5 Dezembro 2021, Domingo
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Jovem alcochetano é prodígio no mundo da poesia com primeira obra publicada aos 13 anos

Vasco Leal colocou em versos temas ligados à política, ao amor, à ideia de tempo e, agora mais recente, ao vírus

 

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Tem apenas 13 anos mas compreende e debate os temas da actualidade como ‘gente grande’. Na verdade, esse seu interesse por assuntos ligados à política, ao amor, à ideia de tempo e, agora mais recente, à pandemia, surgiu bem mais cedo, quando, com dez anos, começou a colocar em versos os seus pensamentos e ideias.

Dezenas de estrofes depois, e mesmo com o receio de que as pessoas pudessem pensar tratar-se de uma ideia muito prematura, o alcochetano Vasco Leal arriscou e aceitou o desafio dos pais: compilar em livro alguns dos seus trabalhos mais marcantes.

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Estávamos no início do presente ano quando o processo arrancou. Volvidos alguns meses, mais precisamente em Maio, a obra “Pandemia de versos” saiu ‘à rua’. “Achava que era uma coisa que simplesmente não ia acontecer ou que, a realizar-se, seria muito mais tarde, mas foi uma coisa muito agradável e boa para mim”, confessa o jovem poeta.

Contudo, quando tudo começou a tornar-se uma realidade, conta não se ter sentido motivado de imediato. “Uma das coisas que me levou a ficar mais empolgado para o livro foi o facto de ter decidido concorrer a um concurso de escrita e de não ter ficado entre os escolhidos”.

Isto porque “não ter vencido fez com que não ficasse resignado ao que já tinha conseguido conquistar”. “Foi algo que me fez procurar por mais, em querer chegar mais alto. Se tivesse vencido teria avançado com o livro mas não com o mesmo ânimo”, explica.

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Apesar de entusiasmado, tomou a decisão de guardar ‘a sete chaves’ o projecto e de não contar nos primeiros tempos à restante família ou aos amigos. “No princípio estava um pouco receoso de que pudessem não gostar ou que pudessem achar desinteressante”.

Mas acabou por acontecer exactamente o oposto. “Gostaram bastante e ficaram contentes. Felicitaram-me por isso. Falaram com pessoas próximas e foi uma reacção muito reconfortante e agradável. Foi muito bom saber que os meus familiares estiveram ali para mim e que leram com toda a dedicação e carinho”, sublinhou.

No entanto, reconhece que também foi possível publicar a sua obra “com a ajuda da Editora 5 Livros”. “Ajudou-nos bastante no projecto. Inicialmente o livro era para ser uma edição de autor, mas a editora deu-nos a garantia de que, se achasse que a obra tinha qualidade suficiente para ir para as livrarias, iria. E foi o que aconteceu”, esclarece.

O desenvolver do processo criativo

Quer seja num caderno, no computador ou no telemóvel, também porque a inspiração não escolhe hora nem momento para aparecer, é a fazer poesia que Vasco Leal se diz “livre”.

“Inspiro-me em várias coisas. Inspiro-me muitas vezes no que se passa no mundo, em outros poemas, na forma como me sinto ou na forma como os outros podem estar e ainda no ambiente que me rodeia”, conta.

Como exemplo dá “a viagem recente da prima a Milão”, cuja experiência originou o poema “Não há bela sem senão nas esplanadas de Milão”. “Escrevi sobre a pandemia lá, em que, apesar de já se saber da covid, as pessoas agiam como se o vírus não existisse e continuaram a descontrair nas esplanadas. A minha prima contou-me e eu contruí o resto do poema não só focado nesse caso, mas também focado no resto da Europa e até no mundo”, explica.

Este é apenas um dos títulos que compõe o capítulo do livro dedicado à covid-19, onde Vasco Leal fez questão de retratar “o que todos viram do distanciamento social, das medidas de prevenção e até da própria propagação”. Para conseguir tal feito, teve igualmente de recorrer às notícias, algo que gosta de acompanhar com assiduidade.

Também “a queda do número de turistas para várias cidades e a crise relacionada com os materiais de higiene” estão na base de várias estrofes apresentadas em “Pandemia de versos”.

Ao nível da política, diz que um dos seus “textos preferidos “chama-se ‘Boa noite’”. “Fala sobre o futuro que podemos vir a atravessar e sobre as dificuldades que vamos enfrentar. No fundo, é um poema a desejar que tudo corra da melhor forma”.

Ainda assim, considera que um dos melhores trabalhos é “O relógio corre”, por se tratar de um “poema mais expressivo, que retrata o tempo a passar e cuja estrutura começa precisamente com uma estrofe com cinco versos e depois vai reduzindo para quatro, três e duas, tal como a vida em contagem decrescente”.

Durante o processo, garante Vasco Leal que o difícil não foi escrever, mas sim a fase de escolher que poemas “tinham qualidade suficiente para serem publicados”. “Para decidir falei com os meus pais e mostrei-lhes o que tinha. Foram eles que me ajudaram”.

Já os títulos ficaram à sua responsabilidade, até porque “saíram de forma natural”. “Das duas uma: ou penso num título-chave para o princípio do poema e depois desenvolvo-o à sua volta ou, quando não tenho uma ideia específica, o poema vai-se desenvolvendo e depois é que decido o título”.

A capa, por sua vez, assim como todas as fotografias publicadas na obra, são da autoria do seu pai, Manuel Leal, tendo sido este o único passo em que interferiu. “Nós [pais] não interferimos no processo criativo, nem ele [Vasco Leal] deixa que o façamos. Ajudámos somente a escolher, mas podemos dizer que se trata de uma obra familiar”, partilhou.

Sobre a publicação dos trabalhos do jovem poeta, Manuel Leal explicou ter sido também “uma forma de o motivar”. “Já levávamos um ano de pandemia e sempre fechados em casa. Foi um projecto também para pensar noutras coisas.

Além disso, já deu para perceber que é um rapaz especial. É muito trabalhador e estudioso e, por isso, quisemos recompensá-lo pelo trabalho que tem tido. É um menino de ouro”, garantiu, a concluir.

Futuro Prosa e teatro também cativam mas profissão pode não passar pela escrita

Apesar de ter a poesia no topo das suas preferências, também prosa e teatro cativam a atenção de Vasco Leal, ainda que “pontualmente”. “De vez em quando acabo por escrever prosa, mas é raro, e um pouco de teatro, também para alguns trabalhos ou simplesmente porque tenho vontade de escrever em formato de peça”, conta.

Na escrita teatral, acrescenta, o que o cativa são “sobretudo as partes em que dá para colocar alguma comédia no argumento”. Com alguns trabalhos já acumulados, diz estar em ‘cima da mesa’ a possibilidade de vir a publicar um segundo livro, mas “não para o imediato”.

“Não digo que não possa acontecer, mas agora é para reflectir sobre este livro e para ir acumulando poemas novos, para que, quando chegar a altura adequada, conseguir já ter textos prontos para compilar”.

Para o futuro “a longo prazo”, diz não saber ainda “que profissão seguir”. A única certeza que tem é que tenciona “continuar a escrever”. “É pouco provável que esteja totalmente relacionada com a escrita porque muitas vezes, infelizmente, a escrita não é tomada como actividade principal. A maioria dos escritores actuais tem outra profissão associada. A minha ideia é, na altura, ter a liberdade para decidir isso”

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