21 Setembro 2021, Terça-feira
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Bruno Coimbra: “Somos alternativa e queremos liderar a oposição em Almada”

O candidato da Iniciativa Liberal à Cámara de Almada afirma assumir compromissos com a apopulação do concelho. Quer baixar o IMI, dar mais oportunidades na educação, atrair mais empresas para o concelho e resolver o problema da habitação pública

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Nascido e criado em Almada há 45 anos, professor do ensino público numa das escolas da Costa de Caparica, Bruno Coimbra afirma-se como independente. Aceitou o convite da Iniciativa Liberal para ser candidato à presidência da Câmara de Almada porque se revê no projecto inovador do partido. Reconhece que Almada é um território político difícil para as suas ideias.

A sua convicção é que o liberalismo é a chave para libertar Almada para seguir no caminho do desenvolvimento social e económico. Afirma ter ideias para ‘dar’ mais dinheiro à população, estratégia para atrair mais empresas para o concelho, acabar com os bairros de lata e reformular a política de habitação pública. Qualifica o actual mandato PS/PSD como “três anos e meio de inacção e seis meses de asfaltação”.

Porque aceitou ser candidato à presidência da Câmara de Almada?

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Aceitei porque não me revejo nesta Almada que me viu nascer. Ao contrário de outros candidatos que apregoam que escolheram Almada, eu digo que Almada me escolheu; Almada está escolhida à partida.

Foi-me apresentado um projecto inovador para o concelho, feito para e com as pessoas, e aceitei porque através de ideias liberais é capaz de promover Almada através de três eixos: Oportunidades para todos, Governação eficiente e Desenvolvimento sustentável.

Este é um programa exequível. Não faço promessas, assumo compromissos.

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Não é filiado na Iniciativa Liberal. Qual o motivo que o faz manter-se independente?

Nunca fui filiado num partido, mas esta não é a minha primeira experiência autárquica. Em 2013 – trabalho na Costa da Caparica – com um conjunto de colegas considerámos que a Costa de Caparica estava estagnada e precisava de uma lufada de ar fresco – um dos problemas actuais é que as pessoas estão alheadas da política -, então com um esforço hercúleo, como independentes, criámos um movimento de cidadania pela Costa, e o fruto foi fantástico; encabecei a lista e fui eleito.

Aceitei este projecto da Iniciativa Liberal, como independente, porque o meu percurso agora é idêntico ao de 2013. Estou com um partido em que posso exprimir as minhas opiniões e fazer opções. Claro que existe uma matriz ideológica, mas é tão abrangente que conseguimos cumprir os desígnios pelos quais nos estamos a candidatar: para os almadenses e pelos almadenses.

Como vê o posicionamento da Iniciativa Liberal num concelho com ADN de esquerda?

Este é um território muito difícil. Esteve dentro da governação CDU e, agora, neste último mandato, do PS/PSD. Com o nosso programa conseguimos ser diferentes. Ouvem-se muitas promessas como: vamos fazer o que não foi feito; mas não foi feito porquê? O actual elenco governativo municipal não pode andar a culpabilizar o anterior; o que temos é três anos e meio de inacção e seis meses de asfaltação.

Em que sustenta a sua afirmação, e do partido, de que o liberalismo pode fazer a diferença em Almada e trazer melhor qualidade de vida aos almadenses?

Uma das grandes bandeiras que o liberalismo preconiza para Almada, e também a nível nacional, é que as pessoas tenham mais dinheiro para o poderem injectar na economia.

Almada tem uma taxa tributária bastante elevada, reporto-me especificamente ao Imposto Municipal Sobre Imóveis [IMI], estamos com 0,36% de taxa – mesmo assim menos do que no concelho de Setúbal com o IMI a 0,43%, e temos uma candidata a Almada que vem da presidência da Câmara de Setúbal [Maria das Dores Meira] -, queremos devolver algum desse dinheiro aos munícipes do concelho. Poderão dizer que reduzir para a taxa mínima, 0,30%, é manifestamente pouco, mas temos outras ideias para fazer com que as pessoas tenham mais dinheiro no final do mês. A liberdade de escolha que o liberalismo promove passa por situações como esta.

É a única resposta às famílias?

O liberalismo defende também a liberdade de escolha; não podemos estar aprisionados a certos critérios, caso da educação: não podemos ficar agarrados a critérios arbitrários e demagógicos como o de ter de inscrever os filhos na escola da área de residência. Porquê não se ter o direito de escolher a escola pública que se quer para os filhos?

Por exemplo: temos uma proposta que é a criação do cheque creche. Almada tem uma deficiência gigantesca ao nível de salas de creche e pré-escolar. De acordo com os dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística, a Charneca de Caparica e a Cosa de Caparica têm vindo a crescer muito em população, mas as pessoas não têm onde pôr as crianças. Por outro lado, numa creche privada o custo por aluno pode ascender a cerca de 300 euros.

A nossa ideia é fazer contratos programa – parcerias – e criar o cheque creche com o qual as pessoas podem escolher onde colocar as suas crianças. É uma proposta exequível, que passa apenas por gerir prioridades.

A Iniciativa Liberal tem cartazes onde afirma: “Menos impostos melhores salários”. Parece ser uma colagem à esquerda. 

Temos uma esquerda que suportou a gerigonça no Governo central, veja-se se isso teve reflexo na carteira das pessoas; será que têm mais dinheiro?

O facto é que as taxas municipais são uma das receitas para que as autarquias possam investir mais na qualificação do território.

A nossa ideia para as famílias de Almada é baixar o IMI para a taxa mínima, e para as empresas congelar a derrama, pelo menos durante quatro anos, em função dos lucros de cada uma. Esta é uma boa medida para atrair empresas, famílias e jovens a fixarem-se no concelho, e assim torná-lo mais próspero. Com isso a Câmara Municipal vai ter retorno de impostos, o que lhe vai permitir investir em melhores estradas, abrir mais salas de creches e pré-escolar.

Estamos disponíveis para fazer tudo o que for possível para devolver qualidade de vida às pessoas, basta definir prioridades. Com a baixa do IMI é preciso compensar como, por exemplo, acabar com os gastos supérfluos, caso do que é feito com a publicidade sobre os serviços da Câmara; isto acontece com o actual executivo [socialista] e já acontecia com o anterior [comunista].

Além do congelamento da derrama, que outros apoios consideram proporcionar às empresas para que consigam alavancar a sua estrutura?

Temos também a celebração de contratos programa em que vamos convidar empresas a fixarem-se em Almada; casos como dinamizar o parque tecnológico Madan, que não está bem aproveitado. É preciso fazer a diferença.

É ainda preciso dizer a Lisboa que não está sozinha neste percurso. Existe apenas um rio que nos separa, temos de dizer às empresas que há condições em Almada tão boas, ou melhores, das que existem em Lisboa para se fixarem.

O vosso slogan de campanha é Mudar Almada. O que elege como primeira linha do que é preciso mudar?    

É preciso resolver um problema que se está a agigantar no concelho: os bairros de lata. Há o caso do II Torrão, [freguesia da Trafaria], que conheço sobejamente bem, – já dei aulas a algumas daquelas pessoas –, sou professor há 25 anos. É um dos maiores bairros de lata da Europa.

São pessoas que têm direito a ter uma vida digna. Diz-se que quem tem de resolver o problema é o Estado, de facto é, mas Câmara Municipal ao ter um problema como este no seu território não pode fazer como diz a música do almadense Carlão: “Assobia para o lado”. Não podemos assobiar para o lado, temos de ter uma estratégia para resolver aquele problema. O primeiro passo é conhecer aquelas pessoas e saber quem lá mora, porque aquele bairro cresce todos os dias, há sempre mais uma barraca.

Reunimos com a vereadora responsável pelo pelouro, [Habitação], Teodolinda Silveira, gostei muito do que ouvi, mas não saí de lá com a certeza do que está a ser feito para evitar que todos os dias apareçam ali mais barracas. Claro que este problema não se resolve em quatro anos, mas poderia ter sido começado. Este executivo PS/PSD gere a Câmara há quase quatro anos; deu algum sinal do que está a fazer para resolver este problema?

Quem nunca viveu a realidade de um bairro social não sabe as dificuldades que se vivem lá dentro. Eu conheço essa realidade.

Se tivesse em mãos o dossier da habitação pública no concelho, o que decidia com celeridade?

Quero ter esse dossier! Nós somos alternativa e queremos liderar a oposição, e esperamos que os almadenses nos dêem esse voto de confiança. O espaço da oposição que seria o PSD deixou de o ser com o acordo pós-eleitoral com o PS para formar o executivo governativo da Câmara.

Um dos meus objectivos é que as pessoas participem na política para o concelho. Fico triste quando assisto às reuniões públicas da Assembleia Municipal, de Freguesia e de Câmara e vejo que são muito pouco participadas; as pessoas não estão interessadas nos desígnios da sua freguesia e do seu município.

Quanto a resolver o problema com a habitação, iremos de imediato pressionar o Estado para intervir e ajudar a autarquia na construção desses edificados. Mas atenção: nós defendemos menos Estado, melhor Estado e mais Liberdade, mas num problema tão complexo como este temos, claramente, de nos socorrer do Estado.

Obviamente que não podemos chegar aqui e realojar milhares de pessoas. A nossa proposta, e inovadora, é promover a construção de novos edifícios e criar um sentimento de pertença de quem os habita. Ou seja, as pessoas contraem um empréstimo a juros bonificados, em que a Câmara Municipal é o fiador, através de protocolos com entidades bancárias, e no final desses empréstimos as casas passam a ser das pessoas. Desta forma teríamos bairros sociais mais bem cuidados.

 O programa da Iniciativa Liberal para o concelho apresenta mais de 50 medidas, com 12 propostas-bandeira. Quais define como prioritárias?

Um dos casos é ao nível dos transportes, e aqui assistimos a greves sucessivas. Pretendemos que sejam abertas concessões à iniciativa privada para que sejam o complemento de carreiras, numa concorrência que faça aumentar e melhorar o serviço prestado aos munícipes. Estou expectante para ver como vai funcionar o novo sistema da Área Metropolitana de Lisboa na gestão dos transportes públicos. Pelo que li na documentação, estão previstas cerca de 41 novas carreiras para o concelho de Almada, vamos ver como vai funcionar o contrato quando ele começar, mas gostaríamos que não houvesse um monopólio. Existem freguesias como a Charneca de Caparica, Sobreda e Costa de Caparica com muito poucos transportes.

Também já apontou problemas ao nível do serviço de saúde no concelho.

Esse é um outro problema que pede urgente resolução. Não podemos ter as urgências pediátricas do Hospital Garcia de Orta fechadas ao fim-de-semana. A Câmara Municipal tem de fazer pressão diária sobre o Governo para que aquele serviço possa reabrir.

Como avalia o actual mandato autárquico em Almada, bipartido entre o PS e o PSD, liderado pela socialista Inês de Medeiros?

Não consigo fazer a destrinça entre PS e PSD. O Partido Social Democrata aceitou ser o pin na lapela do Partido Socialista, portanto aceitou governar abdicando das linhas orientadoras do seu programa que foi descortinado pelos almadenses; tal como já disse, foram três anos e meio de inacção e seis meses de asfaltação e betão, apesar de terem existidos coisas bem feitas. Um dos casos foi o asfaltamento da estrada na Fonte da Telha, as pessoas estão satisfeitas com a obra que ali foi feita. Mas as nossas prioridades são claramente outras, e consideramos que muito mais deveria ter sido feito.

Está a afirmar que a actual gestão do concelho ficou aquém na resolução dos problemas do concelho?    

Sim, como no caso de habitação, transportes públicos e saúde.

 E na educação?

Tivemos um problema gigantesco que não pode ser somente imputado à Câmara de Almada, mas também ao Governo central, e que está relacionado com este período pandémico em que tivemos desigualdades digitais gravosas; já havia as desigualdades sociais agora chegámos também às desigualdades digitais. A maior parte dos alunos, principalmente aqueles que são oriundos das escolas nos chamados Territórios Educativos de Intervenção Prioritária, não tiveram acesso a computadores nem a internet como deve ser.

Pergunta-se: o que a Câmara poderia e deveria ter feito?  A resposta é que não deveria ter ficado à espera que os alunos recebessem os computadores do Ministério da Educação, que vieram a conta gotas. A Câmara deveria ter avançado primeiro para satisfazer as necessidades dos alunos do concelho e, mais tarde, ser ressarcida por isso.

Como professor, choca-me também a falta de salas de creche e de pré-escolar para que a educação chegue a todos. Também é preciso acabar com situações como a Creche 1.º de Maio em que, sendo paga com os impostos de todos, tem como único critério receber os filhos dos trabalhadores da WeMob, dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada e dos serviços da Câmara Municipal. Se é paga com dinheiros públicos, tem de estar aberta à comunidade.

Acredita que a candidata comunista, Maria das Dores Meira, à presidência da Câmara de Almada, poderá devolver a gestão do município à CDU?

Ouvi dizer que a candidata Maria das Dores Meira fez um bom trabalho como presidente da Câmara de Setúbal, mas não nos podemos esquecer que o território de Setúbal é diferente do de Almada. Não me parece que uma gestão da Câmara Municipal com um IMI de 0,43% venha trazer uma lufada de ar fresco ao território de Almada. Consideramos que nós é que somos a alternativa.

A CDU tem políticas que considero desfasadas da realidade; aprisionadas a valores que não se coadunam com os valores da liberdade.

A Iniciativa Liberal estreia-se, a 26 de Setembro, em eleições autárquicas, qual o resultado que espera obter no concelho de Almada?

Teremos o resultado que os almadenses nos quiserem dar. A receptividade às nossas propostas tem sido muito boa, temos feito uma campanha com poucos recursos, com uma equipa jovem disposta a trabalhar. Já visitámos várias instituições, não tantas como gostaríamos porque somos trabalhadores e temos o tempo limitado, mas a receptividade tem sido bastante interessante. Recentemente houve uma sondagem [Expresso/SIC] que nos dá 3% nas autárquicas em Almada, isto quando tivemos um 1,38% nas legislativas. É uma fotografia temporal que nos dá ainda mais vontade de chegar ao eleitorado. Começámos agora e acredito que vamos ter um bom resultado.

Já estão a fazer acções de rua, uma pré-campanha. Qual tem sido a receptividade das pessoas?

Há muitas pessoas que ainda não sabem o que é o liberalismo, tentamos explicar e também quais as nossas propostas. Fazemos também exposição nas redes sociais, o que não é fácil, porque existem facções grandes. Mas nós acreditamos que as pontes e as sinergias são possíveis. Nós somos opções, somos alternativas e estamos cá para liderar a oposição e levar a bom porto as medidas que propomos.

Estamos dispostos, sem abdicar do nosso programa, para fazer pontes em prol dos desígnios dos habitantes do município de Almada.

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