Novembro 2021, Quinta-feira
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Carlos Abreu: “A Secil vai ser uma das fábricas mais eficientes e sustentáveis do mundo”

Administrador diz que a modernização em curso vai reduzir as emissões de carbono em 20%

 

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O projecto de modernização da Fábrica Secil Outão, denominado CCl – Clean Cement Line, vai ter impacte ambiental positivo em Setúbal, assegura o administrador da empresa. Carlos Abreu aponta menos emissões de dióxido de carbono (CO2) e sublinha que, nas últimas décadas, o impacte ambiental da Secil na serra teve uma “redução enorme”.

Com o projecto de modernização da fábrica do Outão o que vai mudar no que toca ao impacte na Serra da Arrábida?

A modernização da Fábrica Secil Outão, através do projecto CCl – Clean Cement Line, vai ter impacte no ambiente global, em Portugal e naturalmente em Setúbal. Vamos emitir menos 20% de CO2, aumentar em 20% a eficiência energética da fábrica e aproveitar 30% do calor actualmente perdido no processo para produzir energia eléctrica própria. Esta mudança vai tornar a fábrica numa das mais eficientes e sustentáveis do mundo, integrada na serra, com menores impactes. Queremos alargar esta melhoria ambiental a outras áreas, tanto no processo fabril, como na gestão da pedreira ou no abastecimento ao mercado com recurso a ferramentas digitais. Em suma, o futuro está já a acontecer na Fábrica Secil-Outão.

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O que está previsto para promover a sustentabilidade ambiental da fábrica nos próximos anos e qual é o horizonte temporal?

Na Secil subscrevemos o Compromisso da Indústria Cimenteira Mundial de tornar neutra em carbono, até 2050, a cadeia de fornecimento do betão, que é a principal aplicação de cimento. Para isso, temos que continuar a actuar no processo de fabrico e na energia, na circularidade de matérias-primas e dos resíduos, no transporte e, após 2030, na captura e utilização do remanescente CO2 que continuarmos a emitir. Temos pela frente, ainda, décadas de trabalho e investimento.

Quais são os desafios específicos quanto à preservação da biodiversidade da serra?

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A serra não foi sempre a mesma, o ecossistema foi evoluindo ao longo do tempo. Até ao séc. XIX era a principal fonte de combustível para os habitantes de Setúbal, Palmela e Azeitão e foi intensamente utilizada, desde a época romana, para extracção de pedra e produção agrícola e pecuária. Desde 1904 que temos registo de produção de cimento no Outão, por isso, não há ninguém que conheça a serra sem a Secil em laboração, e é evidente que nas últimas décadas houve uma enorme redução do nosso impacte ambiental. O ecossistema tem uma evolução sócio-ecológica, isto é, a interacção do homem com o ambiente é dinâmica, vai evoluindo com o tempo. Neste momento sabemos quais as estratégias para promover a biodiversidade e uma maior riqueza ecológica tanto na recuperação das áreas de pedreira como em áreas vistas como naturais e que resultam do abandono da actividade humana. O que teremos daqui a 40 anos não será seguramente o que temos hoje. Estamos a trabalhar para encontrar as melhores soluções e legar um ecossistema perfeitamente recuperado, na serra, para as próximas gerações. O conhecimento que temos vindo a produzir não só é muito relevante para a recuperação como para a conservação da serra como um todo.

E quanto à redução das emissões de carbono e à eficiência energética?

O mundo está numa corrida contra o tempo, como foi definido no Acordo de Paris, para limitar o aumento de temperatura a menos de 1,5 graus relativamente à era pré-industrial. A Indústria cimenteira mundial, europeia e nacional, já vinha a trabalhar nesse sentido desde o início dos anos 2000, por exemplo com a substituição de combustíveis fósseis por combustíveis alternativos, o chamado coprocessamento, com o aumento da circularidade de materiais e resíduos, tudo isto para produzirmos betão mais sustentável e com menos intensidade energética e carbónica. O betão é e vai continuar a ser necessário, isso apesar do betão, e não o cimento essencial para a sua produção, ser um dos materiais com uma percentagem de CO2 mais pequena quando comparado com todos os outros materiais de construção, incluindo a madeira. A segurança, conforto e património da população não são concebíveis num mundo moderno sem betão que permita às pessoas ter habitação, saúde e educação dignas. Foi anunciado em 2021 o plano de descarbonização da indústria cimenteira portuguesa pela ATIC, Associação Técnica da Indústria do Cimento, onde se podem verificar todas as acções que iremos promover para que o betão seja neutro em carbono em 2050, havendo já em 2030 reduções significativas de emissões de carbono. A Secil e a fábrica do Outão em particular, têm os seus próprios planos de redução. É este o nosso compromisso: assegurar uma transição justa para um mercado de betão zero carbono que assegure as necessidades dos nossos clientes e através deles a toda a população, mantendo emprego digno e devolvendo à comunidade um ecossistema recuperado, rico e melhor integrado na paisagem natural.

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