1 Agosto 2021, Domingo
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Nuno Matias: “Se nosso eleitorado das legislativas votar, podemos ganhar Almada”

Cabeça-de-lista da coligação AD – Almada Desenvolvida, confia que projecto moderado de centro-direita tem potencial para alavancar o concelho

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Natural de Almada e um nome forte do PSD no concelho, Nuno Matias lidera nestas autárquics a coligação que integra o seu partido e também o CDS, Aliança, MPT e PPM. No actual mandato, ao lado do também social-democrata Miguel Salvado, que avança em segundo lugar na lista, teve funções executivas na governação socialista de Almada, mas nem considerou a possibilidade de candidatura conjunta do PSD e PS. Sobre a actual presidente socialista, Inês de Medeiros, diz que faz bem em recandidatar-se, mas à candidata comunista, Dores Meira, não poupa em críticas.       

 

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Por vontade de que partido surge a coligação AD – Almada Desenvolvida formada pelo PSD, CDS-PP, Aliança, MPT e PPM?

Foi uma conjugação de vontades que começou há quatro anos quando se abordou essa hipótese, mas na altura não se criaram as condições adequadas para se concretizar. Agora surgiu a oportunidade de termos um projecto mais abrangente neste espaço moderado de centro-direita, para se apresentar com mais ambição aos olhos dos cidadãos.

Confia que a coligação de centro-direita tem peso estrutural e eleitoral para afastar a esquerda, ou esquerdas, do poder em Almada?

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A AD – Almada Desenvolvida não é uma luta entre direita e esquerda. Não temos uma lógica de nós contra alguém. O que existe é um conjunto de pessoas, de partidos com uma visão programática similar, de médio longo prazo, que pode fazer a diferença com um projecto diferente e mais ambicioso com medidas feitas a pensar nos almadenses, e ser vencedor.

Sabemos que se o eleitorado que temos em legislativas votar nestas autárquicas, podemos ganhar as eleições em Almada. Nas legislativas de 2011 este espaço político teve 35 mil votos no concelho e, em 2013, quem ganhou as eleições autárquicas em Almada, com maioria absoluta, [CDU] teve 23 mil votos. Portanto, há aqui um potencial em que se a abstenção baixar e se o eleitorado que temos nas legislativas votar agora nas autárquicas, a AD é efectivamente um projecto ganhador.

As ideias dos partidos que integram este projecto defendem a criação de valor, no apoio sustentável à vida das pessoas, requalificação do espaço público e respeito pelos cidadãos num princípio moderado no relacionamento com o próximo. Este é um projecto feito por almadenses.

Almadense, como é o seu caso.

Tenho uma relação emocional e de orgulho com esta terra. Tenho 44 anos de idade e 44 anos de Almada, sendo almadense, sinto que o projecto AD pode construir algo que fique para a nossa gente e para a nossa terra. E são muitas as soluções desde a requalificação do espaço público a projectos para uma frente ribeirinha e atlântica mais desenvolvida e sustentável do ponto de vista ambiental, considerando as alterações climáticas.

Sou autarca em Almada há vinte anos, e nunca fui, nem serei, em mais lado algum. Por isso quero liderar um projecto para a minha terra. Foi por isso que não aceitei voltar a ser deputado à Assembleia da República.

No actual mandato, a Câmara de Almada é governada pela coligação, pós-eleitoral, PS/PSD. Houve alguma tentativa de entendimento para que se apresentassem juntos às autárquicas deste ano?

Não. Quando assumimos um acordo de governabilidade com o Partido Socialista foi para o levar até ao fim com a mesma lealdade, com a mesma dedicação e com o mesmo espírito de serviço público; mas como é obvio o PSD tinha, e tem, um projecto que quer liderar. Ora se fui candidato a presidente da Câmara de Almada em 2017, e o objectivo do PSD, enquanto partido da AD, continua a ser ter-me como presidente da câmara, obviamente que não era possível fazer uma coligação com o Partido Socialista, partido que, certamente, quer que a actual presidente, Inês de Mendeiros, e recandidata, continue como presidente.

Fazendo o PSD parte do actual executivo, como vai a AD fazer campanha sem fragilizar o PSD?

Não temos nada a fragilizar nem criticar. Aliás, nós queremos apresentar um projecto pela positiva. Aquilo que sabemos é que Almada, ao longo de várias décadas, perdeu muitas oportunidades. Fizeram-se coisas boas, mas Almada desenvolveu-se muito menos do que devia; e muito menos no aproveitar das oportunidades que poderiam permitir alavancar a melhoria da vida das pessoas, e das empresas. Ou seja, termos mais empresas e melhor emprego, e requalificação de áreas vitais do nosso concelho.

Sabendo nós tudo isto, temos um projecto para acrescentar mais valor. Portanto, vamos fazer uma campanha mostrando exactamente o nosso caminho e as nossas propostas diferenciadas. Também vamos mostrar aquilo que começámos a fazer, porque no fio condutor deste mandato, há muitos pontos que temos em comum com o Partido Socialista, que foi o mais votado há quatro anos [sem maioria absoluta]. Contudo, não temos dúvidas que se fosse o PSD a liderar haveria algumas opções e outros ritmos de execução.

Mas, nestes quatro anos, conseguiu-se governar com estabilidade, houve convergência no decorrer de processos e encontrámos mais soluções e fizemos mais claro. Não se recupera de um atraso de mais de quarenta anos [mandatos da CDU de 1976 a 2017] num só mandato.

Considera que a candidata comunista, Maria das Dores Meira, tem força para levar a CDU a recuperar a vitória em Almada?

A actual presidente da Camara de Setúbal tem toda legitimidade de ser candidata a Almada, isso para mim é inquestionável. Mas acho que mal vai um partido quando usa mecanismos para saltitar de candidatura em candidatura, de município em município, e já ouvi a CDU criticar outros partidos por o fazerem.

Não faz sentido a CDU, que esteve mais de quarenta anos à frente da Câmara de Almada, não encontrar personalidades com percurso político autárquico no concelho para conseguirem protagonizar uma candidatura da coligação. Parece-me um atestado de minoridade em capacidade.

Esta é a primeira prova da incapacidade da CDU ao longo de mais de quarenta anos na Câmara de Almada: nem sequer conseguiu promover gente do concelho com capacidade de liderança para ter agora uma candidatura à Câmara e, portanto, foi buscar a presidente da Câmara de Setúbal. Dores Meira até pode morar em Almada, não sei se sim, mas o certo é que durante os últimos doze anos ouvi-a muitas vezes dizer “somos Setúbal”, a mim ninguém me vai ouvir dizer outra coisa que não seja “somos Almada”.

A motivação de Dores Meira em ser candidata a Almada é porque, por limitação de mandatos, não pode recandidatar-se a Setúbal. Isto é um atestado de menor capacidade aos seus camaradas e não é um bom cartão de visita para os almadenses.

Como comenta o trabalho feito pela actual presidente e recandidata pelo PS, Inês de Medeiros?

Foi uma pessoa que, como nós, [os dois vereadores do PSD] procurou mudar o rumo; mudar a agulha da intervenção no município e fazer mais obra de requalificação do espaço público. Foi um trabalho conjunto para mudar um paradigma e, portanto, acho que procurou dedicar-se, e tem toda a legitimidade de se recandidatar.

O que teria feito o PSD de diferente em Almada se fosse o partido líder do executivo municipal?

Teríamos atraído mais valor para Almada. Este território tem potencialidades que não pode continuar a desaproveitar. Existe aqui oportunidade para ter mais empresas e mais emprego para alavancar a capacidade de investimento.

A linha condutora do PSD sempre foi criar mais valor para investir nas pessoas, e este aspecto central também faz parte do programa AD. Não quero criar mais empresas pelas empresas, quero é criar mais valor para gerar mais emprego e permitir que as pessoas estejam mais perto dos seus locais de trabalho, em vez de passarem horas numa fila de trânsito.

Foi uma pecha do mandato não termos acelerado a capacidade de criação de valor, isso não significa falta de vontade do actual executivo, mas ao longo de 40 anos [governação CDU] muitas frentes ficaram para trás e, em 3 anos e meio, não se consegue fazer tudo de uma só vez. Mas temos a convicção que se fosse o PSD a liderar a Câmara, certamente que poderíamos ter feito diferente, e com um ritmo mais rápido.

O sector da habitação pública é um dos problemas mais agudos do concelho. Aponta responsabilidades ao Governo ou ao procedimento da autarquia?

Responsabilizo todos, não só neste mandato como ao longo destes mais de 40 anos. Sempre disse que não se pode olhar para o território e chutar responsabilidades para o Governo central. Almada teve ao longo de muitos anos o hábito de dizer que tinha barracas porque os governos não faziam, que tinha bairros sociais porque os governos Governo promoveram uma política de guetos; mas nunca se colocava como parte da solução, apenas parte da reivindicação.

Considero que quando há um problema no território, mesmo que não seja competência directa da Câmara, tem de merecer a nossa intervenção e reflexão; no limite, tem de apresentar uma proposta de solução em que uma parte poderá ser feita pela Câmara e outra parte pelo governo.

Em Almada, ao longo de anos, deixou-se incrementar bairros clandestinos, e uma política de guetos e de bairros sociais. A verdade é que nesses bairros há pessoas muito boas que precisam de ser apoiadas e integradas, portanto é necessária uma política de habitação e de coesão social, sustentada.

A AD defende que têm de existir também soluções de habitação para jovens e de construção sustentável que permitam financiar a habitação social. Não faz sentido estarmos a pedir ao Governo para investir, apesar de ter essa missão constitucional, e a autarquia conviver com centenas de pessoas a morar em barracas sem controlar o crescimento de habitação clandestina. Tem de existir uma política de habitação e de erradicação de barracas pela positiva.

Não tendo a Câmara capacidade para, sozinha, realojar todas as pessoas, quais as soluções? 

Ter um modelo sustentável de realojamento em que, por exemplo, uma parte pode estar linkada com quem constrói habitação para colocar alguns fogos à disposição da Câmara, ou para habitação jovem ou mesmo para realojamento. Com isto conseguimos ter mais fogos disponíveis – temos muito poucos para as necessidades de realojamento – e, ao mesmo tempo, ter um projecto sustentável.

Só para realojar as pessoas dos bairros clandestinos de barracas, a Câmara teria de gastar cerca de 60 milhões de euros, verba que para uma câmara como a de Almada significa quase três anos de investimento do orçamento municipal. Portanto, tem de existir aqui capacidade criativa e visão estratégica para criar instrumentos de concretização que não sejam exclusivamente dinheiros públicos, daí o envolvimento de promotores que queiram construir habitação no concelho, ou de empresas que queiram investir nas pessoas.

A gestão da rede viária no município é um dos pelouros do PSD, na responsabilidade de Miguel Salvado. Em que ponto está este dossier?

Esse é um dos temas onde, às vezes, é chocante ouvir alguma crítica da CDU que, nesta matéria, ao longo dos anos fez a política do longe da vista, em que algumas das freguesias do concelho eram quase como filhos e outras parentes afastados. Na realidade, tínhamos muitas ruas que não eram arranjadas há muitos anos, muitas delas nem passeios tinham. Chagas relacionadas com áreas urbanas de género ilegal, sem soluções.

Neste mandato, e neste executivo, fez-se um plano constante de intervenção nas infra-estruturas que permitiu recuperar muito. Mas lá está, mais uma vez, não se consegue fazer em três anos e meio aquilo que não foi feito em mais de 40.

As pessoas pagam os seus impostos e querem ter arruamentos minimamente dignos, com passeios e iluminação pública digna. Querem ter o máximo de limpeza. Querem ter alguns equipamentos de apoio que lhes permitam viver com qualidade.

Hoje temos um Parque da Paz com 60 hectares, que aumentámos este ano em mais quase sete hectares, mas em simultâneo aumentámos a oferta com um novo parque urbano em Vila Nova da Caparica, e já estamos a preparar mais dois. São espaços urbanos, espaços verdes de enquadramento que ajudam a melhorar a qualidade de vida das pessoas. Ou seja, desde a rede viária, ao parque urbano, passando pela requalificação do espaço público, houve muita coisa que Almada não tinha feito. Ou então, quando fez, fez mal.

Ainda há pouco tempo, achei inacreditável quando ouvi uma candidata dizer que queria ter o Metro Sul do Tejo subterrâneo [Dores Meira]. Achei inacreditável porque quando foi possível que ele fosse subterrâneo, ou pelo menos ter troços subterrâneos, foi essa força política [CDU] que não quis. Depois de ter feito a asneira, sabendo que corrigi-la é praticamente impossível, do ponto de vista orçamental, e nem nunca poderia ser a Câmara a fazê-lo. Diria que é irrealista e é até sínico e hipócrita estar-se agora a propor aquilo que não se defendeu aquando da sua criação.

O território concelhio é considerado sensível do ponto de vista ambiental e, sendo o pelouro do Ambiente da sua responsabilidade, o que foi feito e o que há ainda a fazer neste sector?

Neste mandato temos apostado a dois níveis. Um, a educação e a sensibilização ambiental, porque é fundamental que as pessoas percebam que as alterações climáticas não são um chavão, é algo que está já no meio de nós. Por isso temos que ter políticas de adaptação, mitigação e soluções como são os parques urbanos com espaços verdes e com grandes artérias cada vez mais arborizadas que minimizem as ondas de calor urbano, que também geram efeitos para as alterações climáticas.

Outra aposta é intervir no território, protegendo-o. Temos uma frente atlântica que é única, mas que está muito vulnerável aos efeitos das alterações climáticas, por isso, temos vários projectos, cada vez mais incrementados, para a monitorização da costa, para a defesa do mar, e para aumentar a capacidade e resiliência das nossas praias.

Na frente ribeirinha, quando se fala, por exemplo, em reabilitar o Ginjal, que é um investimento iminentemente privado, é fundamental um modelo para que que seja protegida. Estamos a falar de uma área que é galgável, a médio e longo prazo. Ou seja, Almada tem que reconhecer as suas características de espaço e as suas características naturais, tem de saber defender-se com medidas de mitigação e adaptação; por isso foi um dos municípios liderantes no Plano Metropolitano de Combate às Alterações Climáticas.

E quanto a medidas mais direccionadas para as pessoas?

Foram desenvolvidas medidas locais que incentivam a mudança de comportamento na questão da reciclagem. Aliás, a campanha “Almada é a tua casa”, lançada pela área do Ambiente em conjunto com a Salubridade, é exactamente para introduzir mudanças de comportamento numa óptica de um compromisso com o nosso modo de vida, mais sustentável, com mais reciclagem, com maior reutilização, aposta na economia circular e em soluções mais sustentáveis ao nível dos recursos. É por isso que falamos também no consumo energético, em que possamos ter capacidade de gastar menos, desperdiçar menos, porque é isto que também nos leva a utilizar menos recursos e a sermos menos intrusivos sobre o nosso território e o planeta

A nossa política de Ambiente tem sido: em primeiro lugar ensinar e sensibilizar; em segundo, intervir no território, identificando vulnerabilidades, identificando medidas que ajudem a melhorar, e implementar medidas que ajudem a incentivar estas práticas mais sustentáveis de vivência colectiva.

Quais as principais propostas da AD para melhorar a mobilidade no concelho de Almada?

Uma das questões é, exactamente, as pessoas estarem mais próximas dos seus locais de trabalho. Quando dizemos que queremos atrair mais empresas é porque queremos que as pessoas não tenham de fazer um movimento pendular tão significativo para fora de Almada. Portanto, o fenómeno da mobilidade não é só ter um sistema de mobilidade mais eficaz, é também ter um sistema de transportes públicos mais eficaz, mais articulado, e com um plano de tarifário mais racional.

Uma das propostas da AD é criar hubs de empresas no concelho. São locais que criam novas centralidades    . A pandemia ajudou a demonstrar que uma parte das nossas funções profissionais não precisam de ser feitas no local de trabalho, podem ser feitas à distância. Queremos implementar espaços de co-working, em todas as freguesias, onde as pessoas possam estar em teletrabalho, ou à distância, sem terem de estar sempre em casa. São espaços centrais com algumas valências, como internet e alguns serviços de apoio.

Se a AD não vencer as eleições, e o PS não conseguir a maioria absoluta, está disponível para entrar num novo acordo pós-eleitoral?

Faço a pergunta ao contrário. Se a AD ganhar as eleições sem maioria absoluta, estará o Partido Socialista na disposição de fazer exactamente o que o PSD fez neste mandato para criar condições de governabilidade para o concelho de Almada?

O Partido Social Democrata e todos os partidos que envolvem esta coligação têm visão de desenvolvimento, e acreditamos que somos os melhores protagonistas para liderar este projecto. Vai depender da vontade dos almadenses, se somos nós que lideramos ou não.

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