26 Outubro 2021, Terça-feira
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Habitação ‘social’ gera atrito entre Maria das Dores Meira e Inês de Medeiros

Mobilidade e transportes cria consenso no debate em Almada, com os sete cabeças-de-lista a defenderem expansão do Metro Sul do Tejo à Costa de Caparica

 

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O tema da habitação, um dos vários levantados no debate promovido ontem por O SETUBALENSE em Almada, a partir do Fórum Romeu Correia/ Auditório Fernando Lopes Graça, foi o que mais gerou atrito entre os sete candidatos à presidência da Câmara Municipal, com Maria das Dores Meira, cabeça-de-lista pela CDU, a acusar Inês de Medeiros, que se recandidata à autarquia pelo Partido Socialista (PS), de “criar fabulações”.

“Fico pasmada com a lata da candidata do PS. De facto, só de uma grande actriz”, avançou a candidata comunista, em resposta à actual presidente do município almadense, que garantiu que o trabalho feito na área da habitação “em quatro anos foi gigantesco”.

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“No mandato de 2013/2017 foram entregues 230 habitações. Está no PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] a construção de 3 500 fogos de habitação de renda acessível por parte do IHRU [Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana]. Não vislumbramos nesta proposta [do actual executivo] de Estratégia Local de Habitação [ELH] uma única habitação de renda apoiada. É preciso reabilitar as habitações que já existem”, refutou Dores Meira, que preside a Câmara Municipal de Setúbal.

Já a cabeça-de-lista socialista, que venceu e afastou a CDU do poder, garantiu que o protocolo com o IHRU “inclui renda apoiada e acessível”, estando também focado “na questão das jovens famílias, para se poderem instalar em Almada”. “Não temos a pretensão de conseguir fazer 900 fogos em quatro anos, por isso propomos a construção de 450”, acrescentou, para, imediatamente depois, concordar com a intervenção de Joana Mortágua, candidata pelo Bloco de Esquerda, que disse não existirem actualmente “casas para entregar”.

“Estes projectos vão de facto existir, com o IHRU e o 1.º Direito [Programa de Apoio ao Acesso à Habitação], mas não vão dar resposta imediata”, explicou a bloquista, eleita em 2017 vereadora.

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Já Nuno Matias, candidato da Coligação Almada Desenvolvida (PSD/ CDS-PP/Aliança/MPT/PPM), defendeu ser necessário encontrar “uma solução para o problema do II Torrão ou das Terras da Costa”.

“Para isso precisamos de evitar que quando [quem ali vive] sai, que apareçam outras [pessoas] ou que cresçam novas soluções que fazem negócio com aquela habitação clandestina. A estratégia é de fiscalização e irradicação de barracas em Almada”, disse o actual vereador do PSD com os pelouros dos Espaços Verdes, Ambiente e Energia.

Em seguida, trouxe para ‘cima da mesa’ a ELH, que deverá contemplar, no seu ponto de vista, “soluções que envolvam não o Governo central, mas investidores locais”. “Quando se vai construir, pode haver a possibilidade de se transformar algumas das taxas que são pagas ao município em fogos, que ficam à disposição do programa de realojamento, mas não apenas. Defendemos o programa de arrendamento para jovens. Não podemos deixar de tentar criar condições para fixar os almadenses em Almada”, afirmou.

Por seu turno, Vítor Pinto, que concorre à edilidade pelo PAN, interligou o tema “às questões ambientais”. “Das oito mil pessoas que precisam de ser realojadas, a maior parte está alojada nas zonas que vão ser afectadas pela subida do mar. Com as alterações climáticas, o que estamos à espera que aconteça nas próximas décadas?”, questionou.

A partir da sua própria interrogação, explicou que “o PAN olha para a habitação de duas formas: a social e a de custos acessíveis”. “Na realidade, realojar pessoas que têm habitações precárias no Monte de Caparica afecta a classe média e os jovens. A Câmara tem de ser um actor interveniente no mercado imobiliário, para modelar os preços. Isso faz-se adquirindo imóveis no centro da cidade”, garantiu.

O candidato à presidência da autarquia pelo Chega, Manuel Matias, relembrou que “em 47 anos, este problema foi sempre aumentando”. “Há que ter coragem de enfrentar o poder central. É um flagelo e não há dinheiro. Nós achamos que os bairros sociais não podem ser guetos. Tem de haver respostas transitórias, de forma a que as famílias possam resolver e elevar-se socialmente”, realçou.

Já Bruno Coimbra, cabeça-de-lista da Iniciativa Liberal (IL), que se expressou “arrepiado” nesta matéria, começou por levantar uma questão: “A habitação é que está cara ou nós é que ganhamos pouco?”.

No entanto, reconheceu que “a habitação social é uma questão crónica”, não sem antes ‘lançar farpas’ ao candidato do PAN, ao perguntar: “Mas nós queremos que a Câmara de Almada seja uma Remax? Vou construir casas para depois meter rendas acessíveis para os jovens? A Câmara Municipal não pode ser uma agência imobiliária”.

Metro Sul do Tejo à Costa consensual entre cabeças-de-lista

Conhecidas também as propostas dos sete cabeças-de-lista, focadas na proximidade à população e em questões como a educação, cultura, desporto e alterações climáticas, o jornalista de O SETUBALENSE Humberto Lameiras introduziu o tema da mobilidade e transportes, focado na expansão do Metro Sul do Tejo à Costa de Caparica, projecto consensual entre os candidatos.

Depois de destacar que “das 34 novas linhas [de transportes rodoviários], 22 é que são, de facto, municipais”, Maria das Dores Meira (CDU) afirmou que o concelho “continua a não ter frequência”. “Estava no nosso [gestão CDU] Plano de Urbanização de Almada Nascente a questão do túnel de Cacilhas. O Metro Sul do Tejo devia continuar de Cacilhas até à outra margem”, comentou.

Enquanto isso, Inês de Medeiros (PS) disse querer “que o metro estivesse inserido no PRR”. “O Governo considerou que o prazo de execução era muito curto e decidiu colocá-lo no Plano Nacional de Investimento. Nós continuamos a insistir que não apenas deve e vai chegar até à Costa de Caparica, mas que também não se esgote aí”, sublinhou.

Para Nuno Matias (Almada Desenvolvida), vereador que diz não querer ser deputado em mais lado nenhum a não ser em território almadense, “não há dúvida de que o metro tem de chegar à Costa”. O cabeça-de-lista considera, contudo, que “aquilo em que não devia de ter havido dúvida era na sua implementação”.

“Nós sabemos que a Costa é fundamental, mas é também fundamental haver uma interligação para a Charneca. Tem de haver uma rede de mobilidade integrada, que articule os diferentes modos de transporte”, refere.

A bloquista Joana Mortágua, candidata pela terceira vez ao município, começou por relembrar que o projecto do Metro Sul do Tejo “vem de 2002” e que “não se sabe como é que vai ser financiado”. “Não sabemos nós, porque a candidata do PS disse ter garantias do primeiro-ministro / secretário geral do PS de que o metro era para avançar”, disparou.

No entender de Vítor Pinto, “a incapacidade de fazer chegar o metro de superfície até à Costa de Caparica impossibilita o centro da cidade de receber um milhão de pessoas que a Costa recebe em Agosto por cada fim-de-semana”.

“De facto, o PAN defende uma transição entre a mobilidade individual e a colectiva, entre a mobilidade rodoviária e a ferroviária, e o metro de superfície tem uma palavra muito importante a dizer”, realçou.

Sobre esta matéria, Manuel Matias (Chega), cujo principal objectivo é “combater a corrupção através de uma auditoria às contas dos dois últimos mandatos”, comentou ser necessário “que se retome a luta e que se exija que o projecto se concretize”. Ainda sobre a mobilidade em Almada, o candidato, que desempenha actualmente a função de assessor de André Ventura na Assembleia da República, destacou uma terceira travessia sobre o Tejo.

Ao nível do transporte rodoviário, Inês de Medeiros salientou o “aumento significativo do número de novas carreiras, intermunicipais e municipais, e o aumento do número de frequências”, afirmando ainda ter ficado “surpreendida quando a CDU criticou a proposta”. “As pessoas vão ficar certamente surpreendidas por saber que uma força política que acha que ter autocarros de 5 em 5 minutos é algo de muito prejudicial”, disse.

Maria das Dores Meira (CDU) explicou a crítica, ao afirmar que aumentar a frequência “cria estrangulamento no centro da cidade, ao invés de criar espaços intermodais”.

Em destaque estiveram igualmente os serviços da Flexibus e do comboio turístico Transpraia, vistos por todos os candidatos como uma solução necessária para a mobilidade da população.

Com este encontro em Almada, O SETUBALENSE concluiu o ciclo de debates entre os candidatos da Península de Setúbal e do Litoral Alentejano. A iniciativa foi desenvolvida em parceria a Rádio Sines, a Rádio M24, a Popular FM, o jornal ‘O Leme’ e a empresa Morning Panorama, responsável pela transmissão em directo das emissões.

Innovation District Candidatos aguardam por evolução do projecto

A opinião é consensual: os candidatos aguardam pela evolução do “Innovation District”, por considerarem ser “um projecto estruturante” para o concelho, capaz de “alavancar um conjunto de investidores” enquanto “pólo de inovação e tecnológico”.

No entanto, Maria das Dores Meira (CDU) diz considerar meramente “uma ideia, porque ainda não passou disso”. Classificando como “Illusion [Ilusão] District”, a cabeça-de-lista comunista explicou que o projecto “não tem sequer PDM[Plano Director Municipal] que lhe sirva de base de sustentação”.

“Há uma série de ideias, há esboços, não há quase nada aprovado. Isto a acontecer é extremamente importante para o desenvolvimento de Almada, mas tem é de haver debate de ideias e verdade”, defendeu.

Para Joana Mortágua, que diz que “o desenvolvimento de pólos tecnológicos, ligados à investigação científica, são benéficos para o concelho”, o importante é “saber que tipo de contrapartidas é que deixa no município e que regras de ocupação do espaço público é que cumpre”.

Bruno Coimbra (IL) considera também que será “um projecto que colocará Almada no pódio”, mas diz ser importante não esquecer “a questão do metro”. “Temos de ter cuidado com o traçar do metro, para poder impedir que as alterações climáticas avancem por aí”, salientou.

Manuel Matias (Chega), por sua vez, diz-se “céptico do projecto”, por ter “receio que este esteja a ser vendido como uma falsa ilusão, como já foram feitos no passado outros megaprojectos e que, com isso, se engane os almadenses”. “Gosto da ideia, mas temos dúvidas”, afirmou.

Sobre esta matéria, Vítor Pinto (PAN) disse concordar com o Innovation District, “desde que ele salvaguarde os princípios ambientes na forma como é executado”.

Enquanto isso, Nuno Matias (Almada Desenvolvida) vê o projecto como uma “âncora para Almada”, realçando que é uma “necessidade há muitos anos defendida, à volta de um pólo de conhecimento e investimento”. “Através deste projecto, poderá estar alavancado um conjunto de investidores que, com o apoio da Câmara, podem ajudar a ter mais oportunidades de criação de actividades económicas e de emprego”, explicou.

Inês de Medeiros (PS) revelou-se “orgulhosa” do “trabalho feito na criação do grande projecto, muito estruturante, que tem uma vantagem extraordinária, que é trazer a universidade à cidade e a cidade à universidade”.

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