22 Outubro 2021, Sexta-feira
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Jovem atleta desespera há um mês por operação mas seguro não cobre despesas

Diogo Simas lesionou-se em Almada, na Taça Regional de Saltos. Seguradora garante apenas metade do montante necessário

 

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O atleta Diogo Simas, de 19 anos, desespera há mais de um mês por uma operação ao joelho no valor de dez mil euros, depois de se ter lesionado no dia 16 de Maio em Almada, quando ensaiava para a Taça Regional de Saltos, na Pista Municipal da Sobreda.

A intervenção, que esteve agendada para a passada quarta-feira, não aconteceu ainda, uma vez que o seguro pelo qual o atleta do Clube Pedro Pessoa – Escola de Atletismo é coberto “tem um capital máximo de cinco mil euros, montante inferior ao necessário”, começou por explicar Alexandra Simas, mãe do lesionado, a O SETUBALENSE.

Diogo Simas lesionou-se no dia 16 de Maio numa prova de triplo salto

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“A confirmação da operação foi dada pelo médico, em consulta no dia 31 de Maio. Este foi o último dia em que o Diogo teve acompanhamento médico”, acrescentou.

Passados diversos dias “sem tratamento no SNS [Serviço Nacional de Saúde] e sem acompanhamento na rede clínica privada da seguradora Fidelidade”, Alexandra Simas teme pela “vida pessoal e atlética” do seu filho. “Cada dia que passa é mais um dia em que o joelho piora. A sua mobilidade e independência são agora inexistentes, os seus receios de não voltar a ter uma vida normal começam a assombrar o seu estado de espírito e o seu sonho de seguir a vida desportiva está ferido de morte”, revelou.

Para a realização da operação, para a qual Alexandra Simas garante não ter capacidade financeira de avançar sem apoio, “é necessário proceder à encomenda em Barcelona de tendões de cadáver, para se conseguir reconstituir o joelho”.

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Todo este processo “foi orçamentado em dez mil euros pelo Hospital da Luz, valor superior ao capital coberto pelo seguro”. Contudo, do montante garantido pelo Grupo Fidelidade, “já terão sido gastos mil euros, com a realização de uma ressonância magnética, em três consultas e em dez sessões de fisioterapia, entre materiais”.

Acidente aconteceu na prova de Triplo Salto

Tudo aconteceu “na prova de Triplo Salto”, organizada pela Associação de Atletismo de Setúbal, quando Diogo Simas realizava “o seu primeiro e único ensaio”.

Depois de se “solicitar uma ambulância”, o jovem foi transportado para o Hospital Garcia de Orta, “onde permaneceu mais de 48 horas sem ser encaminhado para o serviço de Ortopedia”.

“A única informação que nos davam é que seria necessário fazer uma ressonância magnética para saber a verdadeira extensão do problema. Face ao estado do meu filho e à estagnação médica, vimo-nos obrigados e coagidos a assinar um termo de responsabilidade para que o Diogo pudesse sair do hospital e efectuar uma consulta de avaliação clínica”, explicou a mãe do atleta.

A 18 de Maio, já na Unidade de Cuidados Médicos Acidentes da Fidelidade, Diogo Simas recebeu o diagnóstico: “sofreu uma ruptura completa do ligamento cruzado posterior e do colateral peronial, uma ruptura radicular com extrusão do corpo do menisco interno e ruptura parcial da inserção do tendão semimembranoso e do tendão poplíteo”, entre outros ferimentos.

Desde esse dia que, “após sessões de fisioterapia para minimizar o inchaço, derrames e hematomas”, o jovem aguarda em casa, “sem solução próxima à vista”.

“E assim nos encontramos, sem mais saber como valer ao nosso filho”, confessou, por último Alexandra Dimas.

O SETUBALENSE tentou obter esclarecimentos junto do Grupo Fidelidade, assim como da Divisão de Gestão de Equipamentos Desportivos da Câmara Municipal de Almada, mas até ao fecho desta edição não obteve quaisquer respostas.

Contactada a Associação de Atletismo de Setúbal, José Serrano, presidente da direcção, disse não querer prestar quaisquer declarações, afirmando apenas que “a associação já fez aquilo que tinha a fazer” e que “este é um assunto que os pais e o atleta têm de tratar com a companhia de seguros”.

País 590 mil atletas federados cobertos por seguros semelhantes

Em 2020, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), existiam 589 mil e 901 atletas federados em Portugal, com idades compreendidas entre os seis e os 85 anos.

O seguro desportivo pelo qual são cobertos “será semelhante ao do Diogo”: “possui as coberturas de morte, despesas de funeral, invalidez permanente absoluta e parcial e, por último, a cobertura de despesas de tratamento e repatriamento, esta com um capital máximo de cinco mil euros”, sublinhou Alexandra Simas, mãe do lesionado.

Até “5 de Abril do corrente ano”, “jovens e menos jovens” aguardaram ansiosamente pelo regresso “às pistas, às provas e competições”.

“Pese embora o estado da pandemia, não desistiram do gosto e empenho na prática desportiva. Exemplo é a modalidade de Atletismo. Dedicaram-se para que, no que restava de uma época, pudessem competir para a obtenção de mínimos de qualificação e, assim, participar nas competições nacionais da época”, acrescentou.

Por último, disse: “Como nós, estão espalhados pelo País 589 mil e 901 praticantes sob as mesmas condições, sem noção de que, em casos mais graves, toda a sua vida pessoal e desportiva fica posta em causa”.

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