27 Janeiro 2022, Quinta-feira
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Nadador salvador assegura que “90% das pessoas perde a consciência” ao ser atingido por onda do Meco

Marco Bernardo diz que “só quem tem experiência sobrevive” ao levar com onda como a que arrastou os estudantes durante praxe

 

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Marco Bernardo, militar da Marinha e nadador salvador, testemunhou hoje em tribunal no processo do Meco, onde afirmou que, segundo a experiência que adquiriu com a profissão, “90% das pessoas perde a consciência” ao ser atingido por uma onda como a que arrastou os estudantes durante uma praxe em 2013. “Só quem tem muitas horas de experiência sobrevive”, garantiu.

Já o advogado das famílias das vítimas, Vítor Parente Ribeiro, ditou a descrição que o antigo ‘dux’ deu no início do julgamento, sobre o momento em que os jovens foram apanhados pela onda. Os advogados de João Gouveia e da Lusófona opuseram-se à explicação, mas ainda assim o mandatário leu o testemunho, para que o nadador salvador pudesse dizer se, da sua experiência, considerava o mesmo verosímil.

João Gouveia defendeu que, quando os estudantes foram apanhados por uma onda, ouviu gritos de socorro e que tentou agarrar Carina dentro do mar, mas esta acabou por se soltar, sem nunca perder a consciência.

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O militar da Marinha disse nunca ter ouvido uma “história” assim, acrescentado que “o mar no Meco no Inverno é muito violento”. “Da experiência que tenho com ondas daquele tamanho, com três ou quatro metros que batem com violência no areal, durante a noite é impossível alguém ver outra pessoa dentro do mar ou ouvir um pedido de socorro”, disse Marco Bernardo.

Segundo esclareceu o militar, que foi formador de fuzileiros na Marinha, é a primeira vez que ouviu alguém dizer que uma vítima de afogamento se soltou por duas vezes. “Uma pessoa em aflição nunca se solta, tem uma força incrível e agarra-se com todas as forças”, argumentou.

Em seguida, sublinhou: “no salvamento aquático, nunca é recomendável aproximar de frente a uma pessoa em pânico, por isso temos as bóias de três metros para que a vítima não se agarre a nós, nadadores salvadores”.

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Questionado pela advogada de João Gouveia sobre a possibilidade de os jovens poderem gritar por ajuda se tivessem sido arrastados por uma onda que, ao invés de rebentar com violência no areal, se tenha estendido pela praia e levado os estudantes para dentro de água, o nadador salvador disse ser possível. “Nesse caso a força do mar é sentida quando a água retorna ao mar, não há um impacto inicial como aquelas ondas que rebentam na praia”, explicou.

O processo cível que decorre no Tribunal de Setúbal foi movido pelos pais dos jovens que perderam a vida na noite de dia 15 de Dezembro de 2013. É exigido a João Gouveia, único sobrevivente, e à Universidade Lusófona, um total de 1,3 milhão de euros pela morte de Catarina, Carina, Joana, Andreia, Pedro e Tiago.

Na sessão de julgamento desta segunda-feira, Samuel Garcia, padeiro que reside junto à casa onde os jovens passaram o fim-de-semana, em Aiana de Cima, disse ter visto durante a tarde desse sábado João Gouveia sentado no quintal e os outros jovens a fazer exercícios.

O vizinho referiu, ainda, ter visto um outro homem com uma colher na mão a sair da casa. “Tinha barba, não era o João Gouveia”, salientou. Uma vez que a colher é o símbolo da praxe, o antigo ‘dux’ assegurou que os rituais apenas eram praticados se a tivesse na sua posse, o que não aconteceu na ida à praia nessa noite.

Maria Fernanda, parente de António Soares e Maria Fernanda Cristóvão, pais de vítimas do Meco, também testemunhou em tribunal, onde disse que os seus primos “nunca mais voltaram a ser os mesmos após a tragédia”. “Nunca largaram o Meco durante as buscas e ainda hoje sofrem com o que aconteceu”, concluiu.

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