26 Outubro 2021, Terça-feira
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Oitenta e sete directores e coordenadores do Hospital de São Bernardo demitem-se ‘em bloco’

Ordem dos Médicos e Sindicato dizem que plano do Governo não é suficiente para resolver problemas

 

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No total, 87 membros com cargos de direcção do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) apresentaram a sua demissão, depois de Nuno Fachada, director clínico, renunciar ao cargo em “grito de revolta”.

A Ordem dos Médicos, na voz do bastonário Miguel Guimarães, e os sindicatos Independente e da Zona Sul têm opinião unânime: o plano do Governo em contratar dez profissionais de diferentes especialidades não é suficiente para resolver a “situação dramática” em que se encontra o CHS.

Em reunião hoje realizada entre os directores de serviço demissionários do Hospital de São Bernardo e a Ordem dos Médicos, solicitada “na sequência do agravamento dos problemas na instituição”, Miguel Guimarães explicou que actualmente os médicos a trabalhar no CHS “são poucos, multiplicam-se em horas extraordinárias e muitos deles estão em exaustão”.

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Por este motivo, e apesar de considerar que “são melhores dez médicos do que médico nenhum”, diz que “o Estado tem de ir mais longe”. Como exemplo reforçou o testemunho dado anteriormente pelo director do serviço de Ginecologia de Obstetrícia, Pinto de Almeida, em que “se os dez médicos fossem contratados para o serviço, não eram suficientes para cobrir as necessidades neste momento”.

Antes, acompanhado pelo presidente da secção sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, fez questão de mostrar o seu “respeito e solidariedade para com Nuno Fachada“, director clínico do CHS que se demitiu do cargo no fim do passado mês num “grito de revolta” devido “à ruptura dos serviços de urgência, blocos operatórios, oncologia, maternidade, anestesia, entre outros”.

Em seu apoio, também a “restante direcção clínica, directores de serviço e de departamento, coordenadores de unidade e comissões e ainda chefes de equipa de urgência” apresentaram a sua demissão, “num total de 87 assinaturas”.

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Este é “o último grito de alerta para a situação desesperante do Centro Hospitalar de Setúbal”, justificou Nuno Fachada, para em seguida apelar a que “se acabe de uma vez por todas com a fuga dos médicos e de outros profissionais e com a falta de meios e condições”.

“É o momento de se cumprir o prometido. O Centro Hospitalar de Setúbal tem que ser reconvertido para o ‘grupo D’ dos hospitais, ou seja, deixar de ser financiado como um simples hospital distrital e passar a ser uma unidade multidisciplinar”, defendeu.

De acordo com o director clínico demissionário, este passo de “todos os médicos responsáveis não é um baixar de braços, mas exactamente o contrário, também porque o Hospital de São Bernardo não está a conseguir responder à sua população”.  “Queremos trabalhar e exercer o nosso trabalho com responsabilidade, com conhecimento, segurança e competência”, revelou.

Jorge Cortez, director do departamento de anestesia, foi um dos profissionais a proceder à renúncia do contrato. “Neste momento temos 50% das salas a funcionar porque não há um número suficiente de anestesistas que permita sequer voltar à normalidade”, confessa.

Já António Meleiro, director do serviço de Oncologia, que também se demitiu, explicou a sua decisão: “A minha especialidade é pneumologia e estou a gerir a oncologia porque este serviço, durante o ano de 2019 e primeiros meses de 2020, quase colapsou, o que fez com que mais de dois mil doentes ficassem sem médico”.

No entender de João Proença, presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, “é muito importante que se perceba que é preciso negociar, mudar completamente a formação das carreiras e promover e motivar as pessoas”.

Em seguida, Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, deu conta de que os profissionais, “com este grito de alerta pretendem simplesmente salvar o hospital e exigir investimento do Serviço Nacional de Saúde”.

“Apelo para que o poder político perceba que estes colegas responsáveis das várias unidades deste hospital, numa adesão maciça, merecem respeito e solidariedade e toda a disponibilidade para que este grito seja devidamente ouvido”, reforçou.

Para o bastonário da Ordem dos Médicos, o facto de os profissionais serem “humanistas e solidários é que tem permitido que o Hospital de Setúbal consiga continuar a dar uma resposta, ainda que, neste momento, não seja a resposta que os setubalenses querem”.

“[A população] quer boas condições de internamento, quer acessos mais fáceis aos cuidados de saúde, quer uma resposta semelhante àquela que acontece noutras capitais de distrito”, garante.

O colmatar das necessidades dos cidadãos passa pelas obras de ampliação do CHS. “Não podemos esperar mais. Deixo um apelo ao Ministério da Saúde, para que rapidamente resolva esta situação. É verdade que não é uma situação única no País, mas é provavelmente a situação mais aguda neste momento”, revela.

Enquanto isso, Nuno Fachada sublinha que se a intervenção “for feita para condensar o resto do Centro Hospitalar de Setúbal, ainda vai ficar pior em termos de colapso da capacidade de resposta”. “Se servir para lá meter o Outão e o Centro Psiquiátrico Ambulatório então ainda vamos ficar piores”, confessa.

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