10 Maio 2021, Segunda-feira
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Depósito de 120 mil toneladas de resíduos suspeito de ‘sufocar’ Estuário do Sado

Estão depositados em zona protegida à beira Sado, são bem visíveis, e parecem ser idênticos aos resíduos perigosos no Vale da Rosa

 

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Um depósito clandestino de resíduos, com mais de 120 mil toneladas, colocados a céu aberto, na zona de protecção da Reserva Natural do Estuário do Sado, em Setúbal, está a preocupar a associação ambientalista Zero, que já esteve no local, e suspeita tratar-se do mesmo tipo de resíduos perigosos descobertos, no ano passado, no Vale da Rosa, também no concelho sadino.

No caso de Vale da Rosa, junto ao Complexo Municipal de Atletismo de Setúbal, estão detectados cerca de 80 mil toneladas de resíduos, já classificados como perigosos pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), por conterem arsénio, cádmio, chumbo, mercúrio, níquel e manganês. Ora o depósito junto ao rio Sado, na área da Mitrena, em terrenos envolventes à antiga empresa Eurominas Electro-Metalurgia, para além da maior quantidade de resíduos, e existir há mais anos, dá evidências de ser constituído pelos mesmos materiais perigosos.

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Ou seja, os blocos e pó são da mesma cor – cinza-escuro com tons esverdeados -, os terrenos em redor apresentam vestígios iguais aos que se podem observar no Vale da Rosa, e os caminhos de acesso parecem atapetados de restos deste material.

São motivos mais do que suficientes para a Zero desconfiar, e denunciar, existir a possibilidade de mais um risco ambiental no território sadino, pelo que se prepara para pedir a intervenção do Governo. “Há aqui pedras exactamente iguais aos materiais que já foram classificados como resíduos perigosos pelo que vamos comunicar à Secretaria de Estado do Ambiente e solicitar que façam as devidas análises científicas e investiguem qual é a origem”, disse Rui Berkemeier a O SETUBALENSE.

Parcialmente cobertos de vegetação, e apesar do efeito de sedimentação provocado por dezenas de anos de exposição, os montes existentes na Mitrena indiciam a presença dos mesmos materiais descobertos no Vale da Rosa. Aliás, a informação de que as toneladas de resíduos ali encontradas no ano passado tinham origem na Eurominas foi conhecida de imediato.

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Eusébio Candeias, ex-presidente da Junta de Freguesia do Sado e ex-vereador comunista na Câmara de Setúbal, deu a saber, em Junho de 2020, que aqueles materiais começaram a ser carregados para o Vale da Rosa em 2003, vindos da Eurominas.

 

 

“Na altura disseram-me que era material inerte, proveniente da empresa Eurominas, e que seria para fazer a base da estrada de acesso ao Complexo Municipal de Atletismo e dos arruamentos do empreendimento urbanístico que estava previsto para a zona do Vale da Rosa. Só agora é que ouvi dizer, pela primeira vez, que são resíduos perigosos”, explica o antigo autarca.

Eusébio Candeias conhece bem o território e acompanhou o processo da Metalimex, daí afirmar ter conhecimento que não se trata de escórias mas de materiais provenientes da Eurominas.

Na origem destes resíduos, está assim a empresa que operava um terminal portuário na Mitrena, recebia minério e acumulou grandes quantidades de materiais, entre os muros das suas instalações e em montes sobre os terrenos exteriores envolventes. Hoje são visíveis ainda os vestígios, no solo, de antigos depósitos numa vasta extensão de terra entre as instalações da antiga empresa e a zona de sapal.

O terminal portuário onde funcionava a Eurominas foi, entretanto, concessionado a outras empresas, às cimenteiras Secil e Cimpor e mudou não apenas de mãos, mas também de actividade. Desde 2001 que o terminal designado por Termitrena se dedica à movimentação de outros granéis sólidos, nomeadamente à exportação de clinquer (produto base do cimento) e importação de petcoke (combustível usado na indústria cimenteira).

Zero aponta carta da CCDR para desconfiar de sedimentos na Mitrena

Situado a poucos metros do limite da área do sapal, o depósito de resíduos denunciados pela Zero tem escorrências, há duas dezenas de anos, para as águas do Estuário do Sado, assim como para o lençol freático na zona, que é considerado um dos maiores da Europa.

O receio de risco ambiental, e para a saúde pública, inerente a estes resíduos, a serem perigosos, tal como a associação ambientalista em muito desconfia pela comparação aos existentes no Vale da Rosa, está patente na carta que recebeu da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT).

Referindo-se ao Vale da Rosa, a comissão escreve: “Atendendo a que se concluiu tratar-se de resíduos perigosos que apresentam diferentes características de perigosidade, estão a ser efectuadas as necessárias diligências junto da área da saúde para actuação no âmbito das respectivas competências. Após a remoção dos resíduos em causa, podem vir a ser definidas outras medidas de actuação consideradas adequadas nomeadamente uma avaliação da qualidade do solo e da água subterrânea”.

É também com base nesta missiva que os ambientalistas da Zero exigem a intervenção da Secretaria de Estado do Ambiente para que sejam feitas as devidas análises científicas e que se investigue a origem dos resíduos colocados na zona de protecção da Reserva Natural do Estuário do Sado.

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