19 Maio 2022, Quinta-feira
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Mata irmã à pancada na Quinta do Conde em estado psicótico após ordem de expulsão

Homem de 62 anos que matou irmã de 61, está a ser julgado no Tribunal de Setúbal

 

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Mahyar Shokouhi, iraniano de 62 anos, matou a irmã de 61, que o acolhia em casa, à pancada durante um estado psicótico. O julgamento começou esta terça-feira no Tribunal de Setúbal, onde o arguido responde por homicídio qualificado.

O homem tinha recebido ordem de expulsão da casa onde vivia há cinco anos na Rua José Relvas, na Quinta do Conde e durante um surto psicótico, agrediu e asfixiou a irmã até à morte.

O homicídio deu-se no dia 18 de Setembro de 2020 em casa onde a vítima vivia com o marido, filhos e irmão. De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), no dia do crime, enquanto suspeito e vítima estavam sozinhos em casa, Mahyar Shokouhi surpreendeu a irmã enquanto esta estava sentada no sofá e matou-a à pancada.

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A vítima tentou defender-se, mas não conseguiu resistir às violentas agressões na cabeça e face. O arguido acabou por matá-la por asfixia. O relatório de medicina legal aponta para “traumatismos violentos e múltiplos” na face e cabeça da vítima, que faleceu por “esganadura”.

A investigação apurou que a relação entre os irmãos era pautada por discussões desde que este se tinha mudado para casa da irmã, cinco anos antes. Desde aí que era seguido no Hospital de São Bernardo devido à perturbação psiquiátrica de que padecia.

De acordo com a acusação, devido às crescentes discussões entre ambos, o casal disse ao arguido que teria que abandonar a residência até ao início de Setembro, o que não se verificou. Semanas depois, deu-se o homicídio.

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O MP entende que o arguido deve ser institucionalizado, uma vez que pode repetir idênticos crimes se for colocado em liberdade. O arguido foi, em 2016, diagnosticado com uma “psicose afectiva, muito provavelmente, perturbação esquizo-afectiva” e estava a ser seguido no Hospital de Setúbal.

Após o crime, o suspeito foi lavar-se à casa de banho e saiu de casa. Vagueou pela Quinta do Conde no próprio carro e tentou cortar os pulsos, mas sem sucesso. O marido da vítima chegou a casa pelas 18:30 horas e ao ver o corpo da mulher numa poça de sangue, entrou em pânico. Saiu para a rua aos gritos, pediu auxílio aos vizinhos e alertou as autoridades.

A vizinhança mostrou-se surpreendida. Todos desconheciam a existência de quaisquer distúrbios dentro da casa do homicida e vítima. Diziam que a mulher era bastante simpática, mas o irmão não era tão afável.

A GNR e a PJ de Setúbal acorreram ao local e apuraram que o principal suspeito seria o irmão, que vivia naquela casa que não tinha sinais de arrombamento. Horas depois, às 21 horas, o suspeito passou de carro pela residência, para perceber se havia movimento policial e pôs-se em fuga na sua viatura.

Foi identificado pelas autoridades que partiram no seu encalce. Percorreu cerca de um quilómetro em marcha lenta até que foi interceptado pela GNR e PJ e foi detido pelo crime de homicídio qualificado.

Foi transportado para o hospital para tratamento aos ferimentos ligeiros nos pulsos, devidos aos cortes, e detido pela Polícia Judiciária de Setúbal. Está em prisão preventiva no Hospital Prisão de Caxias.

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