24 Maio 2022, Terça-feira
- PUB -
InícioLocalSetúbalCaptar investimento, baixar IMI e aposta em água municipalizada une candidatos a...

Captar investimento, baixar IMI e aposta em água municipalizada une candidatos a Setúbal

Debate está disponível na página de Facebook e no canal YouTube de O SETUBALENSE

 

- PUB -

Há mais a unir os 10 candidatos à presidência da Câmara Municipal de Setúbal do que a separá-los. Pelo menos quando na discussão em generalidade estão alguns dos temas estruturantes para o futuro do concelho. Os caminhos a seguir é que apresentam diferenças. E essa foi uma das evidências colocadas a nu no debate com todos os candidatos, promovido por O SETUBALENSE, em parceria com as rádios Sines, Popular FM, M24, o jornal O Leme e a empresa Morning Panorama, na última sexta-feira, no Cinema Charlot.

A necessidade de captação de investimento e criação de emprego, relacionada com a (re)constituição de uma NUT para o território – primeiro tema lançado para cima da mesa por Francisco Alves Rito, director de O SETUBALENSE que moderou o encontro (disponível no Facebook e canal YouTube deste jornal) – é transversal a todos. André Martins (cabeça-de-lista da CDU) avançou que, em matéria de desenvolvimento económico, tem vindo a falar “com investidores que têm projectos em apreciação” na autarquia. “Nos próximos meses haverá investimento de cerca de 300 milhões de euros”, anunciou o candidato da coligação que elege como prioridade mais e melhor habitação para todos e a aposta na qualificação para atrair investimento. Ao mesmo tempo defende a criação não só de uma NUT III como também de uma NUT II, já que é esta última que permitirá “a distribuição dos fundos comunitários”.

Fernando José (candidato pelo PS e deputado parlamentar) ficou-se apenas por aquela que é a posição assumida pelo Governo: “Iremos caminhar no sentido de restabelecer a NUT III”. E considerou “fundamental” o estreitar de laços entre a Câmara e o Porto de Setúbal no âmbito do desenvolvimento económico. Apostar no turismo sustentável de eventos é um dos caminhos defendidos e daí a necessidade, sublinhada, de Setúbal passar a ter “um pavilhão multiusos”, visto pelo socialista (que defende apostas na habitação e educação) como “um projecto âncora”.

- PUB -

Para Fernando Negrão, também com assento no Hemiciclo e candidato pelo PSD, o anúncio de André Martins de 300 milhões de investimento na forja não merece crédito. “Lembrei-me logo do chinês com o investimento da marina de Setúbal. Não tivemos chinês nem marina”, disparou. E propõe a criação de incubadoras de “startup”, um regulamento municipal para definir taxas, e a constituição de um gabinete de apoio às empresas. Mas a prioridade vai para o investimento na área da saúde.

“Criar mecanismos para atrair empresas com outra força, emprego qualificado, tecnológico e dignificação do trabalho” é parte da receita apresentada por Fernando Pinho (BE), que vincou a urgência de criação da NUT.

Pedro Conceição (CDS-PP) foi mais longe ao resumir o plano que delineou para Setúbal e que visa tornar esta na terceira cidade do País. Um plano que assenta “em quatro pilares – indústria, conhecimento, turismo, e pessoas”, as quais “são o suporte de todo o projecto”. Aumentar significativamente o rendimento da autarquia e dos setubalenses é o objectivo e o turismo deve ser visto como “solução imediata”.

- PUB -

Para Paula Esteves da Costa (PAN) a aposta deve passar por uma estratégia de “economia circular”, com foco no comércio local, mas também pelo turismo sustentável e ecoturismo.

Carina de Deus, que foi a única a defender a saída de Setúbal da Área Metropolitana de Lisboa para conseguir mais fundos comunitários, considera que a construção é o motor da economia. “Se não acabarmos com a derrama e outras taxas, os investidores não vão escolher Setúbal”, juntou, ao passo que Luís Maurício (Chega) salientou a necessidade de criação de uma agência de investimento, aproveitando ao máximo o IPS, para atrair empresas.

Já Fidélio Guerreiro (Nós Cidadãos/PPM) focou a existência de “nove mil desempregados” em Setúbal e considerou prioritário “o investimento, mais empresas, mais emprego”. E Carlos Cardoso (IL) foi peremptório: a formação qualificada deve ser o factor local diferenciador para atrair empresas. “A economia só avança se tivermos mão de obra qualificada”, frisou. Uma NUT II, apontou, é que é fundamental.

Impostos e gestão da água

Em matéria de fiscalidade e gestão da água, a visão é comum. Devolver a gestão da água ao município parece recolher unanimidade e no que toca ao IMI o caminho é a redução.

Fernando José e Fidélio Guerreiro, tal como Carina de Deus (que aponta à criação do IMI familiar e à devolução dos 0.5 de IRS aos munícipes), sustentam um abaixamento do IMI para 0.3. O socialista defende fazê-lo num mandato e promete uma participação variável no IRS de 0.5 para 0.3. Fernando Negrão assume o compromisso de baixar o IRS para 3% e o IMI para 0.40, e a criação do IMI familiar. E André Martins lembrou: “Estamos a baixar o IMI e continuaremos até ao dia em que nos disserem que não podemos mais – é o meu compromisso.”

Carlos Cardoso defende a isenção do IMI “para jovens até aos 35 anos numa primeira habitação de valor até aos 200 mil euros”. Fernando Pinho também aponta à redução do imposto e Luís Maurício assume a posição do partido Chega: acabar com o IMI. Porém, para já, é baixar ao mínimo para “as famílias mais numerosas e empresas”. “Mas não podemos prometer sem conhecer como estão as contas da Câmara. Vamos pedir uma auditoria forense”, avançou. Já Pedro Conceição considera que o IMI familiar “é possível implementar imediatamente”. Mas admite que “baixar sem uma alternativa é difícil devido aos impactes nas contas do município”. Condição também vincada por Paula Esteves da Costa.

De permeio, a actual gestão CDU foi acusada de perseguir trabalhadores municipais por manifestarem opinião diferente à da autarquia. A crítica foi lançada pelo candidato do PS e reforçada pelos candidatos do Chega e do BE. O cabeça-de-lista da CDU disse desconhecer a existência de casos, que Fernando José afirmou terem sido denunciados pelo STAL e pelo sindicato dos bombeiros.

Concessão de estacionamento tarifado deixa CDU quase isolada

O estacionamento tarifado e o acesso às praias mostraram o cabeça-de-lista da CDU quase isolado perante os adversários e o do CDS com a proposta mais destacada no âmbito da mobilidade.

Pedro Conceição propõe criar uma ponte a ligar Setúbal a Troia. Trata-se de uma estratégia que “pretende ser o início da ligação em via rápida até Sines”, servindo também o transporte de mercadorias e assegurando “uma ligação ao Hospital do Litoral Alentejano”.

Fernando José, a par de Carlos Cardoso, revelou-se a favor do estacionamento tarifado na cidade. Porém o contrato de concessão “terá de ser revisto”, porque as zonas residenciais “não devem ter áreas tarifadas”. E defende “uma rede de movimentação ecológica, mini bus em algumas freguesias, além de um projecto de passadiços, pedonáveis e cicláveis, de acesso da Arrábida à cidade.

Fernando Negrão, tal como os outros candidatos, criticou a concessão do estacionamento tarifado por 40 anos. E, como Fernando Pinho, Fidélio Guerreiro e André Martins, defendeu o alargamento do passe promovido pela AML, a custos reduzidos, para a ligação com Troia, face aos preços praticados pela Atlantic Ferries. Neste âmbito, Paula Esteves da Costa, que aposta numa mobilidade suave, intermodal, através da melhoria dos transportes públicos, lançou a hipótese de uma parceria com o município de Grândola.

Luís Maurício propôs acesso livre às praias para os veículos TVE e táxis. E Carina de Deus foi mais longe ao preconizar “a retirada das cancelas da serra da Arrábida” e a permissão de “trânsito num só sentido”.

André Martins defendeu que o controlo do acesso às praias, com base num estudo nacional, foi um acto de coragem do actual executivo, porque “estava em causa a segurança das pessoas”. E recordou que o compromisso da CDU “é criar estacionamento tarifado apenas nas vias onde vai haver requalificação”. Mas a concessão a 40 anos é vista como herança pesada pela oposição e Carlos Cardoso questionou a concluir: “As normas europeias proíbem a ida de carros aos centros das cidades em 2050. Quem vai pagar a indemnização à empresa se o contrato chega até 2060?”

Comentários

- PUB -

Mais populares

Piscina na urbanização dos Fidalguinhos está quase a sair do papel

Obra de 3,5 milhões de euros já tem projecto e concurso pode avançar ainda este ano. Futuro equipamento terá capacidade para cerca de 700...

Cidade perde rede de agentes com chegada da Transportes Metropolitanos de Lisboa

Rede com mais de uma dezena de estabelecimentos, construída pelos TST, desfeita com chegada de nova transportadora, prejudicando utilizadores mais velhos

Jovem sequestrado e violado em casa de banho da estação de comboios de Coina

Rapaz de 16 anos foi abusado por homem de 43. Violador está agora em prisão preventiva
- PUB -