26 Outubro 2021, Terça-feira
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Debate acaba com Joaquim Santos a prometer levar Eduardo Rodrigues a tribunal

O socialista afirmou que a empresa que impugnou o concurso para o hospital tem ligações à CDU. O comunista refutou e garantiu: “O senhor vai responder na justiça por isso”

 

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A mobilidade, a habitação e a educação foram temas centrais no debate com os oito candidatos à presidência da Câmara do Seixal, promovido na última sexta-feira por O SETUBALENSE nos serviços centrais do município. Mas foi a discussão em torno do futuro hospital que acabou por marcar o encontro, quando Joaquim Santos, candidato pela CDU, afirmou que irá participar judicialmente de Eduardo Rodrigues, cabeça-de-lista pelo PS.

E tudo por causa de uma insinuação do socialista, ao fazer um ponto de situação sobre o andamento do processo.

“O hospital está em marcha. Desde 2009 que está prometido pelo PS e em 2011 o PSD parou-o. António Costa retomou-o. Foram lançados os concursos dos projectos que tiveram dois concorrentes. O primeiro ganhou e o segundo impugnou o processo. O segundo é um concorrente indicado por alguém relacionado com este executivo [CDU] e foi quem parou o processo (…) que continua em tribunal”, atirou Eduardo Rodrigues, em resposta ao cabeça-de-lista do PSD, Bruno Vasconcelos, que antes responsabilizara PS e CDU pelo arrastar da concretização do equipamento. “Está desde 2009 prometido pelo PS. A CDU continua sempre a prometê-lo, mas se quisesse tinha-o reivindicado na negociação do Orçamento do Estado”, criticou o social-democrata.

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De permeio, Henrique Freire, candidato pelo Chega, contrariara a afirmação de Eduardo Rodrigues. “A empresa que impugnou tem um historial de obras, nos últimos 10 anos, com autarquias do PS. Mas também do PSD e do PSD/CDS”, frisou, sem deixar de apontar outras empreitadas da mesma empresa na vigência do actual e do anterior governo. “O único motivo que vejo para a impugnação é porque é uma empresa apadrinhada pelo PS”, vincou o candidato do Chega, para acrescentar ainda que o sócio-gerente e arquitecto dessa empresa “está a fazer o projecto para o aeroporto do Montijo”.

E foi já depois de Rui Magalhães, candidato pela Iniciativa Liberal (IL), ter apontado a necessidade de mais centros de saúde no concelho, que Joaquim Santos interveio para responder a Eduardo Rodrigues. E o comunista foi peremptório, rejeitando “liminarmente” a insinuação de que a empresa responsável pela impugnação do processo tenha ligação ao actual executivo. “Essa empresa está relacionada é com o PS, não com a CDU, e quero dizer-lhe que o senhor vai responder na justiça por isso”, disparou na direcção do socialista.

Receios e mais centros de saúde

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Cépticos em relação à capacidade do futuro hospital mostraram-se depois Filipe Damasceno, candidato pela coligação Seixal às Direitas (CDS/PDR/Aliança/MPT), e António Sota Martins, cabeça-de-lista pelo PAN.

O primeiro considerou que o hospital que está em curso não passa de “um hospitalzinho, com 60 camas”. E prometeu, caso venha a ser eleito, que a Câmara avançará com um investimento de “75 milhões de euros” para a construção de um “verdadeiro hospital”, além de defender ainda a atracção de uma outra unidade hospitalar, privada, para o Seixal.

O segundo confessou “apoio total” ao projecto em curso, mas não escondeu preocupação. “Com 12 anos de atraso, tememos que este já não seja um hospital mas um complemento ao Hospital Garcia de Orta.”

Já Francisco Morais, candidato pelo Bloco de Esquerda (BE), admitiu que todos, da esquerda à direita, estão “comprometidos na luta” pelo hospital e, tal como o candidato da IL, focou a necessidade de a autarquia “pugnar por mais centros de saúde” – situação que, de resto, já havia sido também defendida pelos candidatos de PSD, PS e CDU.

Apostas na mobilidade

Moderado por Humberto Lameiras, jornalista de O SETUBALENSE, o debate – realizado em parceria com as rádios Sines, Popular FM e M24, o jornal O Leme e a empresa Morning Panorama – teve em destaque, entre os vários temas abordados, a mobilidade.

Francisco Morais (BE), António Sota Martins (PAN) e Rui Magalhães (IL) foram unânimes na defesa da reivindicação da expansão do Metro Sul do Tejo. O bloquista focou que uma expansão até Barreiro-Moita “é um eixo estruturante para combater o uso do automóvel”.

Bruno Vasconcelos (PSD) garantiu concluir num ano “a alternativa à EN10” e apontou à criação de uma “ponte rodoviária Barreiro-Seixal” e de “duas faixas de rodagem” na Ponte da Fraternidade. Em relação a esta última ponte, Eduardo Rodrigues dobrou a aposta e assumiu o alargamento “para quatro vias”. De igual modo assumiu a conclusão para a EN10 e uma ponte a ligar o Seixal ao Barreiro. Resolver o problema de trânsito “na entrada do Fogueteiro” é outro dos compromissos do socialista.

Henrique Freire (Chega) também defendeu “quatro vias” para a ponte em Corre d’Água e “três vias alternativas” para a EN378. As intervenções na EN10 e na EN378 foram igualmente assumidas por Joaquim Santos, que lembrou a criação recente de “cerca de dois mil lugares de estacionamento” e sublinhou a aposta do município num “novo nó da A2” e em mais transportes públicos, com “aumento de 65%” da oferta, fruto do investimento na Carris Metropolitana.

Já Filipe Damasceno (CDS/PDR/Aliança/MPT) apontou a um “aumento de mini bus” no concelho.

Investir na habitação

A necessidade de investir na habitação gerou consenso entre os candidatos. Francisco Morais apontou desde logo à habitação social, que no Seixal apresenta “uma média de 0,34%, com 222 casas, abaixo da média nacional”. Solucionar os problemas existentes dos bairros em Vale Chícharos e em Santa Marta “é do interesse de todos”, resumiu Henrique Freire. No caso do “bairro da Jamaica”, Filipe Damasceno propõe que seja a população de Amora a definir a forma como devem ser ocupados os terrenos no futuro, através de orçamento participativo.

António Sota Martins admitiu a pretensão de criar uma “rede de habitações públicas” e de “rever os critérios” de atribuição de habitação e Bruno Vasconcelos mostrou-se apostado na habitação para jovens e a custos controlados. O candidato do PSD criticou ainda “a demora nos processos de licenciamento” na autarquia. “Três meses é o prazo máximo” que o social-democrata defende. Eduardo Rodrigues considerou que é possível “rendas a custos controlados e acessíveis” no concelho e indicou também a necessidade de agilizar a máquina autárquica de modo a tornar os processos de licenciamento “mais céleres”.

Algo que Joaquim Santos refutou: “Onde há demora de licenciamentos é em Almada”. O candidato da CDU – que contabilizou um investimento de cem milhões realizado nos últimos quatro anos pela autarquia – admitiu o objectivo de ampliar o parque habitacional municipal com aquisições de forma desconcentrada e, perante a defesa de Rui Magalhães pela aplicação do IMI Familiar e uma maior redução da carga fiscal, defendeu: “O IMI baixa há seis anos consecutivos [no Seixal]”, concluiu.

Educação e economia Polo de ensino superior e turismo são apostas

A educação foi outra das áreas debatidas. Bruno Vasconcelos lançou para cima da mesa a possibilidade de a autarquia criar “um cheque creche” e defendeu a comparticipação para as ATL, bem como um hub juvenil de robótica e a atracção de “uma escola internacional”.

Já Eduardo Rodrigues salientou a necessidade de construção de mais escolas, apontou ao investimento na inovação tecnológica e prometeu passar das “cinco bolsas de estudo” que a Câmara atribui hoje ao nível do ensino universitário para um total de “500”.

Joaquim Santos – que lembrou que o PS foi o único partido que, na Assembleia da República, não votou a favor da Escola de Fernão Ferro – contrapôs com “um projecto extra curricular para 1 500 jovens, de ensino gratuito, em 14 áreas, como programação, animação gráfica ou robótica”. E avançou que a autarquia fechou um princípio de acordo com o Instituto Politécnico de Setúbal para um polo no Seixal.

A criação de um estabelecimento de ensino superior no concelho foi defendida também por Rui Magalhães e António Sota Martins. Reabilitar o parque escolar e remover o amianto dos edifícios foi um dos pontos focados por Filipe Damasceno e ainda por Francisco Morais, com este último a defender um aumento de resposta no pré-escolar. Henrique Freire apontou à criação de habitações para os professores.

Já no âmbito do desenvolvimento económico, fixar empresas de grande dimensão e promover o turismo são dois dos caminhos a seguir que Joaquim Santos defende. O turismo é, de resto, prioridade para Eduardo Rodrigues, que pretende a criação de um porto de recreio, unidades hoteleiras e equipamentos de lazer.

A aposta neste sector foi também observada por Francisco Morais e Rui Magalhães, mas de uma forma mais cautelosa, enquanto Filipe Damasceno apontou à venda da marca Seixal. Bruno Vasconcelos defendeu a criação de uma feira internacional do estudante, ao passo que Henrique Freire acenou com o lançamento de uma feira anual empresarial.

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