29 Novembro 2021, Segunda-feira
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CDU rompe acordo com PSD e ‘salva’ PS na Assembleia Municipal

Geringonça para a Assembleia Municipal desfeita. CDU queria sigilo sobre o compromisso até à tomada de posse. João Afonso (PSD) acusa comunistas de faltarem à palavra

 

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A CDU rompeu, ao final da tarde da última sexta-feira, o acordo que havia assumido com o PSD para votar a favor da lista que os social-democratas vão apresentar hoje para a constituição da Mesa da Assembleia Municipal do Montijo. A tomada de posse dos órgãos municipais está agendada para mais logo, às 17h30, nos Paços do Concelho, e o recuo dos comunistas permitirá viabilizar Catarina Marcelino e o PS na liderança do órgão, em detrimento de Ana Dias Neves que encabeçará a proposta social-democrata.

A CDU alega “quebra de sigilo” como justificação para voltar atrás na decisão de apoiar o PSD. Isto depois de O SETUBALENSE ter noticiado, na edição de sexta-feira passada, a existência do compromisso entre as bases das duas forças políticas.

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João Afonso, reeleito vereador e líder da estrutura local dos social-democratas, revela que foi surpreendido ao final da tarde de sexta-feira.

“Ligaram-me, por volta das 18h30. Em conferência telefónica, Avelino Antunes, até agora líder da bancada da CDU na Assembleia Municipal, Francisco Salpico, que foi cabeça-de-lista a esse órgão, e Ana Baliza, que foi candidata à presidência da Câmara, transmitiram-me que ‘as campainhas tocaram todas’ no partido pelo facto de se saber publicamente da existência do acordo, o que inviabilizava esse mesmo compromisso”, disse. Segundo o social-democrata, a CDU “queria fazer o acordo por debaixo da mesa, sem que houvesse conhecimento da população”.

“Expliquei que isso era impossível e que não temos de esconder nada. Não é possível fazer segredo de um acordo que envolve todos os partidos, nem isso faz sentido. Até porque, devíamos ser transparentes e informar a população desse acordo”, conta o líder da estrutura local do partido laranja. Mas a CDU considerou que o facto de o acordo ter sido divulgado antes da eleição de hoje tornou-se “numa situação impossível de gerir internamente”, adianta o responsável social-democrata.

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“Disseram que isso criou um grande problema dentro do partido, do PCP, e que era impossível manter o acordo”, reforça João Afonso, ao mesmo tempo que não reconhece solidez ao argumento dos comunistas. “Acho é que a CDU não esteve de boa-fé no processo. Não quis assumir o acordo. Eventualmente existiram grandes cisões dentro da CDU, com um conjunto de militantes e dirigentes mais conservadores a opor-se e tiveram de recuar não levando o acordo até ao fim”, considera. “Concluo que provavelmente a CDU esteve a fazer ‘bluff’ e que o acordo iria cair no dia da tomada de posse, mesmo que não tivesse sido público. É o que me parece”, afirma.

“Preferem dar a mão ao poder caduco do PS”

O autarca do PSD confessa que ainda tentou no sábado levar a CDU a reconsiderar, uma vez que “a reacção da população à notícia foi muito positiva”.

“A maioria da população do Montijo queria este acordo, que tinha apoio de praticamente todas as forças políticas. Transmiti isso hoje [sábado] à CDU, na pessoa de Avelino Antunes, numa derradeira tentativa de recuperar o acordo”, salienta. No entanto, “a CDU manteve-se irredutível”.

“O PSD fez o que era possível para inverter um pouco a situação na Assembleia Municipal. Temos uma presidente [Catarina Marcelino] que nos últimos quatro anos violou repetidamente o regimento e foi parcial, o que é compreensível porque é uma pessoa dependente da política e do PS. Fizemos um esforço com a CDU e os outros partidos para termos uma solução mais democrática, que pudesse defender melhor os interesses da terra e foi para nós uma grande desilusão verificar que a CDU não tem palavra, que falhou e que esteve de má-fé no processo”, atira o social-democrata, que reforçou as críticas ao comportamento da coligação liderada pelo PCP. “A CDU preferiu dar a mão a um poder caduco do PS, salvar o PS, ao invés de ajudar a uma alternativa democrática no Montijo. É uma decepção.” Ainda assim, João Afonso deixa um apelo à CDU. “Que honre os seus compromissos – coisa que diz ter no seu património, mas que não está a acontecer –, que repense a sua posição, não vá atrás dos radicais e olhe pelo interesse da população. Se não inverter a sua posição e ficar do lado do poder caduco do PS, os montijenses avaliarão na altura certa.”

Certo é que o PSD vai mesmo apresentar mais logo a lista para a mesa do órgão, com “Ana Dias Neves como cabeça-de-lista, Isabel Grosso como 1.º secretário e Pedro Ilhéu como 2.º secretário”, garante.

CDU confirma acordo e ruptura com PSD

Em declarações a O SETUBALENSE, Avelino Antunes confirma que a CDU tinha assumido o acordo com o PSD e que a decisão de romper o compromisso foi motivada por uma quebra de sigilo.

“Deixou de haver entendimento, porque tínhamos falado em vários pressupostos e um deles seria manter em sigilo o acordo até à realização da tomada de posse”, admite o comunista. E acrescenta que somente hoje é que a CDU irá decidir o sentido de voto para a eleição da Mesa da Assembleia Municipal.

“O mais importante para a CDU é colocar um regimento capaz na Assembleia e também na Câmara Municipal”, sustenta, sem deixar de sublinhar que a ruptura do acordo com o PSD não implica que os partidos não possam continuar a convergir nessa matéria. O entendimento sobre as alterações a fazer aos dois regimentos eram, de resto, a parte fundamental do compromisso estabelecido entre as duas forças políticas (ver caixa).

Para a Assembleia Municipal, o PS conseguiu 7 mandatos mais 4 por inerência, o PSD/CDS/Aliança 7, a CDU 4 mais 1 por inerência, e Chega, Bloco de Esquerda e Iniciativa Liberal 1 cada.

João Afonso revela contornos do compromisso ‘secreto’

O acordo entre PSD e CDU para dar a liderança da Assembleia Municipal a Ana Dias Neves começou a ser desenhado na passada segunda-feira por iniciativa dos social-democratas. E foi consumado a meio da semana.

“Ficou fechado na noite de quarta-feira numa reunião presencial, que decorreu no Montijo, no escritório de uma pessoa amiga que esteve presente, após contactos preliminares iniciados dois ou três dias antes”, admite João Afonso. Na reunião participaram, além de João Afonso e Ana Dias Neves, pelo PSD, Avelino Antunes, Francisco Salpico e Ana Baliza, pela CDU, bem como um sexto elemento.

“Acordámos que a CDU iria votar a favor da lista do PSD, desde que o Chega não fizesse parte dessa lista. Ficou assente que a lista seria então composta exclusivamente por elementos do PSD ou de PSD e CDS-PP”, revela o social-democrata. O compromisso assentava na viabilização, em conjunto, de novos regimentos para  Assembleia e Câmara Municipal.

“Para a Assembleia Municipal o objectivo passava por os partidos terem mais tempo no período antes da ordem do dia. Ou seja, a ideia da CDU era repescar o regimento que existia no tempo em que a Dra. Maria Amélia Antunes presidia à Assembleia Municipal”, explica. “Quanto ao regimento da Câmara visava a alteração do início das reuniões do executivo das 15h00 para as 20h00, a transmissão em directo das sessões e não permitir a destruição das gravações áudio das reuniões como acontece actualmente. O que era e é consensual face ao posicionamento de PSD e CDU no último mandato”, esclarece João Afonso.

Além disso, foi ainda abordada a tomada de posse da Assembleia de Freguesia de Sarilhos Grandes. “Assumimos que iríamos votar a favor do executivo a apresentar pela CDU. E vamos manter essa nossa posição, de princípio, que é a de viabilizar os executivos”, garante o líder do PSD Montijo, a concluir.

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