5 Maio 2021, Quarta-feira
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Carlos Humberto: “O meu objectivo é servir o Barreiro, não é ganhar eleições”

Candidato da CDU considera que o actual mandato foi marcado por muita propaganda e pouca reflexão

 

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Em entrevista a O SETUBALENSE, Carlos Humberto, candidato da CDU à presidência da Câmara do Barreiro, faz um balanço ao trabalho desenvolvido pela gestão PS e critica a actuação da maioria socialista na luta contra a pandemia. Reflecte sobre as causas da derrota da coligação em 2017 e explica as razões de uma nova candidatura, afirmando que a democracia local deve ser participada e respeitar as diversas opiniões.

Depois de ter liderado a Câmara entre 2005 e 2017, o que leva a candidatar-se agora?

Quando fui candidato pela primeira vez, fi-lo com o objectivo de ajudar a minha terra, onde nasci e sempre vivi, e esse foi o principal motivo que conduziu à minha recandidatura este ano. Penso que tudo o que está a ser feito no município não tem o meu acordo e, portanto, tenho também um sentido crítico a quem está a desenvolver esta função, mas a razão fundamental é poder continuar a servir o meu concelho, que gosto muito e onde sempre estive de alma e coração, mesmo quando estive fora.

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Como avalia o trabalho do presidente socialista no presente mandato?

Considero que este foi um mandato de muita propaganda e pouca reflexão, porque acho que a democracia local tem de ser participada e de respeito por todas as outras opiniões, tendo em conta as mesmas. Por outro lado, e por uma razão que me é muito cara, considero que a força política que dirige um concelho tem de ter uma atitude permanente em relação ao seu território, de grande respeito pela história, pelo passado, presente e pelas perspectivas de futuro. Tem também de ser a voz do concelho, por isso, penso que quem dirige a autarquia não tem assumido a voz que é preciso que o Barreiro tenha no âmbito da Área Metropolitana de Lisboa e até no País. Aquilo que a actual gestão fez foi fomentar um clima de guerra entre as pessoas que têm opiniões diferentes, isto é, os bons e os maus, e isto é diferente de combate político e de concepções diferentes do desenvolvimento do concelho e da intervenção política.

A que ficou a dever-se a derrota da CDU no Barreiro nas últimas autárquicas?

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Não há uma razão única, mas múltiplas, tais como a mudança de cabeça-de-lista, a situação nacional e os seus reflexos a nível local, bem como a forma como as campanhas são feitas. Penso que estes foram elementos que pesaram no resultado eleitoral que, no seu conjunto, foi conquistado pelas várias forças políticas. Também é preciso sublinhar que sempre que fui candidato a estas funções venci todas as eleições, pelo que é com essa disponibilidade e disposição que estou presente neste acto eleitoral. O meu objectivo é servir o Barreiro, não é ganhar eleições, mas para poder servir melhor o concelho é preciso ganhar.

Ser for eleito, afirmou que quer assumir-se como porta-voz do concelho. Quais os desafios que espera enfrentar?

O Barreiro tem uma situação que não é fácil de resolver e quem afirma que chega à Câmara e resolve os problemas estruturais de uma penada está a mentir, não é possível. Penso que o Barreiro precisa de perceber que para sair da situação em que se encontra, necessita de muitas parcerias, diálogo e de ter muita relação institucional, empresarial e até com a administração central, para ultrapassar dificuldades tais como as questões relacionadas com o emprego e a questão da acessibilidade. Em consequência destes problemas, passámos de concelho central do arco ribeirinho sul para passarmos a ser uma periferia desta região, porque perdemos o comboio por decisão do Governo e fecharam os principais polos produtivos. Não se pode dizer que a autarquia não teve nenhuma responsabilidade, naturalmente que sim, e fugir às nossas responsabilidades é o pior que podemos fazer, caso da Terceira Travessia do Tejo que é indispensável ao município, à região e ao País. A Câmara tem de ter um papel preponderante, dinamizador, na tentativa de inverter estes caminhos, que é preciso fazer e que levará algum tempo, mas que estou disponível para assumir.

De acordo com o programa eleitoral da CDU, que futuro tem para o Barreiro?

Considero que a resolução destes problemas é fundamental, tal como questões de carácter ambiental. Não podemos deixar de continuar a intervir para que a ponte se faça, com funções ferroviárias e rodoviárias, tal como a ligação ao Seixal do ponto de vista rodoviário, pedonal e ciclável, que também terá de ser feita. A intervenção em toda a frente de águas do município, desde o Lavradio até Coina, é indispensável, assim como as questões da mobilidade. E mobilidade não é apenas rotundas, é muito mais do que isso. Precisamos de uma visão integrada em que temos o elemento determinante para a mesma, que é a frota de autocarros dos TCB, hoje menos poluentes e novos, mas que precisamos de integrar com outras funções. Há ainda as questões da educação, de carácter social e de dar a atenção devida à cultura, por isso irei responsabilizar-me por dar especial atenção a estas áreas.

Caso volte a ser presidente de Câmara e perante o actual cenário de pandemia, que soluções gostaria de implementar para ajudar os barreirenses a recuperarem desta crise?

A Câmara tem um papel a desempenhar nesse sentido, mas o papel principal é a nível nacional, de resposta a todo o País e não apenas ao município do Barreiro ou a cada um isoladamente. Acho que a Câmara teve um erro tremendo – até eu próprio como cidadão me senti incomodado –, quando fez da pandemia uma feira de vaidades. A gestão de uma situação como esta exige recato, bom senso, equilíbrio e acho que isso não existiu. É preciso perceber quais são os sectores mais fragilizados da sociedade e colmatar essa fragilização com os apoios do Estado, olhar para o movimento associativo, para os agentes culturais e para a micro actividade económica e perceber quais são os apoios necessários.

Como encara a solução encontrada pelo executivo PS para a Quinta do Braamcamp?

Uma sucessão de erros. O município adquiriu a quinta para a colocar ao serviço das populações, não para construir habitações de luxo, para dentro do possível utilizá-la para continuação da intervenção nas frentes de água. Na minha opinião, o que é ideal, com alguns equipamentos, é transformar a Braamcamp num pequeno espaço de lazer, de alguma actividade lúdica, desportiva, cultural e até económica, mas sem destruir do ponto de vista ambiental e paisagístico, pelo contrário, valorizar e isso sim é uma mais-valia do concelho. No fundamental o que precisamos é de ocupar o que está em condições de ser ocupado, e expandir em vazios urbanos e não nas frentes de rio, que têm de ter uma outra valência, outra perspectiva do ponto de vista de futuro. Foi um erro não terem aproveitado os fundos comunitários, cujo valor prometia recuperar uma parte da quinta.

Do ponto de vista processual cometeram um conjunto de erros e em vez de acarinharem as opiniões que são diferentes de quem está no poder, fizeram disso uma guerra, um combate, algo que é inacreditável do ponto de vista da gestão autárquica. Uma coisa é a discordância, outra coisa é a crítica permanente, que permite o radicalismo e não é bom para nenhum dos partidos políticos que se apelidam permanentemente de democráticos, porque só serve o radicalismo da direita-extrema, fomenta os ódios e isso é inaceitável. Se a CDU tivesse continuado a gerir a autarquia, iríamos reflectir com as pessoas que estivessem interessadas em fazê-lo e isso influenciaria a decisão, mas estou convencido, até pela auscultação que fizemos na altura, que os barreirenses estariam de acordo com o facto daquele espaço não ter sido comprado para construir habitações.

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